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Nesta quinta-feira (14), os mercados asiáticos tiveram um bom pregão, com exceção da Bolsa de Xangai, que caiu diante do temor de estagflação em que o país pode entrar, na Europa, as Bolsas abrem em alta, acompanhando o humor ocidental, que também proporciona elevação dos futuros americanos nesta manhã
Bom dia, pessoal!
Nesta quinta-feira (14), os mercados asiáticos tiveram um bom pregão, com exceção da Bolsa de Xangai, que caiu diante do temor de estagflação em que o país pode entrar – os preços aos consumidores desaceleram ainda mais, enquanto o indicador aos produtores marcou o patamar inédito de 10,7% (reflexo da alta das commodities).
Na Europa, as Bolsas abrem em alta, acompanhando o humor ocidental, que também proporciona elevação dos futuros americanos nesta manhã. Além de termos dados de inflação ao produtor nos EUA e sequência da temporada de resultados de empresas do S&P 500, o comitê consultivo de vacinas da Food and Drug Administration (FDA) considerará se a agência deve autorizar o reforço do imunizante da Moderna.
A ver...
Na agenda do dia, resta-nos acompanhar os dados do IBGE, que hoje informa o volume de serviços para o mês de agosto – relevante para medirmos a atividade. Há também atuação firme do BC, que realiza um novo leilão extraordinário de swap cambial (20 mil contratos em mais de US$ 1 bilhão), buscando estabilizar o câmbio para baixo de R$ 5,50. Contudo, repercute a aprovação na noite de ontem (13) na Câmara do projeto do ICMS fixo sobre os combustíveis.
Foram 392 votos “sim”, 71 “não” e duas abstenções, restando ainda a análise do Senado. O PLP 11, de 2020, altera a regra para apuração do ICMS-combustível. Pelo texto aprovado, a cobrança passará a ser "ad rem", ou seja, um valor fixo por litro, a exemplo de impostos federais, como PIS, Cofins e Cide.
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O modelo substituirá a cobrança atual, que é "ad valorem", ou seja, um porcentual sobre o preço de venda – vários governadores são contra a proposta. Com a saída desse bode da sala, o Congresso poderá voltar a focar em fatores relevantes para o âmbito fiscal, como a questão dos precatórios, o Orçamento de 2022 e a reforma administrativa.
Nos EUA, teremos mais um dado de preços, que deverá confirmar a inflação elevada. Ontem (13), a inflação dos preços ao consumidor nos EUA veio mais ou menos conforme o esperado – a variação média mensal da inflação principal e do núcleo da inflação foi significativamente menor no terceiro trimestre do que no segundo, mostrando uma maior estabilidade dos indicadores de preços. O valor em si continua alto, com aumento de 5,4% no índice de preços ao consumidor em uma base anual (+4% no núcleo).
Ainda ontem, no final do dia, o Federal Reserve divulgou sua ata, que sinalizou preocupação de que a inflação pudesse persistir por mais tempo do que suas expectativas "transitórias" anteriores. Isso quase confirma o processo de aperto monetário nos EUA, a começar em novembro com o “tapering”. Para continuar essa discussão, vale avaliar o índice de preços ao produtor hoje.
Esse não é o único fator relevante do dia, entretanto. A Bolsa americana será movimentada pela sequência dos resultados corporativos, depois da boa estreia de temporada com JPMorgan. Hoje podemos contar com Bank of America, Citigroup, Morgan Stanley, U.S. Bancorp e Wells Fargo, todos antes da abertura. A continuidade de crescimento dos lucros será importante para o humor do dia.
Depois de leves perdas ontem após a Opep cortar sua projeção de alta na demanda pela commodity este ano, os contratos futuros do petróleo voltaram a subir, com o Brent já flertando com US$ 85 por barril.
Pela primeira vez desde o final de 2014, os preços do petróleo nos EUA voltaram a ficar acima de US$ 80 por barril, um benefício para a indústria de energia, que foi prejudicada durante a pandemia, mas uma má notícia para a recuperação econômica.
A demanda por energia deve receber um impulso com o aumento das viagens, à medida que alguns destinos na Ásia diminuem as restrições e os Estados Unidos se preparam para receber visitantes estrangeiros vacinados a partir de novembro.
Ao mesmo tempo, uma alta no preço do gás natural e do carvão está incentivando alguns fornecedores de energia a recorrer ao petróleo para geração de energia. Já há gente esperando um barril acima de US$ 100, ainda que por tempo limitado.
O dia de hoje conta com a divulgação do índice de preços ao produtor para setembro nos EUA, sendo a estimativa de consenso um aumento de 0,5% na comparação mensal, o que seria uma desaceleração frente à alta de agosto. Há também os tradicionais pedidos iniciais de auxílio-desemprego para a semana encerrada em 9 de outubro. A sequência da temporada de resultados, como comentamos acima, também é importante.
Há também a continuidade de eventos em Washington com as autoridades monetárias globais. 14 banqueiros centrais falarão hoje. Por aqui, ficamos com o volume de serviços do mês de agosto, que deverá crescer 0,4% na comparação mensal, enquanto também acompanhamos o pronunciamento do diretor de política monetária do BC, Bruno Serra Fernandes.
Mais pessoas têm se tornado mais pessimistas em relação à economia dos EUA à medida que o apoio do governo contra o coronavírus chega ao fim e os gastos do consumidor permanecem em um caminho incerto. O Goldman Sachs, por exemplo, agora espera que a economia cresça 5,6% neste ano, ante uma estimativa anterior de 5,7%. Em 2022, o crescimento projetado é de 4%, abaixo dos 4,4% anteriormente previstos.
Dois fatores principais vêm impulsionando a onda de mudanças: i) os programas de socorro da pandemia estão programados para diminuir "significativamente" até o final do ano, eliminando uma fonte de renda para algumas famílias; e ii) os consumidores não estão distribuindo dinheiro suficiente em serviços para compensar a queda nos gastos com bens. Em sendo o caso, um crescimento mais fraco nos EUA poderá provocar uma série de revisões nas expectativas de crescimento global.
Um abraço.
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