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O medo dos juros altos, inflação e atividade econômica mais fraca dominam os mercados hoje, antes da publicação dos dados do PIB dos EUA

O medo da recessão voltou a dominar as bolsas pelo mundo, com os investidores respirando o ar de cautela desde o final da última terça-feira (29). Os temores envolvendo inflação, juros e uma possível recessão dos Estados Unidos injetam ainda mais volatilidade nos mercados acionários internacionais.
O fechamento dos negócios na Ásia e Pacífico que o digam: depois de ampliar os ganhos da semana passada e sustentar alta com o alívio das restrições chinesas, as bolsas caíram junto com o fechamento de Wall Street ontem.
Na Europa, o panorama é parecido. Os investidores acompanham os EUA, mas também de olho no painel do Banco Central Europeu (BCE), que conta com nomes de peso como a presidente do BCE, Christine Lagarde, presidente do Fed, Jerome Powell, e o presidente do Bank of England (BoE), Andrew Bailey, no encontro desta quarta-feira.
Já no pré-mercado de Nova York, as bolsas recuam levemente antes da leitura final dos dados do PIB do 1º trimestre. Vale lembrar que na primeira apuração a expectativa era de alta, mas o indicador recuou na contramão das estimativas, o que gerou certo pânico nos mercados.
Enquanto o exterior vive sua própria dinâmica, o investidor brasileiro precisa lidar com problemas. A começar pela PEC dos Combustíveis, que deve ter seu relatório apresentado nesta quarta-feira e é o grande destaque dos negócios no Congresso Nacional.
O adiamento do relatório pressionou a curva de juros no final do pregão de ontem.
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Por falar na sessão anterior, o Ibovespa encerrou os negócios em queda de 0,17%, a 100.591 pontos. Por sua vez, o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,60%, a R$ 5,2660, e o mercado de juros, nas máximas.
Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa nesta quarta-feira (29):
A apresentação do relatório da PEC dos Combustíveis foi adiada duas vezes — da manhã para a tarde de ontem e novamente para hoje —, o que gerou ainda mais incertezas no mercado sobre sua possível aprovação.
Além do pacote para reduzir o preço dos combustíveis, energia elétrica e telecomunicações, com isenções fiscais e bolsa caminhoneiro, uma parte da proposta ainda busca o aumento de R$ 200 no Auxílio Brasil. Com isso, o benefício sai do patamar de R$ 400 e vai para R$ 600.
Nesta matéria nós explicamos os motivos que levaram o governo a um problema ainda maior com as contas públicas. O déficit fiscal deve ficar em torno de R$ 65 bilhões — mesmo com receitas extras na casa dos R$ 54 bilhões.
O medo principal dos analistas e investidores é o desrespeito às contas públicas. Boa parte dessas despesas ficarão fora do teto de gastos, mecanismo criado justamente para evitar o crescimento da dívida além da arrecadação.
A proposta conta com as bênçãos de Paulo Guedes, ministro da Economia, o que deixa o mercado ainda mais chocado. Os investidores precificam o descontrole das contas públicas nas taxas de juros futuros, que fecharam nas máximas ontem.
O DI para janeiro de 2024 subiu de 13,58% (na sessão que terminou às 16h) para 13,60% (na que se encerrou às 18h). O de janeiro de 2027 foi de 12,82% a 12,84%.
A combinação de juros altos correndo atrás do avanço da inflação forma o cenário perfeito para a palavra que tem sido motivo de desespero das bolsas: recessão.
Nesta quarta-feira, o mundo conhecerá os dados revisados do PIB do 1º trimestre dos Estados Unidos. A atividade econômica por lá deve cair cerca de 1,5% na passagem dos últimos três meses do ano passado para os três primeiros de 2022.
Fica também no radar o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) do trimestre, que deve avançar 7,0% na mesma passagem.
O presidente do Fed, Jerome Powell, continua com o discurso de que a economia dos EUA está forte o suficiente para aguentar a alta dos juros por lá. Em sua última decisão, o BC americano elevou os juros em 75 pontos-base, a maior desde 1994.
Os investidores e mercados acionários de modo geral aguardam as próximas falas de representantes do Fed munidos dos novos dados de atividade econômica e inflação.
Na próxima quinta-feira (30), serão publicados os dados do PCE mensal e anual, os mais importantes para balizar o futuro do aperto monetário. A expectativa gera cautela nas bolsas hoje.
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