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A Weg (WEGE3) mostrou um crescimento de quase 30% na receita líquida; o bom desempenho do mercado doméstico deu força aos resultados
Trimestre após trimestre, o mercado deposita expectativas elevadas sobre a Weg (WEGE3): a empresa catarinense, afinal, tem um longo histórico de entrega de resultados, crescendo mesmo nos cenários econômicos mais adversos. E, trimestre após trimestre, a companhia supera as projeções agressivas dos analistas — uma tradição que, novamente, foi mantida.
Veja a receita líquida da Weg: R$ 6,2 bilhões entre julho e setembro, avançando 29% em relação ao mesmo intervalo de 2020 — uma cifra que ficou acima de todas as estimativas compiladas pelo Seu Dinheiro. O Ebitda de R$ 1,14 bilhão (+22%) e o lucro líquido de R$ 812 milhões (+26%) também bateram as expectativas.
É verdade que o Ebitda e o lucro líquido tiveram uma ajudinha extra: a Weg contabilizou créditos referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e do Cofins, o que impulsionou as duas linhas. Ainda assim, a expansão da receita mostra que a empresa continua sólida — o avanço foi de quase 8% em relação ao segundo trimestre, deixando clara a expansão sequencial.
E, como nos balanços anteriores, essa solidez se deve, em grande parte, à diversificação da Weg: ao atuar em inúmeros segmentos da indústria, ela tem um leque de clientes bastante amplo; ao estar presente no Brasil e no exterior, está exposta a diferentes ciclos econômicos — e ainda consegue gerar receita em reais e em dólares.
Dito isso, é importante destacar algumas tendências mostradas pela Weg em seu balanço, especialmente no que diz respeito à composição da receita.
Um primeiro ponto que chama a atenção no balanço da Weg é a divisão entre mercado interno e mercado externo. No terceiro trimestre, as vendas no Brasil somaram R$ 2,9 bilhões, o que representa 47% do total; o exterior respondeu pelos 53% restantes, ou R$ 3,3 bilhões.
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Por mais que as vendas externas continuem com um peso maior na composição da receita da Weg, a divisão está cada vez mais equilibrada: os 47% obtidos no mercado doméstico representam a maior participação desse segmento desde o primeiro trimestre de 2020:

Dois fatores ajudam a explicar esse ganho de importância do mercado doméstico. Em primeiro lugar, houve uma desvalorização do dólar em relação ao real: a moeda americana recuou de R$ 5,38 no terceiro trimestre de 2020 para R$ 5,23 no mesmo intervalo deste ano; com isso, a conversão da receita dolarizada para o real acaba sendo impactada.
Mas há, também, uma expansão mais intensa das vendas locais: os R$ 2,9 bilhões de receita obtida no mercado doméstico representam um salto de mais de 40% na comparação anual; em relação ao segundo trimestre, a alta foi de 13% — um desempenho que foi considerado pela própria Weg como "principal destaque" do balanço.
"A receita dos equipamentos de ciclo curto continuou positiva, tanto para o segmento industrial quanto para o comercial", diz a empresa, em mensagem aos acionistas. "Para os equipamentos de ciclo longo, os negócios em geração, transmissão e distribuição foram os principais responsáveis pelo crescimento apresentado".
Feitas as ponderações a respeito dos mercados consumidores, um segundo ponto a ser analisado é o mix de vendas — e o desempenho de cada um dos segmentos de atuação da Weg no trimestre. Veja abaixo como se comportaram as divisões da empresa catarinense:
| (R$ milhões) | 3T21 | 2T21 | Variação |
| Mercado interno | |||
| Equipamentos eletroeletrônicos | 984,7 | 851,2 | +15,7% |
| Geração, transmissão e distribuição de energia | 1.381 | 1.204,3 | +14,7% |
| Motores comerciais | 326,4 | 307 | +6,3% |
| Tintas e vernizes | 238,9 | 215,5 | +10,9% |
| Mercado externo | |||
| Equipamentos eletroeletrônicos | 1.964,3 | 1.865,9 | +5,3% |
| Geração, transmissão e distribuição de energia | 918,5 | 931,7 | -1,4% |
| Motores comerciais | 336,8 | 326,1 | +3,3% |
| Tintas e vernizes | 47,6 | 46,5 | +2,4% |
Em relatório, o BTG Pactual avalia que os resultados da Weg no trimestre foram 'sólidos', com destaque para a expansão da receita líquida e o bom desempenho das vendas no mercado doméstico — enquanto os equipamentos de ciclo longo seguem resilientes, os de ciclo curto continuam se recuperando.
"A companhia foi capaz de manter as margens em patamares razoáveis, mesmo num período de alta nos custos das matérias-primas e o início das entregas de turbinas eólicas, o que costuma diluir as margens", escrevem os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Aline Gil.
Dito isso, o mercado reagiu com relativa timidez aos números da Weg no trimestre. As ações ON da companhia (WEGE3) chegaram a subir quase 4% logo após a abertura, batendo os R$ 40,83 na máxima. No entanto, por volta de 13h10, os papéis operavam em baixa de 0,93%, a R$ 39,29.

Por mais que os resultados da Weg no trimestre tenham sido fortes, as ações WEGE3 têm um calcanhar de Aquiles: os múltiplos bastante esticados. Segundo dados do TradeMap, a relação entre preço e lucro por ação (P/L) projetada para o fim de 2021 está perto de 60 vezes — acima da média de três anos para o papel, de 50 vezes.
A relação entre valor da firma (EV) e o Ebitda nos últimos 12 meses também mostra tendência semelhante: ao fim do ano, o múltiplo gira ao redor de 44 vezes, métrica superior à média de três anos, de 36 vezes. Em linhas gerais, quanto maior o P/L e o EV/Ebitda, mais caras estão as ações de uma empresa.
Além disso, os múltiplos em si chamam a atenção: um P/L na casa de 60 vezes é comparável ao visto nas grandes empresas de tecnologia dos EUA — companhias cujas perspectivas de crescimento são bastante elevadas no curto prazo. Por mais que a Weg tenha um histórico animador, muitos analistas e investidores veem um certo exagero na precificação de suas ações.
Em termos de indicações de analistas, o TradeMap mostra que, de fato, há certa hesitação entre as casas: são sete recomendações de compra para WEGE3 e outras três de venda; outros cinco têm uma posição neutra para os papéis.
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