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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Sem mudança na estrada

Nova Dutra, velho conhecido: CCR (CCRO3) vence o leilão e mantém a rodovia por mais 30 anos; ações dispararam na B3

A CCR (CCRO3) ofereceu o maior desconto na tarifa de pedágio pela Dutra e, com isso, manteve a concessão da rodovia por mais 30 anos

Victor Aguiar
Victor Aguiar
29 de outubro de 2021
15:22 - atualizado às 19:04
Logotipo da Nova Dutra da CCR
A rodovia foi uma das primeiras a passar para a concessão da iniciativa privada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1996. Era uma época em que o risco de se investir em concessões de infraestrutura era elevadíssimo. - Imagem: ANTT

O maior leilão de rodovias da história do país terminou sem novidades: a CCR (CCRO3) não deu chance para o azar e venceu o leilão da Nova Dutra, mantendo a concessão em seu portfólio por mais 30 anos. A empresa ofereceu um desconto de 15,31% sobre a tarifa básica de pedágio — a taxa máxima prevista no edital — e, com isso, superou a proposta de 10,60% feita pela EcoRodovias (ECOR3), a outra empresa que estava na disputa.

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Como resultado, as ações da CCR passaram a subir fortemente na B3: logo após o anúncio do resultado, CCRO3 chegou a tocar os R$ 11,95, em alta de quase 4%. No fechamento, porém, os papéis já tinham virado o sinal, terminando o pregão em queda de 0,52%, a R$ 11,44.

Em linhas gerais, o mercado já esperava pela vitória da CCR no certame de hoje: por ser a atual concessionária da Dutra, a empresa teria melhores condições de avaliar os potenciais ganhos de eficiência nos investimentos a serem realizados nos próximos anos — e, consequentemente, poderia fazer uma proposta mais agressiva. A tese, assim, se confirmou.

Além da taxa de desconto no pedágio, as empresas também precisavam incluir, em sua proposta, uma outorga a ser paga ao governo federal — e, no caso da CCR, a cifra foi de R$ 1,77 bilhão. A outorga oferecida pela EcoRodovias não foi revelada.

A Nova Dutra

A nova concessão da Dutra envolve investimentos da ordem de R$ 15 bilhões, com outros R$ 11 bilhões em custos operacionais — são as maiores cifras para uma licitação rodoviária desde o início do programa de concessões de ativos de infraestrutura do governo federal.

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Há, no entanto, uma novidade importante para a CCR: o trecho que será concedido à iniciativa privada engloba 625 quilômetros de pistas. Além da conexão entre São Paulo e Rio de Janeiro pela Dutra — a estrada que já é administrada pela empresa —, o pacote também inclui uma parte da rodovia Rio-Santos, ligando a capital fluminense à cidade de Ubatuba, no litoral norte paulista.

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Mapa mostrando a nova concessão da Dutra, que inclui a ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro e um trecho da Rio-Santos, entre Ubatuba e Rio. A Dutra é atualmente administrada pela CCR (CCRO3)
A linha amarela representa a Dutra; em azul o trecho da Rio-Santos que também será concedido no pacote; em roxo, a Serra das Araras, que exige um grande volume de investimentos

Entre as principais obras a serem realizadas, destaque para a duplicação da Serra das Araras, no Rio de Janeiro — uma obra bastante complexa e que foi discutida por anos entre a CCR e o governo federal, sem que um consenso fosse atingido entre as partes. A duplicação da Rio-Santos também está no escopo da concessão.

CCR (CCRO3) e o peso da Dutra

Para a CCR, a Dutra representa um dos ativos mais importantes em sua carteira de concessões. Em 2020, mais de 120 milhões de veículos passaram por seus 402 quilômetros de extensão — há seis praças de pedágio ao longo da rodovia. No ano passado, a concessão rendeu à empresa uma receita bruta de R$ 1,32 bilhão.

Os números da CCR NovaDutra são bastante relevantes na geração de receita da empresa como um todo. Quando olhamos apenas para a carteira de rodovias, a concessão representa cerca de 20% do total; considerando também os ativos aeroportuários e de mobilidade urbana, o peso é de 13% a 15%.

Gráficos de linha e barras mostrando a evolução da receita da CCR (CCRO3) com rodovias e da concessão da NovaDutra

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