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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

As disparadas da bolsa

Em ano de queda do Ibovespa, ações fora do radar chegaram a subir mais de 500% na bolsa

Das dez ações que mais se valorizaram em 2021, entre as 300 de maior volume negociado na bolsa, oito não integram o principal índice da bolsa brasileira, que caiu quase 12% no ano passado; quatro delas, porém, estão em recuperação judicial

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
4 de janeiro de 2022
17:40 - atualizado às 18:17
Foguete voando na frente da bolsa; Ibovespa em alta
Entre os "foguetes" da B3 em 2021, apenas duas ações pertenciam ao Ibovespa. - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

É natural que as empresas do Ibovespa chamem mais atenção dos investidores e da imprensa especializada. O principal índice da bolsa brasileira reúne as ações mais negociadas do mercado local, desde que elas não estejam em recuperação judicial e que os papéis não valham apenas centavos.

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Ou seja, é de se esperar que, de fato, as ações do Ibovespa sejam as maiores, mais importantes e possivelmente as mais saudáveis da B3. Mas a bolsa brasileira tem cerca de 400 empresas listadas, e sim, existe vida além do Ibovespa.

Um levantamento realizado pela MZ Consult com 300 empresas listadas brasileiras - as 288 de maior volume de negociação na B3 em 2021, além de 12 listadas nas bolsas americanas - mostrou que, das 10 ações que mais se valorizaram no ano passado, oito não eram do Ibovespa.

Quatro delas, é bom salientar, estão em recuperação judicial e, nessa situação, as ações ficam muito sujeitas a movimentos especulativos, tanto para cima quanto para baixo. É o caso da primeira colocada, a fabricante de fertilizantes Heringer (FHER3), que disparou quase 521% em 2021.

Mas na lista das 10 maiores altas da bolsa também aparecem as duas primeiras colocadas do Ibovespa - Embraer (EMBR3) e Braskem (BRKM5), das quais já falamos nesta matéria - uma postulante ao índice que caiu no gosto do investidor - a Positivo (POSI3) - e outras small caps que os investidores especializados nesse mercado gostam.

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Em que pese que o desempenho da Heringer foi completamente fora da curva, todas as demais ações no mínimo dobraram de preço na bolsa ao longo do ano passado. O menor desempenho do ranking foi uma alta de 99%, e o segundo maior, de 185%.

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Isso num ano em que o Ibovespa caiu 12%, e em que mais de 73% das 300 ações analisadas no estudo da MZ Consult tiveram desempenho negativo.

Veja o ranking completo das maiores altas da bolsa brasileira a seguir:

10 ações brasileiras que mais se valorizaram em 2021

ColocaçãoEmpresaCódigo da açãoDesempenho em 2021
1Fertilizantes HeringerFHER3520,6%
2IneparINEP4185,4%
3EmbraerEMBR3180,5%
4WetzelMWET4162,8%
5FerbasaFESA4155,5%
6BraskemBRKM5144,5%
7LupatechLUPA3119,8%
8Positivo TecnologiaPOSI3113,7%
9Unipar CarbocloroUNIP6101,7%
10TronoxCRPG599,0%
Fonte: MZ Consult

Empresa em RJ é uma montanha-russa

O investimento em empresas em recuperação judicial não é necessariamente um “mico”, pois pode haver uma perspectiva real de turnaround, ou seja, de uma saída da companhia da sua situação financeira complicada, seja por meio da entrada de um sócio com bala na agulha, pela venda de ativos e/ou pela renegociação de dívidas.

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Ainda não sabemos se a Fertilizantes Heringer vai realmente dar a volta por cima, mas não dá para negar que há um fundamento por trás da movimentação da ação em 2021, que também não tem volumes de negociação tão baixos assim.

A ação da companhia sofreu uma violenta volatilidade em 2021 pela esperança de que seria comprada por investidores estrangeiros. Depois de muito sobe e desce, a expectativa se concretizou, e com a perspectiva de a empresa passar por uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) interessante para os minoritários.

Gráfico de desempenho das ações da Heringer (FHER3) em 2021

Mesmo assim, o investimento em empresas em recuperação judicial está sujeito a muita especulação e é um dos mais arriscados que se pode fazer no mercado de ações.

Especialmente quando se trata de uma empresa de pequeno ou médio porte, com base acionária reduzida e baixos volumes negociados, que pode enfrentar problemas de liquidez.

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É o caso, por exemplo, da Inepar (INEP4), que atua no fornecimento de infraestrutura para os setores de energia, mineração, siderurgia, entre outros, e da metalúrgica Wetzel (MWET4), ambas com baixos volumes de negociação.

A ação da Inepar parece ter respondido, ao longo do ano, a avanços da companhia em ações judiciais que acabaram lhe beneficiando; já os papéis da Wetzel, de liquidez bem menor, tiveram uma série de movimentações atípicas, aparentemente sem muita explicação.

A quarta companhia encrencada do top 10 é a Lupatech (LUPA3), fornecedora de peças para o setor de óleo e gás e com ação mais líquida que as duas anteriores. A grande porrada para cima das suas ações se deu em março, quando a companhia divulgou resultados surpreendentes referentes ao quarto trimestre de 2020.

A ação também se beneficiou de reajustes de preços e novos contratos fechados com a Petrobras, bem como o recebimento de recursos em razão de resultado favorável à companhia na Câmara de Arbitragem do Mercado.

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Positivo: novata no Ibovespa

As ações da Positivo Tecnologia (POSI3) estão entre aquelas de fora do Ibovespa que caíram no gosto do mercado e dispararam em 2021 - tanto que, desde o primeiro pregão de 2022, elas passaram a integrar a carteira teórica do índice.

A fabricante de produtos eletrônicos e computadores teve seus resultados impulsionados pela venda de notebooks para o home office pandêmico e de urnas eletrônicas para o poder público.

Ferbasa, Tronox e Unipar: demanda alta por seus produtos

Já a Ferbasa (FESA4), a Tronox (CRPG5) e a Unipar (UNIP6) são small caps (empresas de baixo valor de mercado) apreciadas pelos investidores especializados em “ações fora do radar”. As três ações conseguiram ser resilientes em 2020 e viram uma valorização contínua em 2021.

No caso de Ferbasa e Tronox, a grande demanda por seus produtos - que levou a uma alta dos preços - e a valorização do dólar ante o real beneficiaram os resultados das companhias, que são exportadoras com grande exposição ao mercado externo.

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Em outras palavras, foram empresas que ganharam com os fatores que impulsionaram a inflação no mundo e com a depreciação cambial no Brasil.

A Tronox, antiga Cristal Pigmentos, é a única produtora de dióxido de titânio da América do Sul. A substância é utilizada em tintas plásticas e outros materiais, sendo amplamente exportada.

A demanda pelo produto explodiu desde o início da pandemia, tanto no Brasil, com a forte demanda por materiais de construção, como no exterior, sendo a China a principal compradora.

Já Ferbasa é uma mineradora e metalúrgica que produz ferroligas e minério de cromo. Em 2021, o mercado mundial de ferroligas sofreu uma escassez em razão da elevação dos impostos de exportação desse tipo de produto pela China, o que impulsionou os preços.

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Além disso, a companhia é apreciada pelos investidores que miram ganhos com dividendos, por ser uma boa pagadora de proventos.

Outra boa pagadora de dividendos é justamente a Unipar Carbocloro, que também viu um aumento da demanda pelos seus produtos em 2021. Produtora de cloro, soda e PVC, a companhia se beneficiou do crescimento na procura por materiais de construção e pela aprovação do marco do saneamento, o que deve aumentar a demanda por cloro.

Também houve expectativa em torno de uma possível fusão ou venda da empresa, depois que sua controladora, a Vila Velha Administração e Participações, disse estar analisando oportunidades de mercado desse tipo.

Metodologia

O levantamento da MZ Consult considerou apenas um ticker por companhia, além dos valores do IPO para as empresas que iniciaram suas negociações em 2021, assim como ajustes de desdobramentos e fechamento de primeiro dia de negociação de empresas decorrentes de fusão e/ou cisão.

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As informações foram disponibilizadas pelo fornecedor de dados FactSet, e a coleta foi realizada no dia 3 de janeiro de 2022.

Veja Também - Ações dos EUA ou do Brasil? Descubra qual é a estratégia mais promissora para quem quer ter chances de lucrar em 2022

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