2022-03-24T11:29:56-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
FECHAMENTO DO DIA

Sextou com estilo! Ibovespa avança 3% na semana e fecha na melhor marca do ano; dólar encosta nos R$ 5

O Ibovespa encerrou a semana na melhor marca de fechamento do ano, mesmo diante do aperto monetário global e a guerra no leste europeu

18 de março de 2022
18:49 - atualizado às 11:29
Imagem: Shutterstock, com intervenção de Andrei Morais

A guerra no leste europeu segue, a inflação é uma pedra no sapato dos bancos centrais do mundo inteiro, não se sabe ao certo onde a taxa básica de juros vai parar, mas muito pouco disso impediu que o Ibovespa fechasse a sexta-feira no maior nível do ano. 

Com uma alta de 1,98%, o principal índice da bolsa brasileira se consolidou no patamar dos 115 mil pontos, acumulando um avanço de 3,22% na semana. Se não fosse o impacto negativo que a Petrobras teve nos negócios, os ganhos poderiam ter sido maiores. Em Wall Street, o S&P 500 teve o melhor desempenho semanal desde novembro. 

No mercado de juros, a indicação de que o Comitê de Política Monetária deve encerrar o ciclo de alta da Selic mais cedo do que o esperado levou a um ajuste de baixa nos principais vencimentos. O dólar à vista acompanhou e fechou o dia em queda de 0,37%, a R$ 5,0158. Na semana, o recuo foi de 0,81%. Confira o fechamento dos principais contratos de DI:

CÓDIGONOMEULT FEC 
DI1F23DI jan/2312,87%12,93%
DI1F25DI Jan/2512,08%12,35%
DI1F26DI Jan/2611,91%12,17%
DI1F27DI Jan/2711,93%12,18%

Em uma aparente calmaria, o dia transcorreu com a colheita dos frutos que haviam sido plantados nos últimos dias na bolsa – as decisões de política monetária do Federal Reserve e do BC brasileiro, as notícias de que a China deve estimular a economia local e o setor de infraestrutura, e o alívio no preço do petróleo. 

A queda no preço da commodity vem de uma percepção de que o conflito pode não durar tanto tempo. Ainda que essa não seja uma esperança nova, a mobilização da Rússia e da Ucrânia para resolver o conflito abrem margem para que um cessar-fogo seja decretado em breve. 

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Com a guerra no leste europeu na cabeça, os investidores também observaram atentamente o telefonema entre Joe Biden, dos Estados Unidos, e Xi Jinping, da China. O presidente americano fez questão de lembrar que o apoio a Moscou pode custar caro e não será tolerado, enquanto Beijing reforçou que a paz e a segurança devem ser uma prioridade, alegrando a bolsa.

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Déjà vu?

Não é de hoje que a Petrobras é um dos alvos prediletos do presidente Jair Bolsonaro, mas a súbita disparada do preço do petróleo e o aumento no preço dos combustíveis foram gatilhos para uma nova rodada de ameaças à atual política de preços da companhia. 

Ao longo dos últimos dias, aumentou a tensão em torno da possibilidade de uma troca de comando na companhia, o que acabou penalizando as ações de uma das empresas de maior peso no Ibovespa.

Nos últimos dias, o presidente admitiu que soube do último reajuste proposto pela companhia antes do anúncio oficial e pediu para que a estatal atrasasse em um dia a medida, dando tempo para que os projetos que visam a estabelecer um subsídio para a compra de combustíveis fossem aprovados no Congresso. 

Embora o pedido não tenha sido aceito, a situação causou desconforto na bolsa e no cenário político, com o presidente afirmando que a recusa foi um crime contra a população.

Além disso, Bolsonaro afirmou que "existe uma possibilidade" de que o general Joaquim Silva e Luna seja substituído no comando da Petrobras, aumentando o temor de que o governo trabalhe para que a estatal esteja por trás da absorção do custo da elevação do preço do barril de petróleo. 

Vale lembrar que a entrada do próprio Silva e Luna, indicado pela presidência, foi cercada de incertezas, mas o general se mostrou resistente ao não mexer na política de preços da companhia.

Sobe e desce do Ibovespa

Para Igor Cavaca, gestor da Warren Asset Management, a queda do preço do barril de petróleo foi o principal motivo para que o setor de turismo surfasse uma boa onda. Confira as maiores altas da semana:

CÓDIGONOMEVALORVARSEM
CVCB3CVC ONR$ 13,4527,49%
JHSF3JHSF ONR$ 5,9323,28%
BIDI11Banco Inter unitR$ 19,7118,02%
AZUL4Azul PNR$ 22,2117,70%
NTCO3Natura ONR$ 24,8717,20%

A tensão política sobre a Petrobras fez com que a companhia ficasse com a lanterna da semana, em queda de 5%. As demais companhias repercutiram a temporada de balanços. Confira também as maiores quedas da bolsa no período:

CÓDIGONOMEULTVARSEM
PETR4Petrobras PNR$ 30,61-5,79%
PETR3Petrobras ONR$ 33,16-4,74%
BRML3BR Malls ONR$ 8,63-3,47%
YDUQ3Yduqs ONR$ 17,57-2,50%
FLRY3Fleury ONR$ 16,50-1,02%
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