Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2021-08-31T09:28:52-03:00
Maria Eduarda Nogueira
Radio Cash

“O casamento do físico e do digital vai trazer realmente uma transformação para o varejo”, diz Flávio Rocha, da Riachuelo

No podcast Radio Cash, o empresário do Grupo Guararapes fala sobre o futuro das varejistas de moda e as inovações tecnológicas e tece críticas ao sistema tributário brasileiro

31 de agosto de 2021
9:28
O empresário Flavio Rocha, dono da Riachuelo
Empresário Flavio Rocha, dono da Riachuelo. - Imagem: Luizleme/Wikimediacommons

Flávio Rocha é um dos grandes nomes do varejo brasileiro, devido à sua longa atuação como CEO da Riachuelo. Atualmente, ele é presidente do Conselho de Administração do Grupo Guararapes, que inclui além das Lojas Riachuelo, a financeira Midway e o Midway Shopping Center.

Mas ele não é reconhecido apenas por sua atuação no privado. O empresário está sempre em contato direto com a esfera pública, fazendo propostas em prol de melhorias no ambiente de negócios no país. 

Em participação no podcast RadioCash, apresentado por Felipe Miranda, CIO e estrategista-chefe da Empiricus, e Jojo Wachsmann, CIO da Vitreo, Rocha falou sobre suas previsões para o futuro do varejo de moda, um setor muito afetado com as restrições impostas pela pandemia. O empresário também comentou sobre o cenário político e econômico brasileiro e fez críticas ao atual sistema tributário.

Confira o episódio completo dando play abaixo e leia os principais destaques nos próximos parágrafos:

Digitalização e uso de novas tecnologias no varejo foram impulsionados pela pandemia

Há anos imerso no varejo da moda, Flávio Rocha acredita que a pandemia acelerou consideravelmente o ritmo de transformações do setor: “está acontecendo em um ano o que provavelmente aconteceria em uma década”. A criação de um ecossistema digital foi essencial para que a moda sobrevivesse às restrições da pandemia, que incluíram o fechamento de lojas e shopping centers por meses seguidos. 

No início, os canais digitais das redes de varejo de moda tinham baixa penetração e representavam uma pequena participação das vendas. Com a pandemia, houve uma forte aceleração e as marcas que não souberam se adaptar ao on-line acabaram perecendo. Para Rocha, esse avanço rumo ao digital representou uma oportunidade de escalar o negócio exponencialmente.

“Nós nos libertamos das terríveis limitações do mundo físico, a pior delas sendo a limitação de espaço. Quem dava até agora o tamanho do nosso negócio era o gestor da companhia de shopping”, diz o empresário. 

“O negócio do futuro é o super app de moda”

Como forma de enfrentar a impossibilidade de vendas no espaço físico, muitos comércios focaram em melhorar suas experiências digitais. No caso das grandes varejistas de moda, o investimento em aplicativos se intensificou, afinal, 55,1% das transações on-line são feitas via celular, segundo relatório da E-bit/Nielsen. 

No caso da Riachuelo, o aplicativo inclui não só vestuário, mas também beleza, decoração, itens para pets e entre outros ‒ isto está alinhado com a visão de Rocha, para quem “o negócio do futuro é o super app de moda”.  

Ao mesmo tempo em que apresenta uma oportunidade de ouro para escalar o negócio, a presença digital também tem seus desafios. “Não vão existir trezentos aplicativos de moda nesse espaço disputadíssimo que é o smartphone do cliente. Vai ter espaço pra um ou dois e aquele que vai conquistar esse espaço vai ser o que tiver mais recorrência e mais relevância. É para isso que estamos nos preparando”, afirma o empresário. 

O ex-CEO da Riachuelo também comenta sobre a visão “data is the new oil” (dados são o novo petróleo, em tradução literal), ou seja, os dados são o novo negócio rentável. As informações sobre os clientes obtidas através do seu histórico de compras de lifestyle são bem mais ricas do que as de bancos de dados genéricos. 

New Retail: a quebra do paradigma digital vs. físico

Segundo Flávio Rocha, as transformações ocasionadas pela pandemia não significam que haverá uma rivalidade entre o digital e o físico: o futuro do varejo de moda inclui a integração entre as lojas e as novas tecnologias. Entre as mudanças mais promissoras, o ex-CEO da Riachuelo menciona a realidade virtual com o uso de óculos inteligentes, como o Apple Glass. 

A essa nova tendência de sinergia entre o físico e o digital se dá o nome de New Retail. Como explica Rocha, “você pode estar navegando numa loja física, sentindo a textura de um tecido, experimentando no provador, mas você está cercado de todos os superpoderes do mundo virtual.” 

“O casamento do físico e do digital vai trazer realmente uma transformação tecnológica para o varejo. Acho que o varejo de moda vai ser o grande beneficiário desse novo front tecnológico.” ‒ Flávio Rocha, no podcast Radio Cash.

Crédito e varejo: uma parceria que faz sentido

Se antes os vendedores das lojas físicas ofereciam o “cartão Riachuelo”, agora os clientes podem ter uma conta digital completa da Midway, a instituição financeira do grupo. 

Para Flávio Rocha, essa sinergia entre o crédito e o varejo é algo que o Brasil tem aprimorado cada dia mais. Segundo ele, o “varejo do futuro vai ter essa interação com o cliente que o crédito e que os produtos financeiros trazem.” 

Com a conta digital, há uma maior proximidade e fidelização do cliente, além de criar um “trampolim” para outros serviços financeiros e trazer maior assertividade na concessão de crédito. 

“Eu acredito que ainda tem espaço pra muitas reformas”, diz Flávio Rocha sobre sistema tributário brasileiro

Em sua participação no RadioCash, Flávio Rocha foi enfático ao fazer críticas ao sistema tributário brasileiro, que é complexo e tem uma carga muito alta, em sua opinião. Ele comenta uma peculiaridade do Brasil, que acaba gerando sobrecarga de impostos em três bases: renda, consumo e patrimônio.

Segundo o empresário, é preciso focar em reduzir a sonegação, prática comum nos “camelódromos digitais”, e não em taxar mais as empresas com bases no Brasil que já são responsáveis por grande parte da arrecadação.

Quanto à taxação de grandes fortunas, Rocha também é crítico e cita como exemplo o que aconteceu na França de François Hollande, quando o presidente aumentou os impostos aos ricos: um êxodo fiscal para países que praticavam taxas mais baixas. 

Quer ouvir o papo completo? É só buscar por “RadioCash” em sua plataforma de podcasts favorita ou dar play abaixo:

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

RH do governo

Reforma administrativa deslanchou? Confira destaques do texto-base aprovado em comissão da Câmara

A proposta traz alguns pontos polêmicos, como a possibilidade de parcerias entre governo e iniciativa privada para a execução de serviços públicos

fique de olho

Dividendos: Equatorial Pará (EQPA3) define data e Marfrig (MRFG3) altera valor

Além disso, Equatorial Maranhão definiu data do pagamento dos proventos e Banco Modal definiu valores para juros sobre capital próprio; confira

Eletrobras, Correios e mais

Ativos na mesa: nova proposta para precatórios pode incluir ações de estatais em acordos de pagamento

Além das estatais, na lista de ativos que poderiam entrar na negociação estão imóveis, barris de petróleo do pré-sal e concessões de rodovias e ferrovias, por exemplo

fala, vale

Vale (VALE3): a receita para a queda das ações, segundo a própria empresa

Empresa teve de emitir um comunicado em resposta a um ofício da B3 que solicitava justificativas para a oscilação das ações da mineradora entre os dias 6 e 20 de setembro

MERCADOS HOJE

Bom humor global ajuda e Ibovespa recupera os 114 mil pontos após nova Selic; dólar sobe a R$ 5,30

Na ressaca da Super quarta, os investidores seguiram atentos aos desdobramentos dos problemas financeiros da Evergrande; Ibovespa acompanhou NY

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies