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VAI TER CALOTE?

Uma catástrofe à vista? Por que o presidente do JP Morgan está preocupado com o teto da dívida dos EUA

Para além do ‘fechamento do governo’, com a suspensão dos serviços públicos, o teto da dívida pode levar a um calote da dívida pública norte-americana

James Dimon, CEO do JP Morgan
James Dimon, CEO do JP Morgan - Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons

O multitrilionário teto de endividamento dos Estados Unidos foi durante muito tempo uma abstração.

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Depois da crise financeira de 2008, entretanto, volta e meia o teto da dívida dos EUA retorna ao noticiário, com republicanos e democratas se alternando na tentativa de tirar proveito das estreitas margens de maioria no Congresso para constranger o governo do partido rival.

Como o teto da dívida só pode ser suspenso com a autorização do Congresso, a situação transforma o presidente de turno em uma espécie de refém da oposição. Os republicanos usaram o teto da dívida contra Barack Obama. Os democratas deram o troco quando o presidente era Donald Trump. Agora o refém é Joe Biden.

Catástrofe e politicagem

Depois de o Partido Republicano, mesmo em minoria, ter obstruído a suspensão do teto da dívida no Senado, a ausência de acordo sobre o tema a poucos dias do encerramento do ano-fiscal norte-americano levou o presidente do JP Morgan Chase a qualificar os riscos envolvidos como “potencialmente catastróficos”.

Numa entrevista à agência de notícias Reuters, Jamie Dimon admitiu que o JP Morgan já começou a se preparar para a possibilidade de os EUA atingirem o teto da dívida, atualmente estipulado em US$ 28,4 trilhões, e ficarem sem dinheiro para o financiamento de suas operações. “É a terceira vez que temos que fazer isso. Trata-se de um evento potencialmente catastrófico”, disse ele.

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“Toda vez que isso acontece acaba aparecendo uma solução na última hora, mas nunca deveríamos chegar tão perto. Eu só acho que tudo isso está errado e um dia deveríamos simplesmente ter uma lei com apoio bipartidário para acabar com o teto da dívida. É tudo politicagem!”

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O mais provável é que Dimon tenha razão. Originalmente implementado com a intenção de impor disciplina fiscal aos deputados e senadores norte-americanos, o teto de endividamento já precisou ser elevado 98 vezes desde o fim da Segunda Guerra Mundial até hoje - uma vez a cada pouco mais de dez meses -, na maioria delas sem alarde.

Em anos recentes, a politização do teto de gastos levou à paralisação do governo em 2011, sob Obama, e 2017, sob Trump. Em nenhum dos casos, entretanto, chegou a haver calote na rolagem da dívida norte-americana.

De acordo com Dimon, o JPMorgan Chase, maior credor privado dos EUA, já tenta projetar como um potencial default de crédito dos EUA afetaria os mercados de recompra de títulos, a oferta de dinheiro, os contratos dos clientes, os índices de capital do banco e a reação das agências de classificação de risco de crédito.

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O 1º default da história dos EUA?

Ontem, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, disse que os recursos do governo para o cumprimento de suas obrigações provavelmente se esgotarão até 18 de outubro e advertiu para o risco real de um calote.

"Sem a elevação do teto, os EUA terão limitação de recursos em 18 de outubro e terão o primeiro default de sua história, o que gerará crise e recessão", comentou Yellen, ontem, em depoimento perante o Senado.

Se isso acontecer, prosseguiu ela, "os juros vão subir e elevar despesas" federais e o pagamento do serviço da dívida pública.

Lembrando ainda que o elevado endividamento norte-americano é uma espécie de construção bipartidária, a secretária reforçou: "É necessário evitar um evento catastrófico. Minha esperança é que vamos trabalhar junto com o Congresso para evitar um desastre."

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O líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, pretende tentar uma solução parcial para o tema ainda esta semana, já que amanhã termina o ano-fiscal nos EUA. A ideia de Schumer é segregar as discussões e aprovar um projeto de lei para manter o financiamento às operações do governo a partir de sexta-feira. Com isso, o debate sobre a suspensão do teto de endividamento deve ficar para outubro.

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