Esquenta dos mercados: Bolsas estrangeiras iniciam semana no azul, mas ruídos políticos locais seguem causando interferência
Bolsas sobem lá fora com expectativa de bons resultados trimestrais; no Brasil, partidos se preparam para convenções

A semana começa com bons ventos emanados pelas bolsas de valores estrangeiras e com o início do período de recesso do Congresso Nacional.
Parecem boas notícias em um momento no qual os participantes do mercado se preparam para o início da temporada de balanços depois de o Ibovespa ter encerrado a semana passada em queda acumulada de 3,73%.
Entretanto, nada disso significa que o investidor brasileiro vai ter folga, principalmente dos ruídos políticos.
Ah, o Congresso…
Às vésperas de entrar em recesso, enquanto todos os olhos estavam voltados para chamada a PEC Kamikaze, o Congresso aprovou discretamente projetos com potencial de interferir no financiamento de campanhas e nas negociações das eleições deste ano.
Entre os pontos mais relevantes, os congressistas alteraram regras para doações durante a campanha eleitoral, ampliaram o sigilo sobre o 'orçamento secreto' e autorizaram o governo a alterar o destino de recursos já contratados. A cereja do bolo é que nada disso será considerado crime eleitoral.
Em tempo, a legislação eleitoral proíbe expressamente “a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da administração pública” em anos eleitorais.
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Partidos iniciam homologação dos candidatos à presidência
Enquanto o Congresso entra em recesso, os partidos engajados na disputa das eleições realizam a partir desta semana as convenções destinadas a homologar seus candidatos ao Palácio do Planalto.
O PDT abre a fila na quarta-feira.
Confira a seguir as datas das convenções partidárias previstas para esta semana:
- Quarta-feira (20): PDT homologa Ciro Gomes;
- Quinta-feira (21): PT oficializa candidatura de Lula;
- Sábado (23): Avante lança André Janones;
- Domingo (24): PL endossa Jair Bolsonaro.
A convenção do MDB, na qual deve ser formalizada a candidatura de Simone Tebet, ainda não tem data definida.
Outros partidos pretendem oficializar seus candidatos mais perto do fim do prazo de homologação, estabelecido para 5 de agosto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Brasileiro não tem sossego
E enquanto os partidos se preparam para homologar seus candidatos, o presidente Jair Bolsonaro segue em sua cruzada contra as urnas eletrônicas.
Dezenas de embaixadores foram convidados para uma reunião na qual Bolsonaro pretende alegar, agora para um público estrangeiro, que o mesmo sistema de votação que garantiu sua presença no Palácio do Planalto em 2018 não seria confiável.
Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Rússia não confirmaram presença até o momento. França e União Europeia (UE) informaram que enviarão representantes, mas não entraram em detalhes sobre o escalão deles. Bolsonaro promete a presença de “50 embaixadores” no evento.
O presidente do TSE, Edson Fachin, também foi convidado, mas declinou.
Desde antes das eleições de 2018, Bolsonaro insiste na alegação de que as urnas eletrônicas não seriam confiáveis. Até hoje, porém, o presidente nunca apresentou nenhuma prova que sustentasse suas alegações.
Implementadas ainda nos anos 1990, as urnas eletrônicas consolidaram-se como principal meio de votação no Brasil com o passar dos anos.
O voto em papel é utilizado apenas quando ocorre algum defeito na urna eletrônica ou quando cai o fornecimento de energia elétrica.
Desde sua implementação, não há registro de fraude no sistema eletrônico de votação.
Temporada de balanços começa esta semana no Brasil
Agora que já falamos bastante de política e eleições, vamos tratar dos resultados das companhias listadas em bolsa referentes ao segundo trimestre.
A temporada de balanços tem início amanhã, mas só deve engrenar na semana que vem.
Na terça-feira, depois do fechamento, será divulgado o resultado trimestral da Indústrias Romi (ROMI3).
Na quarta-feira, antes da abertura, a Weg (WEGE3) publicará seu balanço.
Confira aqui o calendário de resultados trimestrais elaborado especialmente pelo Seu Dinheiro.
Só para avisar, a agenda de indicadores estará bem tranquila esta semana.
Depois do relatório semanal Focus, previsto para a manhã de hoje, o número mais relevante esperado para os próximos dias é da arrecadação de impostos em junho, cuja divulgação está prevista para a quinta-feira.
Bons ventos de fora
No que depender do clima nas bolsas estrangeiras, o investidor não tem muito do que reclamar. Os mercados financeiros internacionais protagonizam hoje mais uma sessão de recuperação.
Não é que a preocupação com a inflação e os temores de uma recessão em escala global tenham repentinamente sumido do radar dos investidores.
Os índices de Wall Street e da Europa mantêm hoje a recuperação iniciada na sexta-feira diante da expectativa de resultados positivos na temporada de balanços lá fora.
Hoje serão divulgados os balanços do Goldman Sachs, do Bank of America e da IBM.
Enquanto esses números não saem, as bolsas de valores da Europa operam em forte alta e os índices futuros de Nova York sinalizam abertura no azul em Wall Street. Na Ásia, os mercados de ações fecharam em alta.
Até o euro, que nas últimas semanas sofreu uma forte desvalorização diante dos temores de recessão, distanciava-se um pouco da paridade com o dólar na sessão de hoje.
BCE prepara-se para primeira alta de juro em mais de uma década
A questão: até quando essa bonança nos mercados internacionais se manterá?
De olho na alta dos preços e no risco de recessão, o Banco Central Europeu (BCE) deve anunciar na quinta-feira seu primeiro aumento de juro em mais de uma década.
Entretanto, analistas esperam que o aperto monetário na zona do euro comece de um modo menos agressivo do que o que vem sendo promovido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
FUTURO NEBULOSO
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