Uma valsa ao movimento: Enjoei leva linguagem descolada para o release de resultados
Segundo balanço do brechó on-line desde o IPO traz trechos com linguagem mais "humanizada" e termina de forma prosaica. Confira os principais resultados da companhia no 4º trimestre e em 2020

"quase cinco meses de companhia aberta, estamos aprendendo, humanos que somos. compreendendo as competências que temos e nos trouxeram até aqui e indo buscar o que nos falta.
sobe ação, desce ação.
entrevistando, entrevistando, entrevistando, contratando, entrevistando, entrevistando, entrevistando, entrevistando, entrevistando, demitindo, contratando, contratando, entrevistando, e segue o fluxo.
sobe ação, desce ação.
email da marca A, email da marca B, email da marca C, email da marca que pelamordedeus nao acredito que topzera, vencemos na vida, email da marca D."
O release de resultados do quarto trimestre da Enjoei, brechó on-line que abriu capital na B3 em novembro do ano passado, deve ter deixado muito analista desconcertado.
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Acostumados a textos duros, planilhas, números e mais números, muitos profissionais de mercado devem ter sido pegos de surpresa por alguns trechos escritos em "linguagem de humanos", descolados, prosaicos e, por que não, até poéticos.
A citação que abre esta matéria é o trecho inicial da conclusão do release de resultados da companhia, divulgado ao mercado na noite de ontem (30). Foi escrito assim mesmo, com frases começando em letra minúscula, como muitos de nós fazemos na internet.
Intitulado "Uma valsa ao movimento", o texto tenta resumir como foi a rotina desses primeiros cinco meses de companhia aberta da Enjoei.
Ao mesmo tempo, a escolha dessa linguagem reforça a natureza digital, descolada, moderninha e em constante transformação que a marca quer imprimir, e que também é o perfil do seu público.
A abertura do release de resultados já deixa isso bem claro: "Somos um novo jeito, uma nova maneira. Um exercício constante de transformação do consumo." ou ainda "O enjoei é etéreo. Pouca matéria."
No release de resultados do terceiro trimestre, seu primeiro após o IPO, o Enjoei optou por uma linguagem mais tradicional e contida. Mas neste segundo balanço, parece ter aproveitado o espaço para reforçar seu propósito e identidade de marca junto aos acionistas e analistas.
Linguagem de humanos
O que pode causar um estranhamento inicial talvez seja um lembrete de que os investidores brasileiros devam começar a se preparar - se é que já não estão preparados - para uma bolsa que não tem só ações de bancos e exportadoras de commodities.
O "Resumo de direcionamento estratégico" do release da Enjoei é particularmente interessante, pois o texto resume, em linguagem de humanos, os pilares de crescimento e a estratégia da companhia, apresentados anteriormente na tradicional forma de números e gráficos:
"Algumas coisas já sabemos:
A primeira venda é importante, mas a segunda muda tudo.
Uma venda é importante, mas uma venda em até sete dias muda tudo.
Um produto postado é importante, mas enviar até o terceiro dia muda tudo.
Ser vendedor é importante, mas ser também um comprador muda tudo.
Não é necessário embarcar vendedores com 100, 200, 300 itens, mas fortalecer o início da jornada. Os primeiros itens listados são suficientes para uma enorme diferença no efeito de rede."
E os resultados?
Passando para a parte "chata" (mas que é a que interessa aos investidores), a Enjoei viu um crescimento de 95% do GMV Total (sigla em inglês para volume bruto de mercadorias, métrica do desempenho das vendas das plataformas digitais) no quarto trimestre ante o mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 162 milhões.
No período, a plataforma atingiu 209 mil novos compradores, alta de 105% na comparação anual. Foram 192 mil novos vendedores, crescimento de 74% na mesma base de comparação.
A companhia fechou o trimestre novamente com prejuízo líquido, desta vez no valor de R$ 18,86 milhões, ante um prejuízo de R$ 12,83 milhões no quarto trimestre de 2019. No ano, o prejuízo líquido da Enjoei totalizou R$ 31,13 milhões, acima do prejuízo de R$ 20,76 milhões de 2019.
A receita bruta totalizou R$ 30,3 milhões no quarto trimestre, crescimento de 55% frente ao mesmo período de 2019. No ano de 2020, a cifra atingiu R$ 94,1 milhões, alta de 48%.
Segundo a companhia, o crescimento da receita bruta no trimestre se deveu aos volumes adicionais transacionados na plataforma, com a entrada de novos usuários por meio de investimento em marketing de performance e mídia.
Já a receita líquida totalizou R$ 28,6 milhões no quarto tri, alta de 75% na comparação anual. No ano, a cifra alcançou R$ 79,6 milhões, crescimento de 48% ante 2019. A receita líquida foi impactada positivamente no trimestre por questões tributárias.
O lucro bruto viu um crescimento anual de 91% no trimestre, para R$ 9,3 milhões, com uma evolução da margem bruta de 29,8% no quarto tri de 2019 para 32,6% no quarto tri de 2020. No ano, o lucro bruto totalizou R$ 28,2 milhões, crescimento de 67% em relação a 2019, com evolução da margem bruta de 31,4% para 35,4%.
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) e o Ebitda ajustado vieram negativos. O Ebitda do quarto trimestre atingiu -R$ 18,87 milhões, e o de 2020 totalizou -R$ 24,34 milhões.
O Ebitda ajustado, que desconsidera o pagamento do plano de remuneração em ações (no valor de R$ 11,5 milhões) foi negativo em R$ 7,32 milhões no quarto trimestre e em R$ 12,80 milhões no ano.
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