Jeff Bezos deixará o cargo de CEO da Amazon; relembre a trajetória do bilionário
Empresário americano, que fundou a companhia em 1994, vai passar o bastão para o atual CEO da divisão de computação em nuvem, braço importante da Amazon

Jeff Bezos deixará o cargo de CEO da Amazon no terceiro trimestre deste ano. O bilionário, que fundou a empresa em 1994, vai passar o bastão para o atual CEO da Amazon Web Services (AWS), Andy Jassy.
Em carta os funcionários da empresa publicada nesta terça-feira (2), Bezos disse que deve se dedicar a outras iniciativas. "Quando você tem uma responsabilidade como essa [de CEO da Amazon], é difícil ter atenção a qualquer outra coisa".
O bilionário planeja passar mais tempo com a filantropia, com a "Bezos Earth Fund" e a "Day One Fund". O Washington Post, comprado pelo empresário em 2013, e a Blue Origin também devem tomar mais tempo do executivo.
Veja no vídeo abaixo da análise de João Piccioni, especialista em ações de empresas globais da Empiricus:
[captacao]
Jassy, que será o novo CEO, chegou na companhia em 1997, no ano em que a empresa abriu capital. Desde 2003, o executivo comanda a AWS, a frente de computação em nuvem da empresa.
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Sob a gestão de Jassy, a AWS passou a gerar US$ 40 bilhões em receita anual para a Amazon. A divisão é líder de computação em nuvem, com 30% de participação de mercado.
Empreitada bilionária
Bezos deu início à empreitada que o deixou bilionário há 26 anos, na costa Oeste dos Estados Unidos. Então analista financeiro em Wall Street, ele pediu demissão para vender livros pela internet - com a esposa na época, MacKenzie.
O esboço do plano que daria origem à Amazon foi feito durante uma viagem de carro do casal e colocado em prática no verão de 1994. Dois meses depois de abrir a empresa, Jeff Bezos matriculou-se em um curso na Associação Americana de Livrarias para aprender a vender livros.
Quase um ano depois, a Amazon fez sua primeira venda. Por dois anos, o casal trabalhou pesado, empacotando e despachando as encomendas. Em janeiro de 2019, eles anunciaram um divórcio bilionário.
Bezos e Mackenzie acreditavam que quando as pessoas aprendessem a comprar livros passariam a adquirir outras coisas online. O fundador da Amazon trabalhou em cima da lógica de que os preços baixos atraíam clientes e que isso aumentava os volumes de venda - o que, por sua vez, fazia os preços caírem ainda mais.
Sem os custos de manutenção de uma loja física, a empresa facilmente igualava ou superava os descontos de outras livrarias. Com sua escala e disposição para operar com margens zero, Bezos impôs uma barreira a potenciais concorrentes e deixou muita gente pelo caminho.
Resultados
O bilionário já demonstrou que entre lucrar e expandir o alcance de seu conglomerado, vai sempre optar pelo segundo caminho. Os investidores custaram a entender essa lógica, mas também se dobraram ao modelo de Jeff Bezos, que esperou seis anos para ver o balanço da Amazon no azul.
Nesta terça, a Amazon anunciou também um lucro líquido de US$ 7,2 bilhões no quarto trimestre de 2020, ou US$ 14,09 por ação diluída, um avanço ante os US$ 3,3 bilhões, ou US$ 6,47 por ação, de igual período de 2019.
O resultado superou com folga a previsão de lucro de US$ 7,19 por ação dos analistas ouvidos pela FactSet. As vendas da companhia ficaram em US$ 125,6 bilhões no quarto trimestre do ano passado, também acima dos US$ 87,4 bilhões de igual período de 2019.
Em setembro de 2018, a Amazon foi avaliada em mais de US$ 1 trilhão pela primeira vez. Hoje, a empresa vale US$ 1,69 trilhão. A fortuna de Bezos é avaliada em US$ 196,4 bilhões - ele é o segundo homem mais rico do mundo.
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