MRV (MRVE3) ensaia retorno aos bons tempos com geração de caixa no 2T25 e até Resia fica no azul — mas nem tudo foi festa
De acordo com a prévia operacional divulgada nesta segunda-feira (14), a MRV&Co voltou a gerar caixa no 2T25 — mas a operação principal ainda ficou no vermelho

Tijolo por tijolo, a MRV (MRVE3) parece estar avançando na missão de voltar à era de ouro. De acordo com a prévia operacional do segundo trimestre de 2025, divulgada na noite desta segunda-feira (14), a MRV&Co — holding que reúne as operações da MRV Incorporação, Luggo, Urba e Resia — registrou uma geração de caixa de R$ 136,4 milhões.
O resultado representa uma virada em relação à queima de R$ 375,9 milhões no mesmo período do ano passado e dos R$ 381,4 milhões negativos apurados no primeiro trimestre deste ano.
A maior contribuição veio da Resia, braço norte-americano do grupo e a principal preocupação dos acionistas, que teve uma geração de caixa de US$ 39,3 milhões entre abril e junho deste ano, com a venda do projeto de Dallas West e menos gasto em construção, revertendo a queima de US$ 65,9 milhões registrada no mesmo período do ano passado.
A Urba, focada em loteamentos e bairros planejados, teve geração de R$ 8,7 milhões de caixa. A Luggo, concentrada na locação de imóveis residenciais, queimou R$ 30,1 milhões.
No entanto, a MRV Incorporação, principal negócio do grupo, ainda registrou uma queima de caixa de R$ 54,1 milhões no trimestre.
A queima de caixa na MRV Incorporação
Essa queima de caixa pode ser atribuída a alguns fatores. O primeiro foi uma mudança de procedimento na Caixa Econômica Federal, que passou a liberar os recursos apenas após o registro dos contratos — o que gerou um impacto negativo de R$ 45 milhões no caixa.
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O segundo fator envolve entraves com cerca de 1.324 unidades que, embora vendidas, não puderam ser repassadas aos bancos e, por isso, não foram reconhecidas como receita.
Ao longo do trimestre, a MRV vendeu 767 dessas unidades, mas conseguiu repassar apenas 663. Além disso, 198 contratos foram cancelados antes mesmo do repasse, resultando no total de unidades pendentes.
Segundo o CFO da MRV, Ricardo Paixão, em entrevista ao Seu Dinheiro, o problema decorre de entraves temporários em programas habitacionais regionais, que afetaram principalmente os chamados “cheques regionais” — subsídios concedidos por governos estaduais ou municipais para complementar os recursos do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
A empresa informou que, sem esses efeitos, a geração de caixa no core business do grupo teria sido de R$ 88 milhões no trimestre.
A empresa afirma que parte desses problemas já foi resolvida, como no caso do Rio Grande do Sul, e projeta uma regularização nos próximos trimestres.
No resultado ajustado, que exclui a R$ 20,6 milhões de efeitos contábeis de swaps das dívidas e os juros da dívida corporativa, a queima de caixa foi de R$ 37,7 milhões.
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Mais destaques da prévia operacional
Os lançamentos da MRV Incorporação somaram R$ 3,4 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) no segundo trimestre de 2025, um avanço de mais de 54% na base anual. No semestre, esse número chegou a R$ 6,3 bilhões, salto de 65,5% na comparação com os seis primeiros meses de 2024.
Entre abril e junho de 2025, a incorporadora atingiu R$ 2,6 bilhões em vendas líquidas, uma aceleração de 5,8% em relação ao mesmo período de 2024 e de quase 24% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
Mas esse número poderia ter sido ainda mais robusto se não fosse cerca de R$ 310 milhões não contabilizados em razão das unidades não repassadas aos bancos.
Entre janeiro e junho deste ano, essa linha do balanço alcançou R$ 4,8 bilhões, o que representa aumento de quase 4% frente ao mesmo intervalo de 2024.
O número de unidades produzidas também aumentou 11% ano a ano, para 9.872, enquanto a velocidade de vendas (VSO) caiu 9,4 pontos percentuais (p.p) em relação ao mesmo período do ano passado, para 25% no segundo trimestre. Nos seis primeiros meses do ano, o VSO ficou em 40%, queda de 13,9 p.p versus o primeiro semestre de 2024.
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