Grupo canadense apresenta proposta pelo Carrefour global e ações chegam a subir mais de 8% na B3
Alimentation Couche-Tard quer diversificar sua atuação para além de lojas de conveniência e postos de gasolina
O Carrefour Brasil (CFRB3) informou nesta quarta-feira (13) que a sua controladora francesa está avaliando uma proposta de incorporação apresentada pelo grupo canadense Alimentation Couche-Tard.
De acordo com o comunicado, as negociações possuem caráter “amigável” e ainda estão em fase preliminar, sem apresentar detalhes financeiros ou como a incorporação seria realizada.
A notícia sobre a intenção do Couche-Tard de unir as operações com o Carrefour foi adiantada na terça-feira (12) pela agência de notícias “Bloomberg”. Segundo ela, a companhia canadense ofereceu 20,00 euros por ação do Carrefour, um prêmio de 30% em relação ao fechamento de segunda-feira.
A confirmação da proposta faz os papéis do Carrefour Brasil liderarem as altas do Ibovespa durante uma parte do dia. Na máxima, os papéis chegaram a avançar 8,83%, mas fecharam com ganho de apenas 1,04%, a R$ 20,36.
Quem é a Couche-Tard
O grupo canadense é dono de uma enorme rede de lojas de conveniências e está tentando diversificar a atuação da empresa com a proposta apresentada ao Carrefour, entrando para o ramo de supermercado, além de expandir sua presença na Europa e na América Latina, de acordo com a reportagem.
A Couche-Tard possui uma rede de mais de 9 mil lojas de conveniência no Canadá e nos Estados Unidos, a maioria com serviço de posto de combustível. Ela tem ainda cerca de 2,7 mil unidades na Europa e 2,2 mil lojas espalhadas por países como México, Nova Zelândia e Vietnã.
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No segundo trimestre do ano fiscal de 2021, encerrado em 11 de outubro, a empresa canadense registrou uma receita de US$ 10,6 bilhões, recuo de 22% em relação ao mesmo período do ano fiscal passado, por conta dos efeitos da covid-19. Apesar disso, ela registrou lucro de US$ 757 milhões, alta de 31%.
Vantagens e desvantagens
Os analistas Irma Sgarz, Thiago Bortoluci e Chandru Ravikumar, do Goldman Sachs, não quiseram emitir opinião sobre os méritos do acordo sendo negociado, mas destacaram que, caso seja concretizado, ele acionará o mecanismo de tag along – instrumento de proteção aos minoritários no caso de mudança no controle da companhia.
Isso porque as ações do Carrefour no Brasil estão listadas no Novo Mercado, cujas regras determinam que, no caso de alienação do controle, todos os acionistas têm direito a vender suas ações pelo mesmo preço atribuído às ações detidas pelo controlador.
Este foi um dos motivos para a alta das ações do Carrefour Brasil nesta quarta-feira (13).
Para a XP Investimentos, o preço a ser oferecido pela Couche-Tard irá refletir tanto as operações na Europa como as no Brasil, que representam em torno de 20% da receita total da rede francesa.
"Dessa forma, uma melhor avaliação do grupo implicaria que a empresa canadense estaria vendo um maior valor potencial tanto nas operações da Europa como nas brasileiras", diz trecho do relatório assinado pelos analistas Marco Nardini, Thiago Suedt e Danniela Eiger.
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