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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

COMBO ESPECIAL

Um novo rei no Burger King (BKBR3)? Mubadala oferece um prêmio suculento pelo controle das operações no Brasil — e as ações disparam 18%

O Mubadala quer comprar 45% das ações do Burger King Brasil (BKBR3) numa OPA, oferecendo um preço 21% maior que o fechamento de sexta

Victor Aguiar
Victor Aguiar
1 de agosto de 2022
10:03 - atualizado às 17:39
Placa com o logotipo do Burger King (BKBR3)
Imagem: Shutterstock

O mês de agosto começou com uma notícia quentinha para os acionistas do Burger King Brasil (BKBR3) — digamos que a novidade acabou de sair da grelha. O Mubadala, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, vai lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) para comprar 45,15% das ações da companhia, ao preço de R$ 7,55 por papel.

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Para quem detém ações BKBR3, o valor anunciado pode soar como um molho especial para a carteira: os papéis do Burger King fecharam o pregão da última sexta-feira (29) cotados a R$ 6,22. Portanto, falamos de um prêmio de 21,4% em relação ao valor de tela.

E, para o Mubadala, a oferta serve para, digamos, completar o combo com refrigerante e fritas: os investidores de Abu Dhabi já são donos de 4,95% das operações brasileiras do BK; caso a OPA seja bem-sucedida, eles chegarão a uma fatia de 50,10% — e, portanto, serão os novos controladores da companhia.

Vale lembrar que o Burger King Brasil tem passado por mudanças bastante profundas nos últimos meses: Ariel Grunkraut foi anunciado como novo presidente da companhia em maio; ele substituirá Iuri Miranda, que estava no comando desde o IPO da empresa, em 2017.

Além disso, a holding que controla o negócio foi rebatizada como ZAMP S.A. — basicamente, é o nome oficial da máster franqueadora dos restaurantes Burger King e Popeyes no Brasil. Pois, se os planos da Mubadala derem certo, a ZAMP será mais uma joia na coroa do fundo dos Emirados Árabes.

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Mubadala + Burger King (BKBR3): um Whopper completo ou um hambúrguer requentado?

Como era de se imaginar, a OPA proposta pelo Mubadala trouxe filas enormes ao Burger King — ao menos, na bolsa: os papéis BKBR3 abriram o dia em forte alta de 16%, a R$ 7,22, ajustando-se ao preço da oferta. E encerraram a sessão com ganho maior ainda: 18,81%, a R$ 7,39.

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E olha que as ações do BK Brasil já acumulavam alta de pouco mais de 7% desde o começo do ano, destoando do clima mais cauteloso visto no mercado de ações como um todo. Com os ganhos desta segunda-feira, BKBR3 agora avança quase 25% do começo de 2022 para cá.

Esses números, no entanto, escondem uma realidade mais dura para o Burger King Brasil: no longo prazo, seu desempenho em bolsa é bastante negativo — os papéis renovaram as mínimas históricas no começo do ano. Ou seja: em meio à forte desvalorização, o Mubadala pode ter identificado uma boa oportunidade de compra.

Basta lembrar, por exemplo, que as ações BKBR3 foram precificadas a R$ 18,00 no IPO, chegando a superar os R$ 23,00 em 2019. Aliás, o preço da OPA, a R$ 7,55, é inferior até mesmo às cotações vistas em março de 2020, no pior momento da pandemia.

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Ou seja: mesmo com os shoppings e comércios abertos novamente — e, portanto, com as operações do Burger King voltando ao normal —, a empresa hoje vale menos que no auge da crise do Covid-19; e isso sem contar os avanços para digitalização das vendas e outras iniciativas para otimização de custos.

Gráfico de linha mostrando o comportamento das ações do Burger King (BKBR3) desde o IPO, em 2017. Fonte: B3

Os detalhes da OPA

Indo para a parte financeira do negócio: o Mubadala quer comprar pouco mais de 124 milhões de ações do Burger King Brasil (BKBR3), ao preço de R$ 7,55 por papel — a operação, portanto envolve quase R$ 1 bilhão. Uma cifra elevada, mas que, para o fundo de Abu Dhabi, é quase o dinheiro de uma casquinha de creme.

Isso porque o Mubadala tem quase US$ 300 bilhões em ativos sob gestão no mundo; somente no Brasil, em que está presente desde 2014, o fundo já fez investimentos de aproximadamente US$ 5 bilhões. Portanto, o pedaço da coroa do BK Brasil não é exatamente um corte nobre dos aportes no país.

Dito isso, a bola agora está com o conselho de administração do Burger King — o colegiado está estudando os termos da OPA e irá se manifestar em até 15 dias com um parecer sobre a oferta. O prêmio de 21% embutido na oferta parece interessante, mas não é garantia de que a operação receberá sinal verde.

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Veja, por exemplo, as avaliações dos grandes bancos e corretoras: segundo dados compilados pelo TradeMap, as ações BKBR3 são acompanhadas por 11 casas, tendo 10 recomendações de compra e uma neutra. O preço-alvo médio para os papéis é de R$ 10,95; mesmo a instituição mais pessimista tem um preço-alvo superior ao da OPA, precificando os ativos a R$ 9,00.

Portanto, é possível que vejamos novos capítulos nessa história — e uma eventual pressão para que o Mubadala aumente o valor da OPA.

Burger King Brasil (BKBR3): detalhes da rede

O Burger King Brasil (BKBR3) fechou o primeiro trimestre de 2022 com prejuízo líquido de R$ 36,4 milhões, cifra 80% menor que as perdas de R$ R$ 162,4 milhões contabilizadas no mesmo período do ano passado; a receita líquida cresceu 42% na mesma base de comparação, para R$ 801,2 milhões.

Por mais que a empresa siga no vermelho, há uma tendência de recuperação operacional em andamento, o que é evidenciado pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização): a linha ficou positiva em R$ 101 milhões nos três primeiros meses de 2022; há um ano, estava negativa em R$ 31,8 milhões.

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Ao todo, a companhia contava com 947 restaurantes no Brasil ao fim de março, sendo 894 unidades do Burger King e 53 do Popeyes; as lojas nos shopping centers representam cerca de 70% do total, com restaurantes de rua ficando com os outros 30%.

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