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SPD, de centro-esquerda, venceu a aliança de centro-direita formada por CDU e CSU; Angela Merkel deixa o governo com um legado de vitórias sobre sucessivas crises
A bolsa de valores de Frankfurt inicia a semana em alta, puxando consigo a maior dos principais índices de ações da Europa em reação à vitória por estreita margem dos social-democratas (SPD) sobre o bloco de centro-direita da chanceler Angela Merkel (CDU/CSU).
O SPD foi o partido mais votado nas eleições gerais do fim de semana na Alemanha, com 25,7% da votação e 206 cadeiras.
O bloco de Merkel vem logo atrás, com 24,1% dos votos e 196 cadeiras, segundo pelo Partido Verde, com 14,8% dos sufrágios e 118 assentos no Bundestag, o Parlamento alemão.
Na avaliação de analistas políticos alemães, o resultado mais provável é que Merkel, que já havia anunciado sua aposentadoria depois de 16 anos como chanceler, seja sucedida por Olaf Scholz.
A expectativa é de que o líder social-democrata componha uma coalizão majoritária com os Verdes e os Democratas Livres (92 cadeiras), vistos como pró-mercado.
Ainda assim, o resultado apertado não impossibilita o novo líder da CDU-CSU, Armin Laschet, de buscar uma aliança viável.
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Depois de quatro mandatos consecutivos, Merkel deixa o governo com um legado de vitórias sobre sucessivas crises.
Quando Merkel assumiu a Alemanha, em 2005, o país era a terceira maior economia do mundo. Apesar do crescimento de 34% do PIB alemão nos últimos 16 anos, o país foi ultrapassado pela China e hoje é a quarta maior economia do planeta. Já o desemprego caiu de 11% para cerca de 4,5% no período.
Apesar dos números robustos, o caminho foi turbulento. No lado das crises financeiras, ainda em seus primeiros anos como chanceler, esteve à frente da Alemanha durante a quebra do Lehmann Brothers e também no resgate aos países da zona do euro.
No campo humanitário, teve papel fundamental ao abrir as fronteiras alemãs para o fluxo de refugiados da guerra na Síria.
Politicamente, transitou com habilidade na busca por soluções para as desavenças entre Rússia e Ucrânia e para o divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia, mais conhecido como Brexit.
Merkel também ficou marcada como uma voz de lucidez no combate às mudanças climáticas e no enfrentamento à pandemia de covid-19.
Entra para a história como uma das mais longevas chanceleres da Alemanha, empatada com Helmut Kohl e atrás apenas dos 19 anos de Otto von Bismarck.
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