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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

DE OLHO NA BOLSA

Esquenta dos mercados: Dia de payroll mantém bolsas no vermelho, enquanto Ibovespa surfa onda da nova pesquisa Datafolha

Sem maiores indicadores para o dia ou agenda dos presidenciáveis, o Ibovespa fica à mercê do cenário exterior

Ricardo Gozzi
2 de setembro de 2022
7:44 - atualizado às 7:49
Mercado de trabalho bolsas aguardam payroll
Confira o que movimenta a bolsa, o dólar e o Ibovespa hoje. Imagem: Freepik

Os mercados financeiros internacionais ensaiam alguma recuperação no último pregão de uma semana que parece ter durado um mês. As bolsas de valores europeias abriram em alta e os índices futuros de Nova York tentam firmar-se em território positivo nas horas que antecedem o payroll de agosto.

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O payroll, como é conhecido o relatório mensal sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos, é uma das referências do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) para a condução de sua política monetária.

Diferentemente do que ocorre no Brasil, onde a única preocupação do Banco Central é a inflação, nos Estados Unidos, a autoridade monetária cumpre um duplo mandato: manter os preços sob controle com a máxima taxa possível de ocupação.

Desde a eclosão da pandemia, porém, a economia norte-americana desenvolveu um desequilíbrio que vem tirando o sono dos diretores do Fed.

No mercado de trabalho, a situação é de pleno emprego dos EUA. Já em relação aos preços, a inflação encontra-se atualmente nos níveis mais elevados em quase meio século.

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Diante da tenacidade do Fed em sua tentativa de domar o dragão da inflação, pode sobrar para quem trabalha. A sinalização é de que o banco central norte-americano estaria disposto a forçar a desaceleração da economia por meio da alta da taxa básica de juro.

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Os participantes do mercado, porém, temem que a postura rígida do Fed transforme a desaceleração econômica em recessão.

É por isso que os investidores estão de olho nos dados do payroll de agosto. Este será um dos indicadores levados em conta pelo Fed em sua próxima decisão de juro, prevista para o dia 21.

Por aqui, os participantes do mercado devem repercutir o resultado da mais recente edição do Datafolha. A pesquisa mostrou oscilação em queda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas dentro da margem de erro, estabilidade na situação de Jair Bolsonaro (PL) e alta nas intenções de voto em Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB).

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Na sessão da última quinta-feira (1º), o Ibovespa encerrou com ganhos de 0,81%, aos 110.405 pontos, começando o mês de setembro com o pé direito. O dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,71%, a R$ 5,2383.

Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa nesta sexta-feira:

Bolsas no exterior e um payroll para digerir

Tanto as bolsas na Ásia quanto os índices da Europa e os futuros de Nova York aguardam os dados do payroll de agosto. 

O relatório de empregos trará uma nova fotografia do momento de trabalho nos Estados Unidos após o movimento da “grande demissão" de 2021. Essa onda de abertura de novos postos de trabalho pegou os analistas no pé contrário, mas seus efeitos foram atenuados ao longo dos meses.

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De qualquer maneira, os analistas preveem mais um mês forte de contratação — o que pode pressionar o dia das bolsas. 

Emprego X bolsas

Segundo dados da Bloomberg, a expectativa é de criação de 300 mil novos postos de trabalho em agosto.

Os fortes dados de emprego devem corroborar com a tese de manutenção do juro alto nos EUA, o que mantém vantagem dos títulos de renda fixa norte-americanos sobre as bolsas. 

Assim, a taxa de desemprego deve permanecer em 3,5%. 

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Uma passada na Argentina

Também é prudente ficar de olho em potenciais repercussões do atentado frustrado contra a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner. A tentativa de assassinato foi perpetrada por um brasileiro.

O país vive uma grave crise econômica, com ausência de reservas em dólar e uma inflação que deve registrar alta de 90% neste ano. Jornais locais como o La Nación e Clarín, apesar das duras críticas contra o governo de Alberto Fernández, se solidarizaram com o ocorrido. 

Empresas em bolsa

De volta ao panorama doméstico, entre as empresas listadas no Ibovespa, os investidores devem repercutir hoje a assinatura do memorando de entendimento por meio do qual a PRIO, ex-PetroRio (PRIO3) pretende arrematar a Dommo Energia.

Em outras palavras, o que restou do império de Eike Batista deve passar em breve para as mãos de Nelson Tanure.

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Enquanto isso, o IRB Brasil anunciou na noite de ontem o resultado de uma emissão para levantar R$ 1,2 bilhão. A resseguradora concluiu a transação a R$ 1,00 por IRBR3, um desconto de quase 30% em relação ao fechamento de ontem (R$ 1,40).

Ibovespa de olho na produção industrial

Para completar o panorama doméstico do que deve movimentar a bolsa local, a produção industrial de julho deve reverter a tendência de queda de junho e subir 0,6% na mediana das projeções do Broadcast.

Na passagem interanual — em relação aos últimos 12 meses —, porém, a tendência é de manutenção da queda de 0,5% registrada no mês anterior. Por fim, no ano, a indústria deve cair 0,2%. 

Bolsa hoje: agenda do dia

  • IBGE: Pesquisa industrial mensal em julho (9h)
  • Estados Unidos: Payroll de agosto (9h30)

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