Sem novidades, ata do Fed impulsiona Ibovespa; dólar tem mais um dia de alta e vai a R$ 5,42
Apesar de a ata mostrar que a situação segue complicada, não houve nenhuma mudança no posicionamento do Federal Reserve

A ata do Federal Reserve, divulgada nesta tarde (06), confirmou todas as desconfianças do mercado. Os juros americanos vão continuar subindo de forma acelerada na próxima reunião, as expectativas de inflação no longo prazo seguem crescendo e não há como descartar que a reação da economia ao aperto monetário será uma desaceleração da economia.
A resposta das bolsas globais foi uma aceleração dos ganhos. É, você não leu errado. Os investidores ficaram aliviados em ver no documento a confirmação dos seus temores.
É que apesar de mostrar que a situação segue complicada, não houve nenhuma mudança no posicionamento do Federal Reserve. O documento veio em linha com os discursos dados pelos dirigentes desde a última reunião e, melhor de tudo, não trouxe um cenário pior do que o que já vinha sendo precificado pelos ativos.
Com a reação positiva em Wall Street, a bolsa brasileira conseguiu deixar os temores com a recessão e a queda das commodities de lado. O Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,43%, a 98.9718 pontos.
O dólar à vista, no entanto, teve um dia de pressão, com um avanço de 0,60%, a R$ 5,4219. O euro segue demonstrando fraqueza após dados piores do que o esperado confirmarem a desaceleração da economia europeia, o que aumenta a procura pela moeda americana.
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Os recados da ata do Fed
Sem muitas novidades, a ata da última reunião do Federal Reserve foi bem digerida pelo mercado.
O documento apenas confirmou que os membros do Fed ainda não projetam oficialmente um cenário de recessão, mas acreditam em uma desaceleração maior da economia no processo de tentar ancorar as expectativas de inflação no longo prazo – um risco apontado pelos votantes.
Além disso, a ata também reafirmou que os dirigentes esperam uma alta entre 0,5 ponto percentual e 0,75 pp no próximo encontro.
Após uma instabilidade inicial, os principais índices em Wall Street conseguiram encerrar o dia com ganhos na faixa de 0,30%.
E o petróleo?
Depois da forte queda vista no preço do barril de petróleo ontem, a commodity voltou a ser pressionada.
Com o temor de uma recessão que pode estar por vir, os investidores enxergam uma queda na demanda por energia, que, em consequência, faz com que os preços das commodities caiam.
A queda do Brent (referência de preço para a Petrobras) pode chegar a US$65 em caso de recessão global liderada pela desaceleração nos EUA, segundo analistas do Citibank.
Nesta quarta-feira, o barril do Brent recuou 2,02%, voltando ao patamar dos US$ 100. Apesar disso, a Petrobras (PETR4) teve perdas mais limitadas, repercutindo a melhora do humor dos investidores.
Dados do dia e a bolsa
Dois termômetros importantes da economia norte-americana foram divulgados nesta manhã. Primeiro, o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) recuou menos que o esperado, indicando que o Federal Reserve pode ter mais espaço para elevar os juros.
Depois, o relatório de emprego Jolts, considerado uma prévia do payroll, mostrou que a abertura de novos postos de trabalho caiu a 11,254 milhões em maio.
Os números foram recebidos de forma mista pelo mercado. No Brasil, os investidores seguem aguardando os indicadores dos próximos dias.
De olho na movimentação em torno da PEC dos Benefícios, o mercado de juros voltou a estender os ganhos e operou em forte alta. Confira:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | FEC |
| DI1F23 | DI jan/23 | 13,76% | 13,73% |
| DI1F25 | DI Jan/25 | 12,92% | 12,83% |
| DI1F26 | DI Jan/26 | 12,82% | 12,74% |
| DI1F27 | DI Jan/27 | 12,86% | 12,76% |
Sobe e desce do Ibovespa
Com o fôlego dos investidores renovado, muitos aproveitaram para buscar setores descontados da bolsa – com grande destaque aos de varejo e educação.
No início da tarde, papéis como VIIA3, AMER3, YDUQS3 e COGN3 dispararam e apresentaram altas da ordem de 10%. O principal destaque foram as ações da Via, que fecharam o dia com ganhos de 13%.
Outro destaque importante foi o desempenho das ações da Hypera Pharma (HYPE3). Segundo matéria do Pipeline, a companhia estaria negociando uma possível fusão com um de seus rivais — a Eurofarma e o grupo NC, dono da EMS, seriam os dois principais concorrentes nas tratativas. Procuradas pelo Seu Dinheiro ao longo do dia, as companhias negaram a notícia.
Confira as maiores altas do Ibovespa na sessão desta quarta-feira (06):
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| VIIA3 | Via ON | R$ 2,31 | 13,24% |
| AMER3 | Americanas S.A | R$ 15,38 | 11,77% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | R$ 13,80 | 9,44% |
| COGN3 | Cogna ON | R$ 2,26 | 9,18% |
| LWSA3 | Locaweb ON | R$ 6,59 | 7,86% |
Na ponta contrária, nem mesmo a queda do preço do barril de petróleo segurou as ações do setor aéreo. As empresas foram pressionadas pela forte elevação do dólar no mercado internacional. Na sequência, as petroleiras ampliaram as perdas com a fraqueza da commodity. Confira também as maiores quedas do Ibovespa:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
| AZUL4 | Azul PN | R$ 11,64 | -5,67% |
| RRRP3 | 3R Petroleum ON | R$ 31,70 | -5,60% |
| GOLL4 | Gol PN | R$ 8,32 | -4,81% |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 33,70 | -4,59% |
| GETT11 | Getnet units | R$ 4,33 | -1,81% |
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