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Depois de cancelar mudança para os EUA quando já estava no portão de embarque, Inter avisa que não vai desfazer as malas
O Inter (BIDI11) cancelou sua migração para os EUA quando já estava no portão de embarque, mas não tem a menor intenção de desfazer as malas e manteve o bilhete em aberto.
Um dia depois de anunciar o cancelamento de sua tão esperada internacionalização, o laranjinha informou hoje a seus acionistas que “seguirá envidando seus melhores esforços para dar continuidade ao processo de reorganização societária com vistas à migração de sua base acionária para a Inter Platform”.
Inter Platform é o nome que o banco pretende assumir quando - ou se - alcançar a ambição de deixar a B3 e desembarcar na Nasdaq.
A seguir - ainda que não necessariamente nessa ordem -, explicaremos a você por que o Inter quer sair do Brasil, por que cancelou a migração e por que pretende insistir na ideia.
Ao manifestar a intenção de seguir com o processo de reorganização, a direção do Inter afirma entender que o fato de mais de 80% dos acionistas terem apoiado a ideia justifica a insistência.
Segundo o banco, o que atrapalhou a concretização da ideia neste momento foi uma “combinação da mecânica para pagamento da opção cash-out e do cenário adverso atual do mercado de capitais brasileiro”.
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Em reação à notícia, BIDI11 e BIDI4 operavam em alta no início da tarde de hoje.
Ainda não há, entretanto, informações sobre quando novidades devem vir à tona.
Os acionistas do Inter tinham até ontem para decidir se aceitavam trocar suas ações BIDI11 e BIDI4 por recibos de ações (BDRs) do Inter Platform ou se preferiam receber o valor correspondente em dinheiro.
Uma das condições para que a operação fosse adiante era que o valor desembolsado com quem optou pela segunda opção não passasse dos R$ 2 bilhões. Mas foi justamente o que aconteceu depois de mais de 10% dos acionistas terem manifestado preferência pelo chamado cash-out.
O Inter tinha a prerrogativa de prosseguir com a operação mesmo desembolsando uma soma superior, mas o conselho de administração optou por não exercê-la.
O movimento intenso de investidores optando pela saída do Inter é explicado por dois fatores principais: o valor definido para o cash-out e a queda das ações do banco.
Um laudo contratado pelo Inter determinou o valor de R$ 44,58 por unit BIDI11 ou R$ 15,28 por ação BIDI4 para os acionistas que escolhessem receber em dinheiro.
Na época, a soma era menor do que a cotação das ações, mas agora o jogo está invertido. As units BIDI11 encerraram a sessão de ontem a R$ 32,99, enquanto os papéis BIDI4 eram cotados a R$ 11,20. Ou seja, quem optou por vender os papéis garantiria uma valorização próxima aos 36% em ambos os casos.
A mudança para a Nasdaq permitiria que a família Menin — também dona da incorporadora MRV — mantivesse as rédeas do Inter. Isso é possível graças ao chamado "supervoto", que permite a distinção entre classes de ações.
Os papéis que seriam negociados no mercado (classe A) dariam direito a um voto cada. Já as ações da classe B, que ficariam nas mãos dos atuais controladores, garantiriam 10 votos cada.
Em uma apresentação a investidores para explicar o processo de reestruturação, o Inter destacou que a mudança para a Nasdaq permitiria ao banco levantar quase US$ 19,7 bilhões em capital sem que os atuais controladores perdessem a maioria das ações com direito a voto.
Atualmente, a família Menin possui a maioria das ações com direito a voto, mas já está perto do limite de 50%. Isso significa que, ficando aqui na B3, o limite para novos aumentos de capital sem a perda do controle cai para US$ 569 milhões.
Banco é o único brasileiro na operação, que pode movimentar até US$ 10 bilhões e marca nova tentativa de Bill Ackman de abrir capital; estrutura combina fundo fechado e holding da gestora, em modelo inspirado na estratégia de longo prazo de Warren Buffett.
Carteira recomendada do banco conta com 17 fundos e exposição aos principais setores da economia: infraestrutura, imobiliário e agronegócio
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