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Jojo Wachsmann
Diário de Bordo
Jojo Wachsmann
É CIO e sócio fundador da Vitreo.
Dados da Bolsa por TradingView
2021-08-06T08:51:51-03:00
Coluna do jojo

Mercados hoje: climão em Brasília e dado de emprego à espreita

O mercado internacional está completamente focado nos dados de emprego nos EUA; já o Brasil pode enveredar novamente por seguir sua própria dinâmica

6 de agosto de 2021
8:41 - atualizado às 8:51
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Imagem: A Grande Família (2001)

Bom dia, pessoal!

Hoje (6), o mercado internacional está completamente focado nos dados de emprego nos EUA (payroll), marcados para às 9h30 – se vierem acima do esperado, aumentarão a possibilidade do presidente do Fed, Jerome Powell, falar sobre o “tapering” (processo de redução do nível de compra de ativos) em Jackson Hole ainda este mês, conforme comentaremos abaixo.

Ainda assim, independentemente da performance internacional, o Brasil pode enveredar novamente por seguir sua própria dinâmica, principalmente depois das peças adicionadas ao tabuleiro ontem (5).

Lá fora, os mercados de ações asiáticos operaram mistos nesta sexta-feira, ansiosos em relação a um agravamento dos surtos de Covid-19, que poderia afetar as maiores economias do mundo. Na Europa, também não há um tom uníssono, com Bolsas amanhecendo de maneira bastante mista, enquanto os futuros americanos, com exceção da Nasdaq, sobem.

A ver...

Climão em Brasília

Ontem (5), enquanto os mercados internacionais entregavam bons resultados para os investidores, em especial os dos EUA, que renovavam recordes, o mercado local virava para o negativo, com queda da Bolsa, desvalorização do dólar e estresse sobre os juros no pós-Copom o resultado da Petrobras ajudou a conter a queda, distorcendo o Ibovespa em relação a outros índices, como o de small caps, que tiveram um dia ainda pior. Leia nossa análise completa de mercados.

Mesmo com a véspera da notícia positiva vinda da Câmara ao final do pregão, que aprovou o texto-base do projeto de lei que trata da privatização dos Correios, os imbróglios fiscais e políticos de Brasília não parecem ter uma solução simples. Primeiro, veio a notícia do novo Refis, que dará descontos às empresas afetadas pela pandemia, além de permitir o abatimento das dívidas com precatórios. Em seguida, aumentou-se o tom de uma possível crise institucional derivada do choque entre o Executivo e o Judiciário.

As palavras do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, ao presidente da República, Jair Bolsonaro, cancelando a reunião entre os Poderes, joga mais lenha na fogueira, depois de importantes setores da sociedade civil divulgarem um manifesto em defesa das eleições de 2022. Ainda assim, é possível que a reunião cancelada seja posteriormente remarcada, uma vez que forças políticas devam entrar em campo para distensionar o clima.

Emprego à espreita

Nesta sexta-feira (6), os investidores examinarão o relatório de emprego de julho, no qual o mercado espera que 845 mil empregos não agrícolas tenham sido adicionados às folhas de pagamento dos EUA (estimativas variam de cerca de 400 mil a 1,5 milhão). Adicionalmente, a taxa de desemprego deve cair para 5,7%, de 5,9% em junho, ainda distante da mínima em 3,5% em fevereiro de 2020 (a pandemia jogou a taxa para 14,8%).

Outro dado relevante no interior do relatório é o de ganhos médios por hora, que devem subir 0,3% com ajuste sazonal em relação ao mês anterior e ser 3,8% mais altos do que há um ano, abaixo do índice de preços ao consumidor dos EUA, o qual tem registrado ganhos ano a ano na faixa de 4% a 5% nos últimos meses; ou seja, o poder de precificação dos consumidores diminuiu, pois os preços aumentaram mais rápido do que os salários.

Os dados serão importantes para o final deste mês, quando o presidente do Fed, Jerome Powell, falará na conferência anual em Jackson Hole, em Wyoming. O encontro poderá oferecer mais clareza sobre o momento e o grau em que o banco central pode reduzir seu programa de compra de ativos. Assim, o papel dos dados do mercado de trabalho pode impulsionar a política do Federal Reserve para indicar crescimento econômico.

E não mudou nada

Foi anunciada a política do Banco da Inglaterra, basicamente em linha com o esperado, indicando o início de uma conversa sobre a necessidade de um aperto monetário moderado em breve. O BoE decidiu manter sua taxa básica de juros em 0,10% e o tamanho de seu programa de relaxamento quantitativo (QE), em 895 bilhões de libras. Provavelmente, teremos alguma novidade sobre a diminuição desse QE até o final do ano, pelo menos em formato de aviso para o ano que vem.

Para reforçar seu direcionamento, os dirigentes da autoridade monetária afirmaram que, apesar da disseminação da variante Delta do coronavírus no Reino Unido, o impacto do vírus sobre a economia do país tem diminuído ao longo do tempo, conforme já vínhamos falando por aqui. Com isso, o comunicado ressalta o quão crucial é a trajetória da pandemia e seus impactos para os juros.

Anote aí!

Hoje, vale acompanhar o ministro da Economia, Paulo Guedes, que participa às 17h de reunião virtual com líderes empresariais – novidades sobre o Refis e imbróglios fiscais, como o tributário, podem ser interessantes. Fora isso, temos a continuidade dos nossos balanços da temporada de resultados e divulgação da produção de veículos em junho.

Lá fora, as economias da zona do euro possuem dados de produção industrial, enquanto o mundo inteiro aguarda os dados de payroll americano, com o relatório de empregos de julho, marcado para ser entregue esta manhã. Ainda nos EUA, estoques de atacado em junho e crédito ao consumidor até teriam relevância, mas se tornam secundários frente aos dados de payroll.

Muda o que na minha vida?

A média de novos casos de Covid-19 nos Estados Unidos atingiu sua maior alta em seis meses. Consequentemente, eventos pessoais estão sendo cancelados ou adiados e grandes empresas estão atrasando seus planos de retorno ao escritório.

Entretanto, como o ritmo da vacinação voltou a aumentar, os investidores parecem estar confortáveis ​​com a tese de que a atual onda alimentada pela variante Delta não é como as outras, no que diz respeito ao seu impacto negativo na economia.

Justamente por isso o mercado se debruça sobre a lei de infraestrutura. Depois que um grupo bipartidário de senadores lançou o acordo de infraestrutura de US$ 1 trilhão, a disputa no Capitólio começou, com legisladores em ambos os lados do corredor resistindo e líderes democratas esperando estabelecer uma votação no Senado ainda hoje. Se o projeto for aprovado no Senado, ele seguirá para a Câmara, onde os democratas têm uma maioria estreita.

O projeto de infraestrutura fornecerá uma atualização muito necessária para a infraestrutura dos EUA. Do US$ 1 trilhão encaminhado, aproximadamente US$ 550 bilhões serão em novos gastos em estradas e pontes (US$ 110 bilhões), em ferrovias (US$ 66 bilhões), na rede de energia do país (US$ 73 bilhões), na expansão da banda larga (US$ 65 bilhões), no aprimoramento do saneamento (US$ 55 bilhões) e no trânsito (US$ 39 bilhões).

De qualquer forma, com o fim deste capítulo, o próximo debate será sobre o plano mais abrangente de US$ 3,5 trilhões. Como não poderia deixar de ser, contudo, os republicanos se opõem fortemente a esse projeto, mas os votos finais não são esperados até o outono. Gastos adicionais podem impulsionar ainda mais as Bolsas ao redor do mundo, elevando o apetite de risco dos investidores, pelo menos em um primeiro momento.

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Um abraço,

Jojo Wachsmann

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