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Camila Paim
Camila Paim
Produtora de conteúdo na Empiricus. Estudante de jornalismo na Universidade de São Paulo (USP) e com experiência em webdesign no Jornal da USP.
Radiocash

“A gente precisa de coragem para enfrentar essa batalha e investir de fato na educação ou o país continuará mediano”, diz Tabata Amaral

A deputada federal levanta a bandeira da educação e indica maneiras para melhorar o ensino público, a partir de políticas públicas adequadas

15 de junho de 2021
12:56 - atualizado às 13:54
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Tabatha vai de encontro com as estatísticas da periferia e faz da educação de qualidade para todos sua principal bandeira - Foto: Divulgação -

Estudante de escola pública, filha de nordestinos e moradora de comunidade, Tabata sempre gostou de estudar. Foi se destacando nas olimpíadas de matemática  e, assim, conseguiu uma bolsa para estudar em um colégio particular. “De repente, estava em um lugar onde todos tinham um sonho, falavam de universidade e havia professores para me ajudar nessa trajetória.” 

O sonho de aprender e se desenvolver foi se transformando em realidade. Tabata conquistou bolsa integral para estudar em Harvard, formando-se em Astrofísica e Ciências Políticas. Ela passou a ver na  educação, a razão de ter se transformado com uma visão de mundo diferenciada, de ter evoluído profissionalmente e conquistando tantas coisas. Por outro lado,  a ausência de educação de qualidade era o motivo de vários amigos e de familiares não terem tantas oportunidades na vida. Assim, a astrofísica foi perdendo espaço para a Tabata Amaral que levanta a bandeira da educação. Ao defender essa causa, ela evoluiu na vida política e se tornou deputada federal.

“Não é um problema da educação em si, mas um problema político. [...] A falta de evidências para que as políticas públicas sejam desenhadas, a polarização, os desvios, afetam a educação pública”, disse Tabata, que participou do episódio #20 da RadioCash, podcast da Empiricus em parceria com a Vitreo. 

A deputada federal aponta que toda política pública deve ter uma análise de impacto anterior e posterior. Primeiro, são necessários estudos detalhados e modelos estatísticos (econometria) para elaboração de um projeto de educação e, depois de implementado, é essencial verificar se os resultados são efetivos. 

Além disso, diversas políticas públicas precisam ser incluídas na Constituição como políticas de Estado, e não serem apenas de governo. Esse é o caminho para que haja continuidade em caso de troca de governantes. 

O Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica), por exemplo, foi constitucionalizado em agosto do ano passado, depois de muita luta, segundo Tabata. O fundo é responsável por aproximadamente metade do financiamento da educação básica no Brasil e o MEC estava “completamente à deriva, com uma ideologização rasa”, destacou a deputada na RadioCash.

Quer saber mais sobre os caminhos para a educação de qualidade no Brasil? É só dar o play no episódio #20 da RadioCash!

No entanto, nem todas as boas propostas são aceitas ou aprovadas. Tabata conta sobre uma proposta dela que foi muito criticada, em que buscava incentivar a permanência e conclusão do Ensino Médio. Esse projeto se baseia na criação de uma conta-poupança, em que seriam depositados valores para cada ano concluído e de acordo com o desempenho do aluno no Enem. Apesar do adicional orçamentário da proposta ser de R$ 1,7 bilhão inicialmente, a evasão escolar é muito mais cara para o Brasil e para os próprios cidadãos. Além da conta de R$ 214 bilhões que sai do bolso do Estado, as pessoas que deixam as salas de aula se tornam mais inclinadas a se envolverem com a criminalidade e adquirir doenças graves. É uma situação que ainda diminui em média 3 anos o tempo de vida. “Tudo isso apenas pelo fato de terminar ou não o Ensino Médio”, Tabata chama a atenção. 

Na visão dela, a resistência com o aumento do orçamento  para  educação é um obstáculo que o país precisa superar. Além dos problemas estruturais que as escolas enfrentam, a fuga de cérebros também apresenta números preocupantes, pois as bolsas de pesquisas são poucas e de valores insuficientes. “O Brasil paga bolsas de estudo baixíssimas e dá para ver como a gente vai perdendo pessoas que estavam estudando e crescendo.”

“A escolha não deveria ser entre você financiar acesso à conectividade de escolas e alunos ou o saneamento das escolas. Entre você acabar com escolas de latão e de madeira ou investir em bolsas de pesquisa. A escolha real é entre você investir em pesquisa e educação ou em outros gastos que não fazem sentido.”

E a tal da meritocracia que tanto se fala atualmente?

O debate na RadioCash também incluiu o tema da meritocracia. De acordo com a deputada, costumam vigorar conceitos equivocados. “Meritocracia é quem correu mais, não quem chegou mais longe”, ela explica, ressaltando a importância de não olharmos apenas para a chegada, mas também para o ponto de partida de cada um. Ela deu o exemplo de quando fez o vestibular nos Estados Unidos No podcast, ela pôde comentar a sua trajetória, tudo que passou até chegar ali e sem depender do seu desempenho em uma única prova.

Com linhas de pensamentos semelhantes, Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus, George Wachsmann, CIO da Vitreo, e Tabata Amaral debateram a importância da inclusão da educação política e financeira nas escolas. Dessa forma, é possível dar informações aos jovens em formação, ensinando-os  a respeito da Constituição Federal, das funções dos políticos e também desmistificar mitos relacionados à economia e ao planejamento de seu futuro financeiro.  

Quanto ao recente conflito interno no seu antigo partido, Tabata foi taxativa: “As pessoas têm muita dificuldade de entender que eu penso por mim mesma, que sou uma mulher jovem que tem as próprias convicções.” Após discussões com Ciro Gomes e demais membros do PDT, a deputada federal conseguiu sair do partido com justa causa, sem perder o mandato. Em meio a tantas dificuldades, Tabata se mantém otimista e segue com a  sua bandeira erguida. 

Quando eu penso nesse sonho de que o Brasil poderá ser um dia realmente justo, desenvolvido e ético, não penso na luta por uma escola pública de qualidade. Não tem nenhum país que se desenvolveu sem investir de forma correta em pesquisa, educação básica, e esse é o caminho que a gente tem. E aqui é um pouco 8 ou 80. Ou a gente tem coragem de enfrentar essa batalha e investe de fato em educação ou a gente vai continuar sendo esse país mediano, em todos os sentidos.” 

Da mesma forma que a educação moldou seu passado, vemos que continuará trilhando o seu futuro. 

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