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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

A próxima gigante

Metaverso, games e criptomoedas: as apostas da NVIDIA para se tornar a próxima empresa de US$ 1 trilhão

A NVIDIA (NVDA) teve uma ascensão meteórica na bolsa e já vale quase US$ 700 bi; suas GPUs são úteis para games, criptomoedas e o metaverso

Victor Aguiar
Victor Aguiar
18 de dezembro de 2021
5:40 - atualizado às 10:24
Sede de prédio da NVIDIA (NVDA e NVDC34)
Imagem: NVIDIA

Há um grupo muito seleto no mercado financeiro global: o de empresas avaliadas em mais de US$ 1 trilhão. Estamos falando de pesos-pesados como Apple, Microsoft e Amazon; ao todo, apenas sete companhias já romperam essa barreira. Pois o clube dos trilionários pode ganhar um novo membro em breve, com a NVIDIA (NVDA) subindo no ranking com velocidade espantosa — e tudo graças a uma estratégia muito particular, que une games, criptomoedas e metaverso.

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O desempenho das ações da NVIDIA na bolsa americana (NVDA) ilustra bem a revolução pela qual a empresa passou num período relativamente curto de tempo. Ontem, os papéis fecharam o pregão cotados a US$ 278,01, acumulando ganhos de 113% desde o começo do ano. De 2020 para cá, o salto chega a incríveis 373%.

Com toda essa valorização, a NVIDIA hoje é avaliada em US$ 692,8 bilhões, ocupando o oitavo lugar na lista das empresas com os maiores valores de mercado do mundo. À frente dela, apenas as VIPs do clube dos trilionários, sendo que Tesla e Facebook atualmente estão um pouco abaixo da linha de corte — mas, uma vez membro, sempre membro. Veja abaixo o top 10:

EmpresaPaísSetorValor de mercado (US$ bi)
AppleEUATecnologia2.807
MicrosoftEUATecnologia2.431
Alphabet (Google)EUATecnologia1.893
Saudi AramcoArábia SauditaÓleo e Gás1.877
AmazonEUATecnologia1.724
TeslaEUAAutomotivo936,5
Meta (Facebook)EUATecnologia928,5
NVIDIAEUATecnologia692,8
Berkshire HathawayEUAFinanceiro/Investimentos656,4
TSMCTaiwanTecnologia603,2
TencentChinaTecnologia551,6

Essa lista deixa uma coisa bem clara: o setor de tecnologia domina as atenções dos investidores e desponta como o grande ramo da economia global para os próximos anos. Apple, Microsoft, Google, Amazon — todas elas atuam na interface entre a prestação de serviços e a administração de dados e informações.

Mas... e a NVIDIA? O que faz de tão importante para estar lado a lado com as big techs americanas e asiáticas?

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Trata-se de um raro caso de companhia que já é altamente rentável no presente, com linhas de negócio com demanda firme, e que possui projetos relativamente avançados nos temas de investimento no futuro. Ou seja: estamos falando de uma companhia que tem tudo para fincar o pé entre as gigantes.

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NVIDIA, GPUs e games

Sendo bastante generalista, a NVIDIA (NVDA) fabrica componentes para computadores — e mesmo quem não é lá muito ligado em configurações de PCs e notebooks já deve ter visto esse nome por aí. Mas, ora essas, a Intel, a Qualcomm, a IBM e muitas outras empresas também fabricam peças do tipo e não valem quase US$ 700 bilhões.

Portanto, sejamos mais específicos: a NVIDIA é especialista em um tipo específico de componente, as graphic processing units (GPUs) — as boas e velhas placas de vídeo. Se você pensa em usar o computador para editar vídeos, renderizar gráficos em 3D ou instalar games de última geração, saiba que uma GPU potente é um pré-requisito.

E é aqui que a NVIDIA começa a dar o pulo do gato: a empresa é conhecida por fabricar as mais potentes GPUs do mercado — e que são objeto de desejo de gamers, streamers, editores gráficos e todo tipo de pessoa que, de alguma maneira, depende de uma capacidade de processamento de vídeo muito elevada.

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É claro que todo esse avanço tecnológico tem um custo, e ele é elevado. Uma placa de vídeo GeForce RTX 3080 TI — a mais moderna da NVIDIA — é vendida por quase R$ 15 mil; o modelo anterior, da linha RTX 2080, sai mais em conta: R$ 10 mil. Games exigem investimento, não é mesmo?

Nvidia GeForce RTX 30 bitcoin criptomoedasPlaca GeForce RTX 30, o carro-chefe da NVIDIA e objeto de desejo de 9 a cada 10 pessoas que pretendem rodar os games mais modernos no computador

Você já deve ter entendido onde eu quero chegar: estamos falando de uma empresa que fabrica os melhores produtos de sua categoria — e que conta com um mercado consumidor amplo e disposto a pagar preços altos. É o cenário dos sonhos para qualquer companhia.

Mas, além das GPUs em si, a NVIDIA também tem todo um ecossistema de hardware com base no processamento de vídeo: notebooks voltados para games, monitores, sistemas em nuvem para análise de dados, tecnologia para conectividade em alta velocidade e muitos outros produtos correlatos.

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É, portanto, uma empresa de tecnologia voltada ao fornecimento de hardware com foco em games e processamento gráfico. Mas não só isso — o mundo das criptomoedas também está de olho na companhia.

A demanda inesperada do mercado de criptomoedas

Ok, ficou claro que a NVIDIA (NVDA) está bem posicionada no que diz respeito à demanda por placas de vídeo e outros componentes gráficos para computadores e games — a receita no presente, assim, parece garantida. Mas e o futuro?

É claro que é razoável partir do pressuposto que, conforme os games ficam mais refinados e a necessidade de capacidade de processamento aumenta, a NVIDIA vai continuar desenvolvendo GPUs cada vez mais poderosas. Só que a empresa — talvez, num golpe de sorte — viu um novo público-alvo surgir para seus produtos: os mineradores de criptomoedas.

Sem entrar em detalhes excessivamente técnicos e, de maneira bastante simplificada: a mineração de criptomoedas depende de computadores altamente potentes. Mas, mais importante que a velocidade dos processadores em si, é a capacidade gráfica das GPUs — assim, placas de vídeo de última geração são mais eficazes no processo.

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Ou seja: os mesmos produtos que eram cobiçados por gamers e editores de vídeo também passaram a ser disputados pela comunidade das criptomoedas — e, com a demanda em alta, o preço das placas de vídeo foi às alturas, provocando até mesmo uma escassez de GPUs de última geração no mercado.

A NVIDIA, é claro, não deixou o cavalo selado passar pela porta de sua sede: ao ver um novo nicho de mercado surgindo, ela agiu rápido e criou uma linha de produtos voltados à mineração de criptomoedas. Quase que do dia para a noite, toda uma nova divisão de negócios foi desenvolvida — e com uma demanda que promete durar por anos.

O metaverso vem aí

Por fim, há o terceiro pé dessa mesa: as possibilidades do futuro . Ao ocupar o cargo de produtora das GPUs mais avançadas do mercado, a NVIDIA (NVDA) se coloca como natural postulante ao desenvolvimento da tecnologia necessária para dar escala ao metaverso.

Pense, por exemplo, nos óculos de realidade virtual necessários para a navegação do metaverso. Será preciso ter uma capacidade brutal de processamento gráfico, de modo a viabilizar a criação de universos tridimensionais em tempo real. E não há outra empresa no mercado além da NVIDIA capaz de cumprir essa tarefa.

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O Meta/Facebook, com seu investimento bilionário no desenvolvimento da Oculus — o hardware para navegação no metaverso — precisará de algum tipo de parceria com a NVIDIA para que GPUs muito mais potentes que as existentes hoje sejam acopladas aos óculos de realidade virtual, uma tecnologia que, até lá, continuará sendo usada por gamers e mineradores de criptomoedas.

Assim, a demanda aquecida que vemos hoje tem plenas condições de se sustentar por muitos anos, em paralelo ao desenvolvimento do metaverso — e, uma vez que ele esteja funcionando, a NVIDIA aparece bem posicionada para ser a grande fornecedora de GPUs necessários para a exploração desse universo.

"A Nvidia deve se tornar o grande player do chamado metaverso", diz João Piccioni, analista da Empiricus e especialista em ações estrangeiras. "Por meio do Omniverse, a companhia deve conseguir integrar praticamente todas plataformas de modelagem e simulação de projetos e praticamente integrar diferentes fases de um projeto em um único local".

NVIDIA: disparada financeira

Esse contexto de presente forte e futuro promissor, seja pelo metaverso ou pelas criptomoedas, deu ânimo aos resultados financeiros da NVIDIA (NVDA) ao longo do passado recente. Repare que, desde o terceiro trimestre de 2020, a receita líquida, o lucro operacional e o lucro líquido da companhia sobem de maneira sequencial — o que, inclusive, fez a empresa revisar para cima as suas projeções para 2021.

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“O terceiro trimestre foi espetacular, com recorde nas receitas", disse Jensen Huang, fundador e CEO da NVIDIA, em mensagem aos acionistas durante a divulgação do último balanço da empresa. "A linha RTX de GPUs reinventou a computação gráfica com o ray tracing e a inteligência artificial, e é a atualização ideal para o mercado cada vez maior de gamers e criadores, além de designers e profissionais construindo estações de trabalho em casa".

Em relatório, o analista Matt Bryson, da Wedbush, mostrou animação com os mais recentes resultados trimestrais da NVIDIA, ressaltando que os números superaram as expectativas do mercado. O especialista ponderou que as projeções da companhia para o futuro não foram tão fortes quanto se supunha, mas diz que, dado o histórico consistente da NVIDIA em entrega de resultados, é difícil reclamar.

Do lado do hardware, a companhia continua anos à frente das concorrentes

João Piccioni, analista da Empricus

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NVIDIA (NVDA e NVDC34): sucesso na bolsa

Conforme discutimos no começo desse texto, as ações da NVIDIA tiveram uma alta vertiginosa na bolsa americana, quase quintuplicando seu valor em dois anos. Muitos, no entanto, questionam o atual patamar de preço dos papéis, já próximo dos US$ 300.

Segundo dados do Yahoo Finance, as ações da NVIDIA (NVDA) são negociadas com um múltiplo de P/L futuro próximo de 60 vezes, um nível bastante elevado até mesmo para empresas de tecnologia que estão em fase de crescimento expressivo. O múltiplo EV/Vendas está acima de 30 vezes, uma marca igualmente esticada.

Matt Bryson, da Wedbush, é um dos que se mostra incomodado com o valuation de NVDA, por mais que o desempenho financeiro da companhia seja bastante sólido. "Mais uma vez, a NVIDIA entregou resultados fortes e superou as projeções. Mas os múltiplos elevados nos deixam receosos".

Ainda assim, as perspectivas futuras animadoras, com a expectativa de demanda aquecida por anos para as placas de vídeo e de aplicações diretas dos produtos da companhia no desenvolvimento do metaverso a colocam numa posição rara: a de empresa que possui múltiplos de uma companhia de tecnologia promissora, mas que já entrega resultados sólidos.

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Na bolsa brasileira, os BDRs da NVIDIA (NVDC34) mostram comportamento semelhante ao das ações nos EUA: cotadas a R$ 32,90 no fechamento de sexta-feira (17), elas acumulam ganhos de mais de 130% desde o começo do ano.

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