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São os invernos menos frios que te deixarão vivo

Foi apenas no século 19 que cientistas concordaram que o planeta havia passado por várias eras glaciais e não apenas uma, consenso até a época. A descoberta de enormes rochas com diferenças de idade de alguns milhões de anos e em lugares completamente distantes entre si sugeria pelo menos cinco períodos de congelamento da Terra, […]

Foi apenas no século 19 que cientistas concordaram que o planeta havia passado por várias eras glaciais e não apenas uma, consenso até a época.

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A descoberta de enormes rochas com diferenças de idade de alguns milhões de anos e em lugares completamente distantes entre si sugeria pelo menos cinco períodos de congelamento da Terra, em que praticamente não existia vida devido às baixas temperaturas e à falta de luz solar.

[captacao]

O tema introduz o capítulo sobre retornos compostos do livro “The Psychology of Money”, do premiado autor e investidor em venture capital Morgan Housel – seu blog, Collaborative Fund, é uma das leituras mais interessantes que tive o prazer de conhecer nos últimos anos.

Mas que força da natureza – ou sobrenatural, dependendo da fé de cada um – poderia causar o congelamento e derretimento do planeta por algumas vezes? Existiam, de fato, várias teorias para explicar o congelamento ou derretimento do planeta apenas uma vez, mas não cinco.

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Há pouco mais de um século, o sérvio Milutin Milankovic chegou à teoria aceita até hoje de que os campos gravitacionais do Sol e da Lua afetam levemente o movimento da Terra e sua distância em relação ao Sol. Ao longo desse ciclo, o planeta poderia passar milênios com temperaturas muito altas ou muito baixas.

A princípio, Milankovic assumiu que eram os longos invernos vorazes os responsáveis pelas eras glaciais, transformando tudo em gelo. Anos depois, porém, o russo Wladimir Koppen aprofundou-se no tema e encontrou o equívoco do colega.

Na realidade, eram os verões sucessivos e ligeiramente menos quentes que causavam o congelamento, ao não serem capazes de derreter o gelo do inverno anterior. Mais do que uma energia gigantesca, o processo cíclico de destruição da vida na Terra era lento e constante.

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Repare a natureza convexa e cíclica do exemplo: pequenas mudanças que se acumulam no tempo causam mudanças cada vez maiores, até o ponto de inflexão em que o ciclo atual é causa das mudanças que levarão ao próximo.

A analogia é perfeita para o ato de investir, especificamente se aplicada à convexidade e à natureza cíclica do investimento em ações.

Recentemente, decidimos investigar a relação entre os fundos long biased – aqueles com viés comprado em Bolsa, mas com flexibilidade na exposição – e os long only – sempre comprados, próximos a 100% de exposição a ações.

A principal crítica que existe aos long biased é o fato de ficarem no meio do caminho, nem pra lá nem pra cá, entre gestores de ações tradicionais, totalmente dedicados a gerar retornos via seleção das melhores empresas, e gestores de multimercados, com um componente de “market timing” em suas decisões, mas historicamente com pouca exposição à Bolsa.

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Antes de qualquer coisa, não há dúvida de que ganhar dinheiro no mercado é um jogo disputadíssimo e, provavelmente, um jogo de soma negativa se considerarmos os custos envolvidos. Selecionar as melhores empresas para ser sócio e ainda aumentar ou reduzir a exposição à renda variável no momento certo demandam muito de tudo: experiência, sorte e obsessão. É para poucos e são esses que nos interessam.

Em primeiro lugar, segmentamos o desempenho do Ibovespa desde 1996 em ciclos de alta e de baixa, em que alta corresponde a períodos com ganhos de pelo menos 25% e baixa a períodos com queda de pelo menos 20%. (Há uma simetria matemática aqui: ao perder 20%, o investidor precisa recuperar 25% para voltar ao ponto original.)

Cada número da figura abaixo corresponde a um desses períodos alternados. Atualmente, estamos em um ciclo de alta que começou em 23 de março do ano passado, pior momento da crise. O Ibovespa já sobe 81% desde então.

Em seguida, simulamos três estratégias com exposição crescente à Bolsa: um fundo A, que capturaria 25% do resultado de cada ciclo, de alta ou baixa; B, que capturaria 50%; e C, com 75%. Aqui, há uma premissa duvidosa, mas utilizada para fins didáticos, de que esses gestores têm habilidade acima da média de identificar ciclos.

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Pela lógica, todos são menos arriscados do que um gestor de fundo long only, 100% alocado em Bolsa. Mas seriam seus retornos também proporcionalmente menores?

Não exatamente. O resultado traz uma dupla surpresa: enquanto o fundo B, com metade da exposição à Bolsa em cada um dos ciclos, teve desempenho acumulado próximo ao do Ibovespa, o fundo C, com 75% de captura, foi muito melhor, abrindo larga diferença.

Uma das hipóteses para o desempenho superior de C, por exemplo, é justamente a assimetria que existe entre ganhos e perdas. Participar dos movimentos de alta teve peso maior do que dos movimentos de baixa.

O próximo passo seria, portanto, entender se houve e qual foi, historicamente, um intervalo ideal de exposição ao Ibovespa nos ciclos. A figura abaixo aponta nessa direção: estratégias que participaram de 60% a 90% das altas e baixas da Bolsa tiveram um desempenho acumulado acima do Ibovespa em 24 anos, com menos risco, obviamente.

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Ao simularmos outros períodos, os resultados foram parecidos, com pico próximo a 70% a 80% de captura. Esse parece ser, historicamente, um intervalo que equilibra o trade-off entre a convexidade na alta e a proteção patrimonial na queda.

Da teoria para a prática, outras duas surpresas positivas: não apenas a maioria dos fundos long biased da indústria ganhou do Ibovespa nos últimos anos – lembrando que há uma boa dose de heterogeneidade entre eles –, como os melhores ainda têm uma relação assimétrica e positiva entre o quanto participam das altas da Bolsa e o quanto participam das quedas.

Para conhecer esses fundos que mais se destacam e acompanhar o relatório que será divulgado nas próximas semanas com cenário e posições dos principais gestores da categoria, espero você na série Os Melhores Fundos de Investimento.

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