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2021-04-12T07:46:44-03:00
Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.
apetite sem fim

Intermédica não basta: Hapvida quer captar R$ 2,7 bi para comprar mais ativos

Operadora de saúde vai ao mercado em busca de novos recursos, mas pode esbarrar nas mesmas dificuldades enfrentadas pela Dasa

12 de abril de 2021
7:46
Hospital Eugênia Pinheiro, da Hapvida
Hospital Eugênia Pinheiro, da Hapvida - Imagem: Divulgação

O apetite da Hapvida (HAPV3) parece sem fim. Em meio a negociações para incorporar sua principal rival, a Notre Dame Intermédica (GNDI3), a operadora de saúde verticalizada vai ao mercado em busca de mais recursos para novas aquisições.

A companhia anunciou no domingo (11) a realização de uma oferta pública de distribuição primária e secundária (follow on) de, inicialmente, 133.333.334 ações ordinárias, e pode totalizar 180 milhões de novos papéis considerando o lote adicional e suplementar. A operação tinha sido antecipada pelo site “Pipeline”, do jornal “Valor Econômico”.

Com base na cotação em que os papéis fecharam a sexta-feira (9), de R$ 14,87, a Hapvida pode levantar de R$ 2 bilhões (considerando a oferta básica) a R$ 2,7 bilhões. O preço em que as ações serão emitidas será anunciado em 20 de abril, após o fim do processo de consulta de interesse com investidores, no chamado bookbuilding.

A oferta, voltada apenas a investidores institucionais, está sendo coordenada pelos bancos e corretoras BTG Pactual, Bank of America (BofA), Itaú BBA, XP, Credit Suisse e Citigroup.

Disputa pela ponta

No prospecto do follow on, a Hapvida informa que os recursos da parte primária da oferta serão destinados a potenciais fusões e aquisições, “que possam contribuir para a execução da estratégia de expansão para novos mercados”, e para investimentos na estrutura atual da companhia e de empresas recém adquiridas.

A operadora vem expandindo sua atuação nos últimos anos por meio de aquisições, buscando se consolidar como a maior operadora de saúde verticalizada do país. Para isso, já realizou oferta subsequente, emissão de debêntures e, é claro, a abertura de seu capital social – em 2018, ela levantou R$ 3,4 bilhões em sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Sua principal operação é a incorporação da Notre Dame Intermédica, que a tornará uma das maiores provedoras de soluções de saúde verticalizadas no mundo, ficando em uma posição confortável para confrontar outros nomes do segmento, que também buscam recursos no mercado para adquirir ativos e expandir suas operações.

Recentemente, a Diagnósticos da América (DASA3), uma das principais redes de medicina diagnóstica do país, captou R$ 3,8 bilhões por meio de uma oferta restrita de ações justamente para adquirir ativos.

Essa oferta, aliás, pode ser um mau presságio do que está por vir para a oferta da Hapvida. A companhia controlada pela família Bueno, fundadora da Amil, teve que vender as ações por um preço abaixo do que queria e os controladores tiveram que colocar R$ 500 milhões para não serem diluídos nesse nível de preço, considerado baixo.

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