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Larissa Vitória

Larissa Vitória

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

ORÁCULO DE OMAHA (VERSÃO B3)

Quais ações da B3 passariam pelo crivo de Warren Buffett? O Itaú BBA imaginou como seria a atuação do megainvestidor na bolsa brasileira — e traz a resposta

Veja quais seriam as escolhidas se, um dia, o “óraculo de Omaha” decidisse voltar sua lupa corporativa para o mercado brasileiro

Larissa Vitória
Larissa Vitória
9 de maio de 2022
11:20 - atualizado às 1:28
Warren Buffett com uma lâmpada perto do rosto | Ações, Suzano, Vivara
Warren Buffett, um dos maiores investidores do mundo, fundador e CEO da Berkshire Hathaway. Fonte: Reprodução - Imagem: Reprodução

Warren Buffett é uma lenda no mundo dos investimentos: nele, não há quem não tenha ouvido falar da figura do “oráculo de Omaha”. O que muita gente não conhece em detalhes é como funciona a estratégia de alocação de recursos que lhe rendeu sua fama.

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O megainvestidor é conhecido por seu casamento duradouro com o value investing. Em linhas gerais, a filosofia criada por seu mentor, Benjamin Graham, aposta no potencial de valor das empresas a longo prazo em detrimento de seu preço ou volume de transações atuais.

O objetivo é encontrar companhias que estejam “baratas” em relação a seu valor intrínseco. E, para descobrir o ouro escondido, não existe fórmula secreta: é preciso esmiuçar os balanços e colocar em prática os ensinamentos de análise de ações.

Na hora de procurar oportunidades, Buffett concentra-se em empresas da sua terra natal: os Estados Unidos. Por isso, a maior parte da carteira da Berkshire Hathaway (BERK34), sua holding de investimentos, está concentrada por lá.

O único brasileiro na lista é o Nubank. Mas vale lembrar que o banco digital escolheu listar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York, dentro do território do megainvestidor.

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Mas como seria se, um dia, Warren Buffett decidisse voltar sua lupa corporativa para a bolsa brasileira?

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O Itaú BBA enviou um representante à conferência anual da Berkshire Hathaway para aprender mais sobre o estilo dele e indicar quais seriam as escolhas de Buffett na versão “oráculo da B3”.

Comprar barato não é sinônimo de boa compra

Um dos pontos centrais do value investing é encontrar empresas abaixo do seu valor intrínseco. Isso não significa, porém, que qualquer pechincha é uma boa opção para a carteira.

Segundo Marcelo Sá, estrategista-chefe do Itaú BBA que aceitou a missão de estudar Warren Buffett, antes do preço, o megainvestidor considera a qualidade do ativo e as perspectivas de crescimento.

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“Eles [na Berkshire] têm uma expressão interessante que fala que é melhor comprar uma empresa maravilhosa a um preço justo do que pagar um preço maravilhoso por uma empresa razoável”, explica Sá na última edição do podcast Itaú Views.

Warren Buffett quer investimentos duradouros e gestão eficiente

Outro ponto importante da filosofia do mago de Omaha é pensar sempre no longo prazo: “Para vocês terem ideia, o tempo médio de posição é de mais de 30 anos”.

Para manter uma empresa na carteira durante tanto tempo, um requisito é que a gestão seja eficiente. “Ele olha para a qualidade do management: como foram as entregas, se a alocação de capital é boa, se a empresa tem eficiência operacional, se o pacote de incentivo dos executivos está alinhado com os acionistas".

A intenção aqui é comprar empresas que já são bem geridas para assumir um papel mais passivo no dia a dia das companhias.

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As escolhidas de Warren Buffett na B3

Munido de seus conhecimentos sobre Warren Buffett, o estrategista do Itaú BBA fez — a pedido do braço de investimentos do banco — um exercício hipotético para definir quais ações da B3 atrairiam o interesse do lendário investidor 

Para Sá, o mago de Omaha olharia com cuidado para Ambev (ABEV3), Equatorial (EQTL3), São Martinho (SMTO3), Suzano (SUZB3) e Vivara (VIVA3). O estrategista considera que as duas últimas, em especial, seriam destaques para ele.

Suzano (SUZB3) — indústria em franco crescimento

A Suzano (SUZB3) chamou a atenção do mercado na semana anterior pelo bom desempenho no primeiro trimestre. A produtora de papel e celulose reverteu em lucro líquido de R$ 10,3 bilhões o prejuízo de R$ 2,6 bilhões registrado no mesmo período do ano passado.

E, conforme indica Marcelo Sá, a empresa deve seguir avançando: “é uma indústria com crescimento, dado que temos um aumento na demanda por papel para fins sanitários, o uso que mais cresce. O consumo per capita na China, por exemplo, ainda é muito baixo”.

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O especialista afirma que o Brasil — e, consequentemente, a Suzano — tem uma vantagem competitiva “gigantesca” no setor. “As florestas aqui crescem muito mais rápido do que as dos competidores canadenses e nórdicos. Para vocês terem ideia, são seis anos aqui contra 30 anos nesses outros países”, afirma.

A administração da empresa, essencial dentro dos critérios de Buffett, também é elogiada. Para ele, o management é muito bom e tem um histórico ótimo de alocação de capital.

O valuation da empresa também é atrativo. “Ela está negociando em um múltiplo de 5,6x Ebitda [Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês], abaixo da média histórica de 7,5x”.

Vivara (VIVA3) — via aberta para crescimento no mercado

A segunda possível escolhida de Warren Buffett, para Marcelo de Sá, seria a Vivara (VIVA3). A fabricante de joias está inserida em um mercado fragmentado, o que abre margem para consolidação.

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O estrategista-chefe do Itaú BBA conta que a empresa é a maior do setor, com 10% de market share. O segundo maior player está vendendo as operações no Brasil, enquanto o terceiro enfrenta dificuldades financeiras. 

“Ela [a Vivara] está em um ambiente competitivo muito favorável para continuar crescendo com ganho de participação de mercado”, afirma ele. 

Outra vantagem competitiva é a verticalização de suas operações e o estoque que garante um ano de ouro e prata para a produção. “Ela pode, portanto, mudar o design da joia e escolher a composição dependendo do custo para colocar os produtos em um preço que o consumidor consiga pagar”.

Por fim, o valuation da Vivara é algo que agradaria Warren Buffett, na visão de Sá: “Ela está negociando em um P/E [Índice Preço Lucro] de 16x, abaixo da média histórica de 25x”.

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