2021-03-12T19:58:12-03:00
Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.
preocupante

Vendas no varejo caem em janeiro e ligam alerta sobre efeitos do lockdown

Restrições à circulação das pessoas no Amazonas fizeram as vendas recuarem mais que o triplo que nos outros estados, segundo IBGE

12 de março de 2021
10:05 - atualizado às 19:58
Imagem: Shutterstock

As vendas do comércio varejista no país decepcionaram em janeiro, na comparação com dezembro, gerando preocupações sobre como as recentes medidas de restrição de circulação vão prejudicar o setor, considerando os efeitos que o lockdown teve no comércio do Amazonas no começo do ano.

Dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (12) mostram que as vendas no varejo recuaram 0,2% na comparação mensal. Em relação ao mesmo período de 2020, o varejo registrou queda de 0,3%, primeira taxa negativa após sete meses consecutivos de taxas positivas. O indicador acumulado nos últimos 12 meses ficou em 1,0%.

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A mediana das estimativas de economistas coletadas pelo Projeções Broadcast indicava uma alta de 0,10%, com as expectativas variando de queda de 1,80% a avanço de 1,80%. Já a leitura anual veio melhor que a retração de 0,50% indicada pela mediana.

No comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, veículos e materiais de construção, o volume de vendas caiu 2,1% em janeiro, frente a dezembro, sendo o segundo mês com resultado negativo seguido.

“Com a diminuição do aporte de recursos do auxílio emergencial, a partir de outubro, a capacidade de consumo das famílias diminuiu, com impacto direto no comércio”, afirma, em nota, o responsável pela pesquisa no IBGE, Cristiano Santos.

Quem foi bem, quem foi mal

Das oito atividades investigadas, quatro tiveram taxas negativas frente a dezembro, influenciando o resultado de janeiro. Entre elas, hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, setor de maior peso do varejo, recuou 1,6%.

Outras quedas vieram de livros, jornais, revistas e papelaria (-26,5%), tecidos, vestuário e calçados (-8,2%) e móveis e eletrodomésticos (-5,9%). Já combustíveis e lubrificantes (-0,1%) ficaram estáveis.

Na contramão, os setores de outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,3%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (2,6%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,2%) impactaram positivamente o indicador de vendas no varejo na passagem de dezembro para janeiro.

Amazonas e o lockdown

Olhando para os estados, a pesquisa mostrou que as vendas no varejo caíram em 23 das 27 unidades da Federação.

O menor resultado veio do Amazonas, onde as vendas caíram 29,7%, mais que o triplo de outros estados, na comparação com dezembro de 2020.

“Com o agravamento da pandemia em janeiro no estado, foi decretado um lockdown, que fechou todo o comércio novamente, assim como aconteceu em março de 2020. Isso fez os indicadores do comércio do Amazonas caírem bastante no período”, explica Cristiano Santos.

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