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2022-06-15T19:30:00-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
FEChAMENTO DO DIA

Powell dá ‘porrada’ com alta de juros, mas mercado vê sinais de alívio no futuro e bolsas sobem; Ibovespa interrompe sequência de quedas e dólar cai 2%

Tensão da Super Quarta não durou e o Ibovespa conseguiu acompanhar os ganhos vistos em Wall Street

15 de junho de 2022
18:58 - atualizado às 19:30
Roberto Campos Neto e Jerome Powell, presidentes dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos
Roberto Campos Neto e Jerome Powell, presidentes dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos - Imagem: Divulgação

Apesar do dia ter começado com a notícia de que o Banco Central Europeu (BCE) havia convocado uma reunião extraordinária, os eventos desta Super quarta transcorreram como o projetado pela maior parte do mercado. 

Mais cedo, o Federal Reserve fez um movimento raro para o BC americano e anunciou uma alta de 0,75 pp. 

Para os padrões do Fed, o movimento pode ser considerado uma dose cavalar de remédio contra a inflação, mas, ao que tudo indica, a instituição preferiu causar um desconforto grande agora para evitar medidas mais drásticas no futuro. Digamos que foi apenas uma “picadinha”. 

Mas não existe nada escrito em pedra. O Fed seguirá acompanhando os indicadores de inflação de perto e reagindo a eles – incluindo o CPI, muitas vezes visto como um dado secundário na condução da política monetária da instituição. 

Aplicando um remédio mais forte diretamente na veia da inflação – estrangulando o consumo –, o Federal Reserve pretende ancorar as expectativas do mercado para a elevação dos preços na meta de 2%, mesmo sabendo que uma dose desse tamanho é incomum na terra do Tio Sam e pode provocar efeitos indesejados. 

O mercado financeiro teme que a economia americana, que mostra sinais vacilantes, acabe entrando em recessão já que a guerra na Ucrânia e o cenário de incerteza na China pesam sobre a atividade. Powell admite que pode ser que a taxa de juros caminhe para o campo restritivo. 

Por ora, o temor dos efeitos colaterais ficou contido entre os investidores. O chefe do Fed indicou que o próximo ajuste deve ficar na faixa de 0,50 pp e 0,75 pp, o que elimina a chance de uma elevação de 1 pp e deixa em aberto um piso para a alta dos juros. 

Depois de muitos dias difíceis, Wall Street celebrou. O Nasdaq subiu 2,50%, o S&P 500 avançou 1,46% e o Dow Jones registrou alta de 1%. 

A bolsa brasileira também comprou o otimismo visto em Nova York e o Ibovespa terminou o dia em alta de 0,73%, aos 102.806 pontos, encerrando uma sequência de oito quedas consecutivas. O dólar à vista devolveu boa parte dos ganhos da semana e fechou a sessão em queda de 2,11%, aos R$ 5,0260. 

O que disse o Fed

O banco central norte-americano elevou a taxa básica em 0,75 ponto percentual (pp), elevando os juros para a faixa de 1,25% a 1,50% ao ano.

Embora o aumento tenha sido superior ao que o próprio Fed vinha defendendo, o mercado financeiro já vinha precificando uma elevação dessa magnitude desde que o índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 1% em maio na comparação mensal e 8,6% em termos anuais — no maior avanço desde 1981. 

O Federal Reserve não adotava uma elevação tão brusca desde 1994 e o próprio Powell admitiu que essa era uma movimentação incomum para a entidade, mas necessária para ancorar as expectativas de inflação.  

Para o próximo encontro, Powell já deixou contratada uma alta na faixa de 0,50 pp e 0,75 pp, tirando da mesa, por ora, uma elevação de 1 pp. A decisão irá depender dos próximos indicadores de inflação. 

O que se espera do Copom

Enquanto o Federal Reserve acelera, o Banco Central brasileiro dá mais um passo em direção ao pouso de sua política monetária. O esperado pelo mercado é que o BC eleve os juros em 0,50 ponto percentual e sinalize o fim do ciclo de aperto. 

Após a pressão dos últimos dias com a expectativa de forte alta de juros nos Estados Unidos, o posicionamento de Jerome Powell aliviou o mercado e as taxas fecharam nas mínimas do dia antes da decisão do Banco Central brasileiro. Confira:

CÓDIGONOMETAXAFEC 
DI1F23DI jan/2313,58%13,68%
DI1F25DI Jan/2512,70%13,05%
DI1F26DI Jan/2612,58%12,93%
DI1F27DI Jan/2712,60%12,95%

O ato inesperado do BCE

Mais cedo, o Banco Central Europeu (BCE) surpreendeu o mercado com o anúncio de uma reunião extraordinária. 

O Conselho da autoridade monetária anunciou a criação para barrar os riscos de uma fragmentação da Zona do Euro. Além da nova ferramenta, o BCE criará uma flexibilidade no resgate do Programa de Compras de Emergência de Pandemia (PEPP, em inglês).

Na prática, o mecanismo busca proteger países mais endividados do bloco, já que os rendimentos dos títulos de dívida dispararam mais do que nos países ricos após o anúncio de que a elevação de juros deve começar na próxima reunião da instituição. 

Sobe e desce do Ibovespa 

A troca de comando na Natura (NTCO3), fez com que as ações da empresa de cosméticos dominassem o pregão, mas as ações da Qualicorp (QUAL3) ganharam força no fim do dia. 

Além de reverter parte das perdas recentes, o mercado repercute o início da comercialização de planos de saúde da Seguros Unimed na Grande SP, no Distrito Federal, Grande Salvador e São Luís. No geral, o dia foi favorável para ações do setor. 

O alívio no câmbio e a queda do petróleo no mercado internacional, assim como veto à gratuidade do despacho de bagagens, impulsionou as ações do setor aéreo. Confira as maiores altas do Ibovespa nesta tarde:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
QUAL3Qualicorp ONR$ 13,3914,64%
CVCB3CVC ONR$ 8,6713,19%
BIDI11Banco Inter unitR$ 10,559,33%
NTCO3Natura ONR$ 15,128,08%
GOLL4Gol PNR$ 10,176,49%

Confira também as maiores quedas da bolsa:

CÓDIGONOMEULTVAR
BRKM5Braskem PNAR$ 40,45-2,27%
PETR4Petrobras PNR$ 29,08-1,76%
PRIO3PetroRio ONR$ 25,26-1,48%
CMIN3CSN Mineração ONR$ 4,73-1,46%
BRFS3BRF ONR$ 12,98-1,37%
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