Lula volta ao jogo político criticando Bolsonaro e o ‘deus mercado’, mas buscando pontes com empresários
Ex-presidente, que teve acusações na Lava-Jato anuladas, defende a presença do estado na economia e se mostra aberto ao diálogo com outros políticos

Lula está de volta ao jogo político. Após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, anular as condenações na Operação Lava Jato, o petista concedeu uma entrevista coletiva (precedida de um discurso de quase 1h30) em que se colocou como contraponto a Jair Bolsonaro e a sua política econômica, criticou o ex-juiz Sergio Moro e procurou mais uma vez mostrar a faceta “paz e amor” que imprimiu em sua primeira eleição, em 2002.
O ex-presidente centrou seus ataques a Bolsonaro em duas frentes: o combate à pandemia e a política econômica.
“A economia está mal e a covid está tomando conta desse país”, disse. “Esse país não tem governo, esse país não cuida da economia, não cuida do emprego, não cuida do salário, não cuida do meio ambiente, não cuida da educação, não cuida do jovem, não cuida da menina da periferia.”
Afirmando que o país está totalmente “desordenado e desagregado”, Lula chegou a dizer que a população não deveria seguir “nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde” a respeito da pandemia, instando a população a tomar vacina.
“Tivemos mortes que muitas delas poderiam ter sido evitadas se tivesse um governo que tivesse feito o elementar”, disse o ex-presidente, citando a necessidade de criação de um comitê de crise para lidar com a situação.
[captacao]
Leia Também
Sobre a política econômica praticada atualmente, Lula afirmou que o governo está mais interessado em atender aos desejos do “deus mercado” do que promover o crescimento econômico e a inclusão social. “Já viu Guedes falar uma palavra de crescimento econômico, desenvolvimento”, questionou.
Neste sentido, criticou o programa de privatizações do governo federal, citando a venda da participação da Petrobras (PETR4) na BR Distribuidora (BRDT3), que foi repassada “sabe se lá para quem”, além de uma suposta subserviência do atual governo e de muita gente do setor privado ao setor externo.
“Não descobrimos o pré-sal para exportar petróleo cru, descobrimos para exportar derivados, para termos uma indústria petroquímica poderosa”, afirmou. “Estamos nos desfazendo de tecnologia do pré-sal em nome do deus mercado e do petróleo.”
Lula defendeu que o Estado precisa investir na economia, de modo a criar demanda e fazer a economia girar novamente. “A única forma de diminuir dívida é gastar com o que é necessário. Tem que colocar dinheiro. O que vai fazer dívida diminuir é o crescimento econômico, é o investimento público”, disse. “Se o estado não investe, por que empresário haveria de investir?”
E ainda criticou a política de paridade de preços praticada pela Petrobras, afirmando que o Brasil não é importador de combustível, então não faz sentido os preços flutuarem de acordo com as cotações internacionais.
“Vítima da maior mentira jurídica já contada”
Como era de se esperar, Lula também atacou Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, afirmando que eles se articularam para evitar que ele pudesse voltar à Presidência.
“Fui vítima da maior mentira jurídica já contada em 500 anos de História desse país”, afirmou. “Marisa (Letícia, sua ex-esposa) morreu por conta da pressão que fizeram sobre mim.”
Segundo ele, Moro e os procuradores queriam “criar um partido político” com a Lava Jato e chamou o grupo de quadrilha, apesar de dizer que não tem mais mágoas, embora exija que Moro seja condenado por suspeição, argumentando que o ex-juiz foi parcial em suas decisões.
“Se tem um brasileiro que tem direito de ter muitas e profundas mágoas, sou eu. Mas eu não tenho, porque o sofrimento que o povo brasileiro está passando, que as pessoas pobres estão passando é maior, maior que a dor que sentia quando estava preso na Polícia Federal”, disse.
“Não tenham medo de mim”
Além de críticas, o discurso foi marcado por falas apaziguadoras, com Lula buscando abrir canais de diálogos com partidos que não são de esquerda e com os empresários, em busca de soluções para a pandemia e o crescimento da economia.
“Não tenham medo de mim. Sou radical porque quero ir à raiz dos problemas desse país”, afirmou.
O ex-presidente citou a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como “Conselhão”, que reunia representantes da sociedade civil, com um grande número de empresários, para ouvir reivindicações do lado da economia. Neste sentido, ele novamente voltou a criticar Bolsonaro, dizendo que ele só ouve o “Louro da Havan”, em referência ao dono da varejista Havan, Luciano Hang.
“Preciso conversar com os empresários”, disse. “Precisamos garantir que o povo tenha emprego, tenha renda. Ou será que vamos ficar refém do deus mercado, que quer ganhar dinheiro não importa como? O Estado, que eles repudiam e destroem, quando eles quebram é o Estado que bota dinheiro.”
Ele também elogiou o agronegócio, afirmando que o setor é muito importante para a economia e registrou um avanço importante em termos de tecnologia, mas disse que “o Brasil quer ser um país industrializado”.
Lula também se mostrou disposto a falar de uma frente ampla, mas sem sentido eleitoral, buscando encontrar consenso entre diferentes atores políticos sobre os principais problemas do país no momento.
E sobre eleição, ele disse que será algo para ser visto mais para frente, mas fez questão de apresentar suas credenciais democráticas e como alguém aberto ao diálogo, citando o fato de ter tido como vice-presidente um empresário e político do PL, José Alencar.
“Foi a primeira vez nesse país que fizemos aliança entre capital e o trabalho”, disse. “Sinceramente, sem falsa modéstia, foi o momento mais promissor da história democrática desse país.”
JUROS EM DEBATE
Selic parada: por que Alberto Ramos, do Goldman Sachs, só vê novos cortes de juros em 2028
5 de novembro de 2026 - 14:40Conteúdo Empiricus
América Latina perde ritmo em M&As, mas o Brasil movimenta 62% do capital desse mercado. Sua empresa está pronta para as próximas oportunidades?
5 de novembro de 2026 - 14:00VEJA DETALHES
Lucro menor, margens sob pressão e risco de inadimplência: por que a Tenda (TEND3) lidera as quedas do Ibovespa após o balanço do 3T26?
5 de novembro de 2026 - 12:15CTRL+A
Loterias, cigarros, bebidas, carros e mais: confira as alíquotas do ‘Imposto do Pecado’ e veja quando elas começam a valer
5 de novembro de 2026 - 11:24DADOS VAZADOS
FGC sob ataque: instituição reporta incidente de segurança e vazamento de dados
5 de novembro de 2026 - 11:08OPERAÇÃO REMOTA
Aposta feita pela internet fatura sozinha prêmio de quase R$ 12 milhões na Quina; Mega-Sena, Lotofácil e outras loterias acumulam
5 de novembro de 2026 - 5:56POLÍTICA MONETÁRIA
Copom segura Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes iniciado há cinco reuniões
4 de novembro de 2026 - 18:48CALMA MERCADO
Chegou a hora: Lula fará pronunciamento neste domingo para anunciar medidas de ajuste fiscal
4 de novembro de 2026 - 17:43FREIO NOS CORTES
Há uma pedra no caminho da Selic — e o próximo corte de juros pode depender de Lula
4 de novembro de 2026 - 6:43SAIU DO ATOLEIRO
Lotofácil 3820 tem 41 ganhadores, mas só um deles vai sacar prêmio milionário; Mega-Sena promete R$ 46 milhões hoje, mas tem loteria pagando mais
4 de novembro de 2026 - 5:56NOVA ECONOMIA?
Análise: o que o ‘acusador’ André Lara Resende colocou em debate e vale mais do que a proposta em si
3 de novembro de 2026 - 14:33INSTABILIDADE
Banco do Brasil enfrenta instabilidade em aplicativos e clientes relatam dificuldades em usar Pix
3 de novembro de 2026 - 12:30NOVIDADES NO RADAR
Caixa abre apostas para a Mega da Virada 2026 com prêmio bilionário e mudança na data e no horário do sorteio
3 de novembro de 2026 - 9:42RESSACA ELEITORAL
Menos cortes nos juros, mais inflação: Focus muda de cara às vésperas do Copom
3 de novembro de 2026 - 9:10Conteúdo Empiricus
Pote de ouro? Esse setor pode ser a chave para proteger sistemas de ataques de IA; ativos ligados a ele podem se valorizar até 42 vezes, segundo analistas
3 de novembro de 2026 - 9:00POLÍTICA ECONÔMICA
Por que o possível encontro de Lula com um dos pais do Plano Real deixou o mercado financeiro em alerta
2 de novembro de 2026 - 13:58MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294