‘A Embraer conseguiu fazer a virada’, diz presidente da empresa
Executivo prometeu dobrar o faturamento da empresa nos próximos anos, algo que considerava improvável em 2020; veja entrevista

Depois de um 2020 muito difícil, a Embraer dá sinais de que começa a deixar o pior para trás.
Após sofrer com a crise da covid-19 e com a desistência da Boeing de comprar sua divisão de aviões comerciais, a fabricante brasileira conseguiu registrar um lucro líquido ajustado de R$ 212,8 milhões entre abril e junho de 2021 - o primeiro resultado trimestral positivo desde o começo de 2018.
"A gente conseguiu fazer a virada e preparar a companhia para um crescimento sustentável", disse ao Estadão o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto.
Diante desse resultado, o executivo prometeu dobrar o faturamento da empresa nos próximos anos, algo que considerava improvável em 2020. "(Agora) a visão é um pouco mais otimista do que no ano passado, quando estávamos no meio da crise, sem muita perspectiva. Revisamos o plano e enxergamos esse potencial. É um plano bem robusto e pé no chão."
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:
A Embraer anunciou que pretende dobrar a receita. Em entrevista ao 'Estadão' no ano passado, o sr. disse que dobrar o faturamento até 2025 'seria muito'. O que mudou?
Leia Também
Sabesp (SBSP3) decepcionou no 2T26, mas ação ainda pode subir 40%; XP revela o que falta para destravar a alta
Revolut bate à porta de Wall Street: fintech recebe aval para virar banco nos EUA até 2027
A vacinação avançou. A visão é um pouco mais otimista do que no ano passado, quando estávamos no meio da crise, sem muita perspectiva. Revisamos o plano e enxergamos esse potencial. É um plano bem robusto e pé no chão. Neste ano, a receita vai ficar entre US$ 4 bilhões e US$ 4,5 bilhões. Estamos falando em entregar entre 45 e 50 aviões comerciais e entre 90 e 95 aviões executivos.
Quando se projeta isso para cinco anos, com o crescimento do mercado, imaginamos a aviação comercial voltando a 100 aviões e a executiva passando dos 120 aviões. Também assinamos, em novembro, um contrato de 20 anos de serviços da OGMA (empresa portuguesa de manutenção de aviões em que a Embraer tem 65% de participação) com a Pratt & Whitney (fabricante de motores de aeronaves). I
sso permite quase triplicar o faturamento da OGMA, de € 200 milhões para € 600 milhões por ano. Ainda estamos capturando market share na área de serviço da nossa própria frota. Isso do lado da receita.
Neste ano, com crescimento de receita modesto, saímos de um caixa negativo de US$ 900 milhões para algo entre US$ 150 milhões e zero. O que está acontecendo é puro ganho de eficiência. Reduzimos os estoques, gerenciamos os investimentos, reduzimos os custos do que compramos. A companhia agora é mais ágil, leve e enxuta. Estamos indo para um cenário de maior receita, e a rentabilidade vai melhorar mais que proporcionalmente.
O sr. implementou um programa de corte de custos que reduziu também investimentos em marketing. A Embraer não participou, por exemplo, da feira de Oshkosh (uma das maiores de aviação). Entrando nessa nova fase do setor, com empresas retomando voos, há perspectiva para voltar os investimentos em marketing e no comercial para alavancar vendas?
Esse controle de gastos é inteligente. Estamos tentando usar mais marketing digital. Mas muitas feiras foram canceladas. Em algumas estaremos presentes. Estamos tentando racionalizar, mas não estamos contendo despesa em marketing. Ao contrário, uma das iniciativas é uma série de atividades para fortalecer vendas de produtos existentes.
No ano passado, a empresa demitiu 2,5 mil funcionários. Mais demissões podem ocorrer ou a crise ficou para trás?
Não estamos falando mais em demissão. Estamos agora discutindo o futuro. A produção vai crescer, isso vai demandar mais gente, a menos que ocorra uma catástrofe. Ainda ficamos preocupados quando escutamos sobre a variante Delta. Mas os números do segundo trimestre mostram que a gente conseguiu fazer a virada e preparar a companhia para um crescimento sustentável.
A reunificação da empresa, após a desistência da Boeing na compra da divisão comercial, foi concluída? Como está o processo de arbitragem e quando isso deve terminar?
A reintegração está concluída, com exceção de processos de TI, que esperamos concluir no começo de 2022. O processo de arbitragem é confidencial, mas esperamos que se encerre até janeiro de 2023.
A Embraer anunciou projetos sustentáveis ambientalmente, apresentou inclusive um avião demonstrador elétrico. Mas a empresa também já afirmou que novos projetos só saem do papel quando houver parcerias para diluir o investimento. Avançar nessas pesquisas de novas soluções tecnológicas vão, então, depender de se conseguir sócios?
A gente está no meio termo. No projeto do turboprop (um novo avião turboélice que competiria com o ATR, da Airbus e da italiana Leonardo), recentemente conversamos com aéreas americanas, que mostraram interesse. Continuamos trabalhando no desenvolvimento do produto. O que queremos é acelerar esse processo e, para isso, estamos buscando parceiros. O eVTOL (nome oficial do 'carro voador') segue no mesmo caminho. Estamos negociando com uma Spac (empresa que primeiro abre capital na Bolsa para, depois buscar um projeto para investir) para fechar a estrutura. Continuamos trabalhando no desenvolvimento, mas precisamos de parceiros para acelerá-lo.
Então a possibilidade de não realizar novos projetos sem parceiros continua valendo?
Estamos com boas expectativas boa de fechar parcerias. O eVTOL está mais avançado, mas o turboprop também. Não dá para dizer que não vai acontecer. As coisas são dinâmicas.
A Airbus está trabalhando para desenvolver um avião a hidrogênio. A Boeing aposta em combustíveis sustentáveis. A Embraer apresentou, ontem, várias soluções para ter aeronaves mais sustentáveis. Mas qual seria a grande aposta da empresa?
Nossos aviões já estão preparados para operar com 50% de SAF (combustível de aviação sustentável). Isso só depende de certificação e de ter disponibilidade do combustível. Com relação a outras tecnologias, elas dependem dos fabricantes de motores, até mais do que da Embraer. O SAF é uma opção de curto prazo. O hidrogênio é de mais longo prazo e a eletrificação, neste momento, vemos como uma solução mais difícil para aviões grandes. Nossa abordagem será ampla.
Outras empresas que estão criando eVTOLs prometem entregá-los em 2024. A Embraer poderia antecipar seu prazo, hoje de 2026?
Temos uma engenharia que consideramos muito competente. Esse é um produto disruptivo, não se trata de um avião comum. Nossa engenharia indicou o prazo de certificação para 2025. É difícil julgar o que as outras estão fazendo. No caso da Embraer, que tem experiência de certificação, esse é o melhor que a gente acha que pode fazer.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
LIDERANÇA DE DÉCADAS
Após 24 anos, Steinbruch deixa cargo de CEO da CSN (CSNA3) e outro peso-pesado assume; ação dispara no Ibovespa
3 de setembro de 2026 - 9:08CEDO PARA COMEMORAR?
Banco do Brasil (BBAS3): por que nem a melhora do agro convence a XP a investir na ação?
2 de setembro de 2026 - 15:08BOM PRA CACHORRO
Petz Cobasi (AUAU3) mostra os dentes — veja por que Itaú BBA vê potencial de alta de 32% para a ação
2 de setembro de 2026 - 13:20DOIS 'TIMES' PARA AS ELEIÇÕES
Lula x Flávio Bolsonaro: Citi revela as ações favoritas de bancos se Lula vencer — e onde aposta se Flávio levar
2 de setembro de 2026 - 11:22HISTÓRIA DE UM CASAMENTO
O divórcio saiu: Azzas 2154 (AZZA3) será dividida entre Arezzo&Co e Soma — e Farm fica em ‘guarda compartilhada’
2 de setembro de 2026 - 10:19PARCERIA ESTRATÉGICA
Rede D’Or (RDOR3) e Bradsaúde (SAUD3) desembarcam em Minas Gerais com negócio de R$ 130 milhões pelo Biocor
2 de setembro de 2026 - 10:19NÃO PODE CONTRA, JUNTE-SE
Magazine Luiza (MGLU3) se junta ao Mercado Livre (MELI34) para recuperar vendas online — mas Fred Trajano tem outra aposta para o longo prazo
2 de setembro de 2026 - 9:32SE NÃO MINÉRIO, QUEM VAI FAZER VOCÊ FELIZ?
O novo motor de crescimento da Vale (VALE3): por que a aposta em metais de transição é tão importante para a mineradora?
2 de setembro de 2026 - 6:01SD EXPLICA
A Braskem (BRKM5) quebrou? Entenda a crise na petroquímica e saiba se Petrobras (PETR4) pode pagar a conta
1 de setembro de 2026 - 17:30FICOU BARATA?
Safra volta a recomendar Bradsaúde (SAUD3) após tombo na bolsa. Por que o banco vê espaço para alta de mais de 35%?
1 de setembro de 2026 - 15:02O QUE MUDA AGORA
Ri Happy é vendida pela gestora SPX e tem novo CEO menos de um mês depois de divulgar nova estratégia
1 de setembro de 2026 - 14:30ANOTE NA AGENDA
Santander (SANB11) diz quando deve fechar o capital no Brasil; confira o prazo dado pelo banco espanhol
31 de agosto de 2026 - 20:18CORRIDA PELO PRIVATE
Santander acirra briga pela altíssima renda com novo cartão com até 8 pontos por dólar; veja o que ele oferece
31 de agosto de 2026 - 19:51MUDANÇAS NO TOPO
Uma nova dança das cadeiras na Cemig (CMIG4): CEO deixa o cargo três meses depois de assumir
31 de agosto de 2026 - 10:52MUDANÇA NO TOPO
Depois de 10 anos, Natura (NATU3) troca de CEO; veja quem irá liderar a próxima fase da empresa
31 de agosto de 2026 - 9:30EM CRISE
Os Correios tentam virar a página, mas o balanço conta outra história; governo deve entrar com ajuda bilionária em 2027
30 de agosto de 2026 - 14:52COMPETIÇÃO ACIRRADA
Casas Bahia, Americanas, Magazine Luiza e outras varejistas fecham mais de 1,1 mil lojas em quatro anos
30 de agosto de 2026 - 13:25MODO FULL POWER
C&A (CEAB3) prepara uma “colheita” de caixa e ação pode disparar mais de 120%, segundo Itaú BBA
29 de agosto de 2026 - 17:01SOB NOVA DIREÇÃO
Dança das cadeiras na Brava Energia (BRAV3): conselheiro renuncia em meio às mudanças promovidas pela Ecopetrol
29 de agosto de 2026 - 13:17BOM DEMAIS PARA SER VERDADE?