Primeiro passo foi dado: acionistas aprovam a fusão entre Hapvida e NotreDame Intermédica
União, que ainda precisa ser aprovada pelas autoridades regulatórias, criará uma das maiores provedoras de saúde verticalizada do mundo

Uma das etapas para a consumação da fusão entre Hapvida (HAPV3) e NotreDame Intermédica (GNDI3) foi concluída nesta segunda-feira (29): a aprovação da operação pelos acionistas das duas empresas, nos termos acertados pelas administrações.
A operação, que resultará na criação de uma das maiores provedoras de soluções de saúde verticalizadas no mundo, ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
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Como será a combinação
Protagonistas de uma grande corrida por aquisições desde que abriram o capital na B3 em 2018, os dois grupos começaram a discutir seriamente uma união no começo deste ano, quando a Hapvida fez uma proposta de fusão com a rival para a combinação das bases acionárias das duas companhias. A ideia era que os acionistas da Hapvida detivessem 53,1% da empresa fruto da união, e os da Intermédica, 46,9%.
No final de fevereiro, elas chegaram a um acordo sobre os termos, que ficaram parecidos com o que estava sendo negociado no começo.
Cada acionista da Notre Dame receberá 5,2490 ações ordinárias da Hapvida por papel da empresa, além do valor de R$ 6,45, o que resultará na empresa combinada em que acionistas da Hapvida passariam a deter 53,6% do capital social enquanto os da Intermédica teriam 46,4%.
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Irlau Machado Filho, atual diretor-presidente da NotreDame, e Jorge Pinheiro, diretor-presidente da Hapvida, atuarão como co-CEOs na nova empresa combinada. O conselho de administração será ampliado para, no mínimo, nove membros, sendo dois indicados pelo atual conselho da NotreDame, cinco pela Hapvida (incluindo o presidente do colegiado) e dois independentes.
A nova operadora de saúde deverá contar com 84 hospitais, 280 clínicas e 257 unidades de diagnóstico, além de 8,4 milhões de vidas em sua carteira de clientes – sendo 4,6 milhões delas do segmento odontológico.
Revolucionando o setor de saúde
Na visão dos analistas, a Hapvida e a NotreDame Intermédica não devem encontrar grandes dificuldades para a aprovação da operação no Cade, com o ponto mais crítico sendo possivelmente Minas Gerais, onde as companhias possuem cerca de 16% do mercado.
Quando os termos foram divulgados ao mercado, os analistas Samuel Alves e Yan Cesquim, do BTG Pactual, estimaram que a nova empresa deve concentrar cerca de 18% da participação de mercado e deve ter um custo total de R$ 116 milhões, valor insignificante perto da sua avaliação de R$ 112 bilhões, com grande capacidade de sinergia entre as empresas, o que deve impulsionar a venda de planos individuais e de cobertura nacional - com a ampliação da escala geográfica de atuação.
Para Roberto Otero, do Bank of America, as companhias têm potencial de atingir um valor de mercado superior a R$ 120 bilhões após as devidas sinergias e crescimento, mesmo que uma preocupação com a sinistralidade venha pesando sobre os papéis desde dezembro de 2020.
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