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2021-03-10T18:34:09-03:00
Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.
paz e amor voltou?

Lula volta ao jogo político criticando Bolsonaro e o ‘deus mercado’, mas buscando pontes com empresários

Ex-presidente, que teve acusações na Lava-Jato anuladas, defende a presença do estado na economia e se mostra aberto ao diálogo com outros políticos

10 de março de 2021
14:52 - atualizado às 18:34
Lula
Imagem: Shutterstock

Lula está de volta ao jogo político. Após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, anular as condenações na Operação Lava Jato, o petista concedeu uma entrevista coletiva (precedida de um discurso de quase 1h30) em que se colocou como contraponto a Jair Bolsonaro e a sua política econômica, criticou o ex-juiz Sergio Moro e procurou mais uma vez mostrar a faceta “paz e amor” que imprimiu em sua primeira eleição, em 2002.

O ex-presidente centrou seus ataques a Bolsonaro em duas frentes: o combate à pandemia e a política econômica.

“A economia está mal e a covid está tomando conta desse país”, disse. “Esse país não tem governo, esse país não cuida da economia, não cuida do emprego, não cuida do salário, não cuida do meio ambiente, não cuida da educação, não cuida do jovem, não cuida da menina da periferia.”

Afirmando que o país está totalmente “desordenado e desagregado”, Lula chegou a dizer que a população não deveria seguir “nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde” a respeito da pandemia, instando a população a tomar vacina.

“Tivemos mortes que muitas delas poderiam ter sido evitadas se tivesse um governo que tivesse feito o elementar”, disse o ex-presidente, citando a necessidade de criação de um comitê de crise para lidar com a situação.

Sobre a política econômica praticada atualmente, Lula afirmou que o governo está mais interessado em atender aos desejos do “deus mercado” do que promover o crescimento econômico e a inclusão social. “Já viu Guedes falar uma palavra de crescimento econômico, desenvolvimento”, questionou.

Neste sentido, criticou o programa de privatizações do governo federal, citando a venda da participação da Petrobras (PETR4) na BR Distribuidora (BRDT3), que foi repassada “sabe se lá para quem”, além de uma suposta subserviência do atual governo e de muita gente do setor privado ao setor externo.

“Não descobrimos o pré-sal para exportar petróleo cru, descobrimos para exportar derivados, para termos uma indústria petroquímica poderosa”, afirmou. “Estamos nos desfazendo de tecnologia do pré-sal em nome do deus mercado e do petróleo.”

Lula defendeu que o Estado precisa investir na economia, de modo a criar demanda e fazer a economia girar novamente. “A única forma de diminuir dívida é gastar com o que é necessário. Tem que colocar dinheiro. O que vai fazer dívida diminuir é o crescimento econômico, é o investimento público”, disse. “Se o estado não investe, por que empresário haveria de investir?”

E ainda criticou a política de paridade de preços praticada pela Petrobras, afirmando que o Brasil não é importador de combustível, então não faz sentido os preços flutuarem de acordo com as cotações internacionais.

“Vítima da maior mentira jurídica já contada”

Como era de se esperar, Lula também atacou Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, afirmando que eles se articularam para evitar que ele pudesse voltar à Presidência.

“Fui vítima da maior mentira jurídica já contada em 500 anos de História desse país”, afirmou. “Marisa (Letícia, sua ex-esposa) morreu por conta da pressão que fizeram sobre mim.”

Segundo ele, Moro e os procuradores queriam “criar um partido político” com a Lava Jato e chamou o grupo de quadrilha, apesar de dizer que não tem mais mágoas, embora exija que Moro seja condenado por suspeição, argumentando que o ex-juiz foi parcial em suas decisões.

“Se tem um brasileiro que tem direito de ter muitas e profundas mágoas, sou eu. Mas eu não tenho, porque o sofrimento que o povo brasileiro está passando, que as pessoas pobres estão passando é maior, maior que a dor que sentia quando estava preso na Polícia Federal”, disse.

“Não tenham medo de mim”

Além de críticas, o discurso foi marcado por falas apaziguadoras, com Lula buscando abrir canais de diálogos com partidos que não são de esquerda e com os empresários, em busca de soluções para a pandemia e o crescimento da economia.

“Não tenham medo de mim. Sou radical porque quero ir à raiz dos problemas desse país”, afirmou.

O ex-presidente citou a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como “Conselhão”, que reunia representantes da sociedade civil, com um grande número de empresários, para ouvir reivindicações do lado da economia. Neste sentido, ele novamente voltou a criticar Bolsonaro, dizendo que ele só ouve o “Louro da Havan”, em referência ao dono da varejista Havan, Luciano Hang.

“Preciso conversar com os empresários”, disse. “Precisamos garantir que o povo tenha emprego, tenha renda. Ou será que vamos ficar refém do deus mercado, que quer ganhar dinheiro não importa como? O Estado, que eles repudiam e destroem, quando eles quebram é o Estado que bota dinheiro.”

Ele também elogiou o agronegócio, afirmando que o setor é muito importante para a economia e registrou um avanço importante em termos de tecnologia, mas disse que “o Brasil quer ser um país industrializado”.

Lula também se mostrou disposto a falar de uma frente ampla, mas sem sentido eleitoral, buscando encontrar consenso entre diferentes atores políticos sobre os principais problemas do país no momento.

E sobre eleição, ele disse que será algo para ser visto mais para frente, mas fez questão de apresentar suas credenciais democráticas e como alguém aberto ao diálogo, citando o fato de ter tido como vice-presidente um empresário e político do PL, José Alencar.

“Foi a primeira vez nesse país que fizemos aliança entre capital e o trabalho”, disse. “Sinceramente, sem falsa modéstia, foi o momento mais promissor da história democrática desse país.”

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