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plano de enxugamento

Crise com Bolsonaro foi problema de comunicação, diz presidente do Banco do Brasil

Brandão disse acreditar que o presidente entendeu o plano do BB de fechamento de agências; companhia pretende economizar R$ 3 bilhões anuais de forma recorrente

(Brasília - DF, 27/10/2020) André Brandão. Foto: Alan Santos/PR -

O presidente do Banco do Brasil, André Brandão, atribuiu a crise política gerada pelo plano de fechar mais de 300 agências a um "problema de comunicação" com o presidente Jair Bolsonaro.

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"É razoável o presidente, governadores e senadores estarem preocupados", disse em entrevista coletiva nesta sexta-feira (12). "Não tive tempo de conversar com todos eles, mas de forma alguma a gente vai desassistir nenhum município ou estado".

Brandão afirmou que há um processo de preparação de fechamento de agências que envolve um diálogo com governadores e clientes regionais. Mas disse que ainda pretende conversar com Bolsonaro, quando as agendas permitirem. "Creio que Bolsonaro entendeu que o estamos fazendo".

[captacao]

O Banco do Brasil anunciou em janeiro um plano de reestruturação que envolvia, além do fechamento de agências, a demissão incentivada de mais de 5 mil funcionários. A medida foi criticada pelo presidente da República, alimentando os rumores de demissão de Brandão.

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A instituição planeja economizar R$ 3 bilhões por ano com o corte de despesas - R$ 780 milhões por ano com as demissões. "São pessoas muito próximas de estarem aposentadas", disse o presidente do BB.

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Brandão, que assumiu a presidência do BB em setembro passado com a promessa de melhorar a rentabilidade do banco, destacou que a instituição continua com o processo de desinvestimentos.

"Quando cheguei aqui demos uma pausa, mas as avaliações continuam", disse. "Temos várias transações, com consultores ajudando no processo, e metas de acelerar o processo em várias frentes".

O executivo não revelou qualquer data ou processo que já estaria avançado, mas voltou a falar que o Banco do Brasil não pretende se desfazer da participação na empresa de maquininhas de cartão Cielo, como o mercado chegou a especular.

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Queda no lucro

O Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 12,697 bilhões em 2020, em uma queda anual de 30,1%, segundo balanço divulgado pela companhia nesta quinta-feira (11).

O desempenho da última linha do balanço da instituição seguiu a tendência dos pares privados, por causa das perdas com a crise desencadeada pela pandemia. Até agora, o Itaú Unibanco já revelou uma queda de 34,6% do lucro em 2020 e o Bradesco teve recuo de 24,8% na cifra.

O BB informou ainda ter uma carteira de crédito ampliada de R$ 742,0 bilhões ao final de dezembro, em uma alta de 1,5% sobre os dados de setembro e em avanço de 9% na comparação anual.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido chegou a 12,1%, afetada pelas provisões. A linha era de 12% ao final do trimestre anterior e de 17% em 2019. A instituição retomou as projeções, esperando lucro líquido ajustado entre R$ 16 bilhões e R$ 19 bilhões em 2021.

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O que dizem os analistas

O analista Marcel Campos, da XP Investimentos, reiterou a recomendação de compra dos papéis do BB em relatório, com preço-alvo de R$ 43. No entanto, ele disse que a casa prefere a ação do Bradesco, entre as instituições financeiras.

Para a XP, o Bradesco pode estar mais bem posicionado para captar a recuperação econômica e aumentar a lucratividade no curto prazo. "Além disso, o Bradesco também está mais consciente dos custos e deve ter uma vantagem de longo prazo no negócio de seguros", disse o analista.

Em relação ao Banco do Brasil, Campos disse ver na a capacidade do banco de retornar à lucratividade "mais um desafio", mas disse que a empresa está bem defendida com:

  • 41% das operações de crédito do agronegócio e consignado, que apresentam inadimplência estruturalmente menor;
  • um índice de nível I de capital de 17,3%, uma adequação de capital bastante confortável;
  • 348% do índice de cobertura, "que acreditamos ser suficiente, já que a carteira de crédito do banco deve se comportar melhor do que os concorrentes (embora seu índice de inadimplência pareça muito artificial)".

A XP também chamou atenção para as provisões operacionais, com ações trabalhistas e cíveis que "parecem ter voltado". As provisões operacionais do BB para essas linhas atingiram R$ 5,8 bilhões nos primeiros meses de 2019, contra R$ 2,4 bilhões no mesmo período de 2020.

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"Esperávamos que a linha não ultrapassasse R$ 1 bilhão em provisões por trimestre. No entanto, a linha cresceu 118% no trimestre, para R$ 1,8 bilhão, sem explicações adicionais", disse Campos. "Se o banco tivesse mantido as provisões baixas, o lucro teria ultrapassado R$ 4 bilhões".

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