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Descolado do exterior, o Ibovespa deve abrir em alta, mas para quem viveu o pregão de ontem, tudo pode acontecer
O pregão de ontem foi de alta volatilidade, com queda de 0,32%, aos 111.183 pontos e "sabor de goleada", como disse nossa repórter Jasmine Olga. Já o dólar à vista fechou em queda de 0,03%, a R$ 5,6643.
Por aqui, os futuros do Ibovespa apontam para um dia de ganhos, com uma elevação de 1,03% aos 112.532 pontos. E depois de reinar soberano, o dólar abriu em queda de 1,21%, cotado a R$ 5,594.
Se por um lado a PEC emergencial avançou no Senado, o que é um bom sinal para os investidores, por outro, os rumores sobre novas interferências em estatais azedam a boca.
Mais um pula do barco do conselho de administração da Petrobras e a vacinação deve avançar no país com o anúncio de compra de novos imunizantes.
Enquanto esse debate interno segue, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) estão em queda, mas isso não é motivo para os investidores estrangeiros ficarem sorridentes.
Confira mais destaques do pregão desta quinta-feira (04):
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Na última quarta-feira (03) o Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) emergencial que pode trazer de volta o auxílio emergencial. A proposta foi aprovada em primeiro turno e a segunda votação deve acontecer ainda nesta quinta-feira (04), às 11h.
A PEC emergencial estipula gatilhos para contenção de gastos na União quando a despesa obrigatória, como salários, ultrapassar 95% do total das despesas primárias, que também incluem investimentos. Assim, as contas públicas estariam dentro da regra do teto de gastos, o que é bem visto pelos investidores.
Outro membro do conselho de administração da Petrobras pediu para não ter seu mandato renovado. Leonardo Pietro Antonelli se afasta do colegiado em um momento conturbado para a estatal, com a troca de gerência pelas mãos do presidente da República, Jair Bolsonaro.
O motivo do seu afastamento não foi revelado, mas outros quatro conselheiros que também deixaram o cargo no conselho alegaram razões pessoais e a troca de Roberto Campos Neto pelo general Joaquim Silva e Luna como motivos para deixar a estatal.
Como foi informado pela CNN na noite de ontem, o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, está insatisfeito com a sua “fritura” pelo presidente Jair Bolsonaro e deve deixar o cargo até a próxima semana.
O Brasil registrou um novo recorde de mortes por covid-19 ontem, com 1.840 vidas perdidas. No mesmo dia, o ministério da Saúde, que tem à sua frente o general da reserva Eduardo Pazuello, publicou a intenção de comprar 138 milhões de doses das vacinas da Pfizer (100 milhões) e da Janssen (38 milhões, dose única).
Essa ainda não é a aquisição definitiva dos imunizantes, mas já é um passo. No mesmo sentido, a Câmara aprovou um projeto de lei que facilita a compra de vacinas, tanto pela União quanto por estados e municípios. Em apenas 3 dias, 825 prefeituras já se reuniram em consórcio para a compra coletiva de imunizantes.
Economistas veem a vacinação em massa como único caminho para uma retomada mais forte da economia, que ontem teve a notícia de retração de 4,1%.
Motivadas pelo avanço de ontem dos Treasuries, os títulos do Tesouro americano, as bolsas da Ásia reduziram o apetite de risco e fecharam o pregão desta quinta-feira no vermelho. Enquanto isso, os índices da Europa também operam em queda, empurradas pelo noticiário interno de dados fracos do varejo e desemprego.
Enquanto isso, os futuros de Wall Street também amanheceram de mau humor e operam em queda. Na divulgação do livro bege, publicação do Federal Reserve sobre perspectivas da economia americana, as empresas consultadas estão otimistas com o cenário interno do país.
Entretanto, os investidores ficaram apreensivos com os dados de emprego divulgados ontem e devem seguir olhando os indicadores. As sucessivas falas de Jerome Powell, afirmando que o Fed não vê uma disparada da inflação e confia nas instituições norte-americanas, não estão surtindo efeito.
Nesta manhã, os títulos futuros dos Treasuries operam em queda, mas o avanço do pacote de estímulos de Joe Biden e o anúncio de antecipação da vacinação devem pressionar os juros futuros no longo prazo.
Nos Estados Unidos, o departamento de Trabalho deve divulgar os dados de pedidos do seguro desemprego (10h30) e as encomendas para a indústria (12h). Mas o filé mignon do dia deve ser a participação do presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano), Jerome Powell, em um evento do Wall Street Journal (14h05).
Além disso, uma reunião dos membros da Opep+ deve acontecer ainda hoje (sem horário definido) para decidir os novos níveis de produção do petróleo.
No Brasil, com a fraca agenda de indicadores de hoje, o destaque deve ficar para o balanço das empresas após o fechamento. São elas: B2W, CCR, Iguatemi, Lojas Americanas, MRV e Odontoprev.
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