Esquenta dos mercados: Ibovespa acompanha corrida eleitoral enquanto bolsas no exterior realizam lucro antes da reunião da Opep+
Os investidores aguardam os números de emprego nos Estados Unidos antes do payroll de sexta-feira

O fôlego demonstrado pelos mercados financeiros no início de outubro parece ter sido curto. Bolsas de todos os cantos do mundo registraram altas robustas nas duas primeiras sessões do mês. Foram momentos de alívio para os ativos de risco, principalmente nos Estados Unidos e na Europa.
Hoje, porém, os focos de tensão relegados a segundo plano nos últimos dias voltam a pesar sobre os mercados. Os principais índices de ações da Europa abriram em queda generalizada em reação aos números dos índices dos gerentes de compra (PMI, em inglês) da região.
A leitura entre os analistas é de que a Europa estaria cada vez mais perto da recessão.
Nos Estados Unidos, os investidores estão à espera de novos dados sobre o andamento da economia do país. Os analistas estão de olho principalmente no relatório de emprego no setor privado. Há uma percepção de que o número de novos postos de trabalho estaria perdendo força.
Mas a dúvida entre os profissionais do mercado financeiro está em como isso poderia eventualmente influenciar o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) a atenuar a intensidade do agressivo aperto monetário em andamento nos EUA.
Se os dados do payroll de sexta-feira (07) mostrarem a perda de força no mercado de trabalho norte-americano, o Fed pode ser obrigado a antecipar o fim do ciclo de juros, o que seria benéfico para as bolsas; do contrário, o cenário permanecerá desfavorável para os ativos de risco.
Leia Também
Ibovespa a 200 mil pontos? Gestor diz o que pode acontecer com seus investimentos se Lula ou Flávio vencerem
No último pregão antes das eleições, Ibovespa dispara, chega nos 192 mil pontos e sobe 2,63%
Por aqui, todo mundo está de olho nas primeiras pesquisas de intenção de voto do Datafolha e do Ipec com vistas ao segundo turno das eleições presidenciais.
Os resultados serão conhecidos somente depois do fechamento do mercado, mas elas chegam em meio a duros questionamentos quanto a tendências não captadas no primeiro turno, especialmente nas eleições estaduais em São Paulo e na Bahia.
Houve inclusive quem chegasse a sugerir a criminalização de erros dos institutos de pesquisa. De qualquer modo, é sempre bom lembrar, pesquisa não é eleição. O segundo turno, sim, é uma nova eleição.
Confira o que movimenta o dia das bolsas, do dólar e do Ibovespa:
Movidos os peões, é hora das próximas peças
E é na busca por votos que os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) se movimentam para construir alianças na disputa do segundo turno. Após a ressaca eleitoral de segunda-feira, alguns figurões da política começaram a anunciar seus apoios aos candidatos.
Cada um a seu modo, Lula e Bolsonaro parecem já ter traçado as estratégias por eles consideradas mais eficientes para vencer a corrida eleitoral.
Como isso afeta o Ibovespa
Após um primeiro turno surpreendentemente acirrado, o mercado espera que ambos os candidatos aliviem os discursos, migrando para um centro ideológico.
O Congresso mais conservador foi considerado uma vitória para os integrantes do mercado financeiro. Seja quem assumir, as contas públicas estarão sob a asa do guardião atento do Legislativo.
Resta saber agora quem conseguirá fazer os acenos que mais agradem ao mercado. Estamos falando de conhecidos defensores do teto de gastos e propostas de austeridade, que devem começar a anunciar seus apoios nos próximos dias.
Apoios ao PT
Lula sinaliza um movimento mais ao centro e até mesmo à centro-direita. Já tem garantido o apoio do PDT — e também de um contrariado Ciro Gomes.
Quem também deve oficializar o apoio ao petista nas próximas horas é Simone Tebet, que deve levar consigo uma grande parte do MDB.
Apoio inesperado
O Cidadania, que compôs com Tebet e tenta a construção de uma terceira via, também está com Lula.
Já a outra perna da terceira via, o PSDB, deixou seus membros livres para decidir depois de uma derrota nas urnas que coloca em risco a própria existência do partido.
Parte desses apoios foi para Lula, o que inclui quatro ex-presidentes da legenda. Tasso Jereissati entre eles.
Também chama a atenção o apoio declarado ao petista por Armínio Fraga, economista, sócio-fundador da Gávea Investimentos e presidente do Banco Central no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.
E se Lula caminha para o centro, Bolsonaro mantém seu arco de alianças bem à direita do espectro político.
Apoios ao PL
Voltando ao PSDB, o governador paulista Rodrigo Garcia declarou apoio “incondicional” a Bolsonaro e vai subir no palanque de Tarcísio de Freitas, que enfrentará o petista Fernando Haddad no segundo turno da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.
O presidente também tem garantidos os palanques dos governadores de dois dos maiores colégios eleitorais reeleitos em primeiro: Minas Gerais (Romeu Zema) e Cláudio Castro (Rio de Janeiro).
Bolsonaro também recebeu o apoio dos lavajatistas Sergio Moro e Deltan Dallagnol.
Os movimentos das bolsas lá fora
Enquanto as bolsas no exterior fazem um trabalho de detetive para encontrar pistas sobre o futuro dos juros, os números do dia devem auxiliar no desempenho dos índices.
O relatório ADP de empregos privados é uma das prévias do payroll, a folha de pagamentos dos EUA, que será divulgado nesta sexta-feira.
Os investidores ainda permanecem atentos à participação de Liz Truss, primeira-ministra do Reino Unido, no congresso do partido conservador. Vale relembrar que o plano de Truss para isentar impostos dos mais ricos derrubou a libra na divisa com o dólar nas últimas semanas.
A reunião mais quente do dia para as bolsas
Mas além de Truss, o mundo acompanha o encontro ministerial da Opep+.
Isso porque o plano do cartel é cortar a produção e reduzir a oferta do petróleo internacional, o que geraria um aumento dos preços internacionais do barril.
Esse cenário pode beneficiar a Rússia, um dos maiores exportadores da commodity do mundo. Além disso: os preços mais elevados da energia funcionam como um freio de mão na economia global.
Em outras palavras, a retomada econômica após a pior fase da pandemia de covid-19 também estaria ameaçada nesse cenário. A reunião não tem um horário específico para acontecer.
Bolsas hoje: agenda do dia
- S&P Global: Divulgação do PMI composto e de serviços da Alemanha, Zona do Euro e Reino Unido (a partir das 4h55)
- IBGE: Pesquisa industrial mensal (9h)
- Estados Unidos: Relatório ADP de empregos no setor privado (9h15)
- Estados Unidos: Departamento do Comércio divulga a balança comercial de agosto (9h30)
- Estados Unidos: FMI divulga relatório da Perspectiva Econômica Mundial (10h)
- S&P Global: PMI Composto e de serviços do Brasil (10h)
- Banco Central: Fluxo cambial em setembro (14h30)
- Reino Unido: Liz Truss, primeira-ministra do Reino Unido, discursa em evento do partido conservador (sem horário definido)
- Áustria: Reunião ministerial da Opep+ (sem horário específico)
BALANÇO DO MÊS
Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking
30 de setembro de 2026 - 19:16FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3
Ibovespa a 207 mil pontos? Especialista do Inter diz o que pode destravar a bolsa brasileira após as eleições
25 de setembro de 2026 - 16:40ALÉM DA BOLSA
Os fundos imobiliários cetipados vieram para ficar? Entenda por que eles estão em alta e o que você precisa saber antes de investir
25 de setembro de 2026 - 15:54SETOR DE AUTOPEÇAS
JP Morgan pisa no freio e rebaixa Frasle (FRAS3) para venda. Analistas preferem outras 3 ações que podem saltar até 69%
25 de setembro de 2026 - 13:18MAIS AQUISIÇÕES
TRXF11 enche o carrinho de novo e paga R$ 2,83 bilhões, mas FII cai na bolsa; veja o que entra no portfólio
24 de setembro de 2026 - 13:02O OUTRO LADO DA MOEDA
R$ 4,50 ou R$ 5,80? O gatilho que vai definir o preço do dólar depois das eleições
23 de setembro de 2026 - 18:33RADAR DE FIIS
Fundo imobiliário leva calote de inquilino em recuperação judicial; entenda o impacto no bolso dos cotistas
23 de setembro de 2026 - 13:01SD ENTREVISTA
Tubarões saem e varejo entra: sinal de alerta para os FIIs? LAREAL revela o que os institucionais estão vendo
23 de setembro de 2026 - 6:01AS MAIS SAUDÁVEIS
Dasa (DASA3) é compra para o UBS BB, mas banco revela outras 2 favoritas — uma delas para dividendos
22 de setembro de 2026 - 19:50EM DESACELERAÇÃO
FIIs de shoppings sob pressão: é hora de separar o joio do trigo — e o BTG Pactual já escolheu os ativos favoritos
21 de setembro de 2026 - 20:01EM ESPERA...
Nubank, BTG Pactual e Banco do Brasil: os gringos já escolheram onde investir, agora só falta o gatilho certo para apertar compra
21 de setembro de 2026 - 17:19DIRETO PELA B3
IA, Ibovespa e até farmacêuticas gringas: Itaú BBA diz como investir em 800 ações com retorno de 23% ao ano sem dor de cabeça
18 de setembro de 2026 - 19:20EM TOM DE CAUTELA
Lula turbina Bolsa Família em 15% e faz o Ibovespa perder 3 mil pontos. Por que o mercado torceu o nariz?
17 de setembro de 2026 - 13:00DEU RUIM