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Renato Carvalho

Dinheiro roxo

Com aporte de Warren Buffett, Nubank se aproxima de gigantes e ganha fôlego para expansão

Banco digital ultrapassa os R$ 150 bilhões em valor de mercado após investimentos que somam US$ 750 milhões. Na visão de analistas, IPO não parece ser prioridade

Renato Carvalho
8 de junho de 2021
14:18 - atualizado às 18:55
Montagem mostra Warren Buffett segurando o cartão do Nubank
Montagem mostra Warren Buffett segurando o cartão do Nubank - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

“O roxo é uma cor que não se vê, se sente”. Esta é uma das definições que se encontra na internet, que também trata o roxo como símbolo de criatividade e de mistério.

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Parece que os investidores sentem a cor do Nubank cada vez mais presente no mercado de serviços financeiros no Brasil e na América Latina, e contam com a criatividade inspirada pelo roxo para que o banco consiga desvendar o mistério da lucratividade.

Em um único dia, a empresa anunciou dois grandes aportes de recursos, o maior deles de US$ 500 milhões, feitos pelo conglomerado Berkshire Hathaway, de Warren Buffet.

Além de Buffett, outra injeção de US$ 250 milhões foi liderada pela Sands Capital, com a participação de investidores como a Absoluto Partners e a Verde Asset Management, liderada por Luis Stuhlberger.

Confira o comentário de Richard Camargo, analista da Empiricus, sobre a movimentação:

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Assim, somente na Série G de investimentos, o Nubank levantou um total de US$ 1,15 bilhão. Em janeiro, a empresa conseguiu levantar US$ 400 milhões com vários investidores. E desde sua fundação, foram US$ 2 bilhões em aportes.

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Fontes ressaltam que com estes novos US$ 750 milhões, o Nubank chega a um valor de mercado de US$ 30 bilhões, ou R$ 151 bilhões, com o dólar cotado a R$ 5,04.

Assim, o banco se aproxima ainda mais do Santander Brasil, que atualmente vale R$ 170 bilhões, ou algo em torno de US$ 34 bilhões. E “abre vantagem” sobre a XP, que vale US$ 23 bilhões.

Os valores refletem a expansão acelerada do Nubank desde que foi fundado, em 2013. São 40 milhões de clientes, com um ritmo de crescimento de 45 mil novos correntistas por dia em 2021.

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No entanto, um desafio ainda se faz muito presente para o Nubank. Se tornar uma empresa lucrativa. Em 2020, a instituição teve prejuízo de R$ 230 milhões. É verdade também que o número melhorou em relação a 2019, quando as perdas foram de R$ 313 milhões.

Para Max Bohm, analista da Empiricus, o crescimento do Nubank realmente impressiona. Mas quando se trata de IPO, a lucratividade é o ponto principal a ser observado.

No começo de maio, quando surgiram com mais força as notícias sobre uma eventual abertura de capital do Nubank, Bohm questionou como o banco começaria a monetizar sua crescente base de clientes.

“Será que se o Nubank começar a cobrar taxas em sua conta e no cartão de crédito, se aumentar os preços dos seguros, se cobrar corretagem na Easynvest, vai conseguir manter este número de clientes e ter lucro com eles?” Bohm espera inclusive um novo prejuízo para 2021.

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Outra fonte que acompanha de perto a história do Nubank, e que prefere não se identificar, diz que o banco digital não vai fazer um IPO por fazer.

“Eles não precisam ir a mercado para captar recursos, e ainda estão pensando na expansão. Estão entrando em países como México e Colômbia, por exemplo. Acho que o Nubank ainda está se preparando melhor para este passo, sem pressa”, afirma.

Para Caio Kanaan Eboli, sócio e diretor operacional da mesa proprietária Axia Investing, os recursos serão utilizados para "expansão internacional e atração de 'talentos globais'".

O fundador e CEO do Nubank, David Vélez, dá uma pista das pretensões da companhia. "Cerca de 50% da população da América Latina ainda não tem conta bancária. A penetração do cartão de crédito é de, em média, 21%, enquanto nos Estados Unidos este número bate 70%”.

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Forte no Brasil

No Brasil, o banco já conseguiu se estabelecer na cabeça das pessoas. Segundo levantamento feito pela plataforma Quanto, em parceria com a gestora de investimentos Constellation, o Nubank é utilizado por 47% dos 2 mil entrevistados pela pesquisa, e é o banco principal de 22%.

Segundo a pesquisa, o Banco Inter é o segundo em termos de usuários, com 22%, mas é o principal banco de apenas 6% dos entrevistados.

E o Open Banking deve tornar a competição bancária mais acirrada e também mais clara, segundo explica Ricardo Taveira, CEO e fundador  da Quanto.

Ele conta que 62% das pessoas ouvidas preferem os bancos digitais, mas mantêm suas contas nos tradicionais para não perder histórico financeiro.

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“Metade dos entrevistados afirma nunca ter fechado uma conta bancária. Isso reforça a importância do Open Banking”, afirma. A ferramenta vai permitir que dados e históricos bancários sejam acessados por qualquer instituição financeira.

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