Aversão a risco generalizada derruba Ibovespa e bolsas pelo mundo; investidor está atento a conflito na Ucrânia e reunião do Fed
Dia é bastante negativo em Wall Street e especialmente na Europa, com iminência de invasão da Rússia à Ucrânia e reunião do Fed na quarta-feira

A semana começa marcada por forte aversão a risco no exterior, com as bolsas europeias e americanas operando em forte queda nesta segunda-feira (24).
Os investidores permanecem na expectativa da próxima reunião do Federal Reserve, o banco central americano, marcada para a próxima quarta-feira (26). Em adição a isso, se mantêm em estado de alerta em relação à escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia, que podem vir a culminar numa guerra.
A Rússia é um dos principais produtores de petróleo do mundo e produz cerca de 35% do gás natural consumido pelos países europeus; um conflito entre os dois países, portanto, pode vir a afetar ainda mais os preços das commodities, contaminando os mercados e a economia como um todo.
Mas, por enquanto, os preços do petróleo recuam cerca de 3% com a aversão a risco generalizada no mundo.
Para completar o cenário, dados econômicos dos Estados Unidos e da Europa, divulgados pela manhã, indicaram desaceleração da atividade.
Há pouco o Dow Jones reduzia a queda para 2,04%, o S&P 500 recuava 2,41%, e o Nasdaq caía 2,54%. Já o índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne as principais empresas do continente, fechou com recuo de 3,81%, depois de ter chegado a cair mais de 4% hoje.
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Neste ambiente, o Ibovespa recuava 1,64% perto das 15h30, aos 107.160 pontos.
A cautela generalizada leva os investidores globais a se arvorarem em ativos considerados seguros, como os títulos do Tesouro americano, o dólar e o ouro. O índice de volatilidade VIX, apelidado de "índice do medo", disparava mais de 20% pela manhã, ao maior patamar em um ano.
Com isso, o dólar à vista avança 0,85% ante o real, a R$ 5,5017. Já a procura pelos Treasuries, os títulos públicos americanos, leva seus preços a subirem e, por consequência, reduz suas taxas.
Assim, os juros futuros também recuam por aqui, mesmo com a alta do dólar e o aumento do risco fiscal, com a aprovação do Orçamento de 2022 e a possibilidade de aprovação de uma proposta para reduzir, na canetada, os preços dos combustíveis, diminuindo a arrecadação do governo.
Veja o desempenho dos principais vencimentos de DI futuro nesta segunda:
- Janeiro/23: queda de 0,55%, para 11,82%;
- Janeiro/25: queda de 0,72%, para 11,09%;
- Janeiro/27: queda de 0,97%, para 11,195%.
Tensões na Ucrânia
Integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) já elevaram o tom para uma investida em caso de invasão da Rússia à Ucrânia.
A organização anunciou hoje que está deslocando mais navios e jatos de combate para o Leste Europeu. Já a União Europeia anunciou 1,2 bilhão de euros em ajuda financeira aos ucranianos.
A Ucrânia tinha pretensões de entrar na Otan e, como membro, uma invasão ao seu território exigiria uma reação imediata da organização.
A fronteira do país já tem cerca de 100 mil soldados russos com equipamentos bélicos, mas sem a intenção de invasão, de acordo com o Kremlin.
Os Estados Unidos e o Reino Unido recomendaram aos funcionários de suas embaixadas em Kiev, capital ucraniana, deixem o país com suas famílias. Os EUA também estenderam a recomendação aos cidadãos americanos em geral que se encontram no país. Nenhum dos dois governos, porém, admite alguma ameaça específica contra os cidadãos de seus países.
Federal Reserve
Nesta quarta-feira (26), o Federal Reserve, o Banco Central americano, decide os próximos passos da sua política monetária. A expectativa dos mercados é de que o Fed mantenha os juros inalterados, sinalize a primeira alta das taxas para a reunião de março e indique a próxima etapa do tapering, o processo de retirada de estímulos da economia.
O temor é de que venha por aí alguma surpresa, no sentido de que a alta de juros ou a retirada de estímulos possam ser mais intensas ou mais rápidas do que o atualmente esperado.
De acordo com as projeções de especialistas ouvidos pelo Yahoo! Finance, o Fed deve elevar os juros mais duas ou três vezes ainda neste ano, fazendo a taxa atingir o 1% até o final de 2022.
Mas de acordo com um relatório do Goldman Sachs, para que o BC americano consiga controlar a inflação, os juros devem subir até cinco vezes ainda neste ano.
PMIs em desaceleração
Pela manhã foram divulgados os Índices de Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês) compostos de Estados Unidos, Reino Unido e zona do euro.
Nos EUA, o indicador caiu de 57 em dezembro para 50,8 em janeiro, ainda indicando expansão da atividade (índice maior que 50), mas em desaceleração em relação ao mês anterior.
No Reino Unido e na zona do euro, os PMIs compostos caíram a 53,4 e 52,4 em janeiro, respectivamente, menores níveis em 11 meses.
Orçamento 2022
A peça orçamentária, sancionada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, deve gerar reações do mercado nos próximos dias. A proposta destina cifras bilionárias para o parlamento, em detrimento de outras áreas sociais.
Confira os principais pontos:
- Fundo eleitoral: R$ 4,9 bilhões;
- Emendas do relator (RP-9): R$ 16 bilhões;
- Reajuste de servidores (RP-8): R$ 1,7 bilhão.
Vale lembrar que os recursos para reajustar os salários de servidores públicos federais não está carimbado para nenhuma categoria específica, mas o presidente já se comprometeu a destiná-los às forças policiais, o que motivou protestos de outras categorias neste início de ano.
PEC dos Combustíveis
Como se não bastasse, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reduzir o preço dos combustíveis permanece no radar.
De acordo com um relatório da XP, o governo central pode perder até R$ 240 bilhões com a aprovação da chamada PEC dos Combustíveis — e o impacto no preço da gasolina será de apenas R$ 0,20, no melhor dos cenários.
A proposta busca tirar os impostos federais PIS/Cofins do preço dos combustíveis, além de estender a isenção fiscal à energia elétrica.
Contudo, a medida parece ter caráter eleitoreiro e não respeita a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que exige compensação para qualquer renúncia tributária.
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