Que a tributação de dividendos seja apenas uma dor de crescimento
Em países desenvolvidos, cobrar impostos sobre remuneração a acionistas já é comum. Cabe a nós, investidores, nos adaptar, e pressionar o governo a transformar os novos tributos em benefício para o país
Eu não deveria ter me empolgado.
O PIB do primeiro trimestre superou com glória a expectativa de mercado.
Mais de 30% da população brasileira estava vacinada.
Ibovespa atingiu mais um recorde histórico.
O Banco Central do Brasil mostrou pulso firme pra controlar a inflação.
Dólar furou o piso de R$ 5,00.
Leia Também
Minha melanina já sonhava com o verão europeu.
Mas daí, veio a bomba. Estava tudo tão lindo...
Tributação de dividendos em 20%. Fim dos juros sobre capital próprio. Tributação de proventos de FIIs em 15%.
Que soco no estômago.
Como ousam ameaçar meu bronzeamento na Costa Amalfitana?!
Antes que eu divague sobre as nuances desse episódio, deixe-me fazer uma apresentação.
Sou a Larissa, e é um imenso prazer falar com você. Estarei aqui semanalmente, fazendo crônicas do cotidiano de uma investidora de ações no Brasil. Como você pode ver, daria uma novela. Quem sabe não proponho isso para o meu editor...
Integro a equipe de análise da Carteira Empiricus, carro-chefe das séries da casa. Também me dedico ao trabalho de educação financeira, por meio das redes sociais e da vertical de educação formal que nasce na Empiricus.
Tenho uma formação forte em análise de empresas, mas não vou listar meu currículo. Prefiro que nos conheçamos aos poucos. Assim fica mais interessante. Pois bem. Muito prazer.
O dividendo já é tributado nos mercados de capitais desenvolvidos. Nos Estados Unidos, a alíquota máxima é de 20%. Nos países europeus integrantes da OCDE, é de 23,5% em média. Na China, 25%. Na Espanha, a alíquota é de 5% - a menor que consegui encontrar dentre os países pesquisados.
Por que as economias desenvolvidas escolheram isso?
Sob o ponto de vista de política pública, até que faz um certo sentido. Ao tributar os dividendos, o governo estimula as empresas a reterem a sobra de caixa dentro delas próprias.
É uma forma de incentivar investimentos adicionais e, assim, a geração de empregos para aqueles que precisam de salários. Convenhamos: quem recebe dividendos, via de regra, não passa necessidade.
Nessa lógica, as empresas são estimuladas a buscar crescimento de lucros futuros, em vez de gerar caixa imediato para os seus investidores.
Assim, os acionistas obtêm retorno por meio de ganho de capital lá na frente, potencialmente uma proposta mais interessante do que o recebimento de dividendos hoje – a depender da capacidade de execução de quem toca a empresa.
Não sejamos ingênuos, porém. No caso brasileiro, todos sabemos que o momento da proposta coincide com necessidades fiscais da máquina público-eleitoral. E possivelmente há, ainda, outras questões políticas, que excedem a capacidade imaginativa da nossa vã filosofia.
Mas, aqui, quero me ater ao olhar do investidor, com uma visão estrutural. Qual a consequência disso para nós?
Se o ganho de capital mantiver sua alíquota atual de 15%, e a proposta de reforma sustentar os 20% para tributação de dividendos, o investidor deveria preferir receber seus ganhos na forma de ganho de capital lá na frente.
Deveríamos, nesse cenário, priorizar empresas que fazem recompras de ações, em vez de distribuições de proventos, independentemente do seu perfil de crescimento. Puramente por uma questão tributária.
Há quem diga que 5 pontos percentuais dos 20% propostos são a título de – repare na elegância – “gordurinha”. Caso o Congresso diminua a alíquota para 15%, as taxações de dividendos e de ganho de capital se igualam, daí você precisaria definir sua preferência. Você prefere dois pássaros voando ou (precisa de) um pássaro na mão?
De toda forma, esse dilema é típico de investidores de países ricos. A discussão sobre preferência de dividendos ou ganho de capital é extensa na literatura financeira americana, e tem razão de ser assim. É papo de gente grande. De mercado sério.
Os dividendos isentos, assim como os juros sobre capital próprio, são jabuticabas autênticas. Das bem docinhas. É quase uma molezinha, diga-se de passagem.
Tudo bem, tudo bem. Ninguém gosta da mordida do Leão, muito menos eu. É dolorido pra burro. Atinge diretamente nossa alma, dos brasileiros que morrem de cansaço todos os dias, de tanto lutar por algum espaço (parafraseando Gabriel, O Pensador). E ainda entregam boa parte da renda para a máquina pública. Eu sei, dói aqui também.
A boa notícia é que os menos abastados terão um pequeno alívio. A faixa de isenção do Imposto de Renda se expandiu, de R$ 1.900 para um teto de R$ 2.500 mensais.
Mesmo assim, ninguém gosta. É menos dinheiro no bolso, isso é um fato.
Resta a nós pressionarmos nossos governantes para que isso volte para o país em forma de crescimento, distribuição de renda igualitária e serviços públicos.
E para que isso seja apenas uma dor de crescimento, típica de quem tá virando gente grande.
O Mirassol das criptomoedas, a volta dos mercados após o Natal e outros destaques do dia
Em um ano em que os “grandes times”, como o bitcoin e o ethereum, decepcionaram, foram os “Mirassóis” que fizeram a alegria dos investidores
De Volta para o Futuro 2026: previsões, apostas e prováveis surpresas na economia, na bolsa e no dólar
Como fazer previsões é tão inevitável quanto o próprio futuro, vale a pena saber o que os principais nomes do mercado esperam para 2026
Tony Volpon: Uma economia global de opostos
De Trump ao dólar em queda, passando pela bolha da IA: veja como o ano de 2025 mexeu com os mercados e o que esperar de 2026
Esquenta dos mercados: Investidores ajustam posições antes do Natal; saiba o que esperar da semana na bolsa
A movimentação das bolsas na semana do Natal, uma reportagem especial sobre como pagar menos imposto com a previdência privada e mais
O dado que pode fazer a Vale (VALE3) brilhar nos próximos dez anos, eleições no Brasil e o que mais move seu bolso hoje
O mercado não está olhando para a exaustão das minas de minério de ferro — esse dado pode impulsionar o preço da commodity e os ganhos da mineradora
A Vale brilhou em 2025, mas se o alerta dessas mineradoras estiver certo, VALE3 pode ser um dos destaques da década
Se as projeções da Rio Tinto estiverem corretas, a virada da década pode começar a mostrar uma mudança estrutural no balanço entre oferta e demanda, e os preços do minério já parecem ter começado a precificar isso
As vantagens da holding familiar para organizar a herança, a inflação nos EUA e o que mais afeta os mercados hoje
Pagar menos impostos e dividir os bens ainda em vida são algumas vantagens de organizar o patrimônio em uma holding. E não é só para os ricaços: veja os custos, as diferenças e se faz sentido para você
Rodolfo Amstalden: De Flávio Day a Flávio Daily…
Mesmo com a rejeição elevada, muito maior que a dos pares eventuais, a candidatura de Flávio Bolsonaro tem chance concreta de seguir em frente; nem todas as candidaturas são feitas para ganhar as eleições
Veja quanto o seu banco paga de imposto, que indicadores vão mexer com a bolsa e o que mais você precisa saber hoje
Assim como as pessoas físicas, os grandes bancos também têm mecanismos para diminuir a mordida do Leão. Confira na matéria
As lições do Chile para o Brasil, ata do Copom, dados dos EUA e o que mais movimenta a bolsa hoje
Chile, assim como a Argentina, vive mudanças políticas que podem servir de sinal para o que está por vir no Brasil. Mercado aguarda ata do Banco Central e dados de emprego nos EUA
Chile vira a página — o Brasil vai ler ou rasgar o livro?
Não por acaso, ganha força a leitura de que o Chile de 2025 antecipa, em diversos aspectos, o Brasil de 2026
Felipe Miranda: Uma visão de Brasil, por Daniel Goldberg
O fundador da Lumina Capital participou de um dos episódios de ‘Hello, Brasil!’ e faz um diagnóstico da realidade brasileira
Dividendos em 2026, empresas encrencadas e agenda da semana: veja tudo que mexe com seu bolso hoje
O Seu Dinheiro traz um levantamento do enorme volume de dividendos pagos pelas empresas neste ano e diz o que esperar para os proventos em 2026
Como enterrar um projeto: você já fez a lista do que vai abandonar em 2025?
Talvez você ou sua empresa já tenham sua lista de metas para 2026. Mas você já fez a lista do que vai abandonar em 2025?
Flávio Day: veja dicas para proteger seu patrimônio com contratos de opções e escolhas de boas ações
Veja como proteger seu patrimônio com contratos de opções e com escolhas de boas empresas
Flávio Day nos lembra a importância de ter proteção e investir em boas empresas
O evento mostra que ainda não chegou a hora de colocar qualquer ação na carteira. Por enquanto, vamos apenas com aquelas empresas boas, segundo a definição de André Esteves: que vão bem em qualquer cenário
A busca pelo rendimento alto sem risco, os juros no Brasil, e o que mais move os mercados hoje
A janela para buscar retornos de 1% ao mês na renda fixa está acabando; mercado vai reagir à manutenção da Selic e à falta de indicações do Copom sobre cortes futuros de juros
Rodolfo Amstalden: E olha que ele nem estava lá, imagina se estivesse…
Entre choques externos e incertezas eleitorais, o pregão de 5 de dezembro revelou que os preços já carregavam mais política do que os investidores admitiam — e que a Bolsa pode reagir tanto a fatores invisíveis quanto a surpresas ainda por vir
A mensagem do Copom para a Selic, juros nos EUA, eleições no Brasil e o que mexe com seu bolso hoje
Investidores e analistas vão avaliar cada vírgula do comunicado do Banco Central para buscar pistas sobre o caminho da taxa básica de juros no ano que vem
Os testes da família Bolsonaro, o sonho de consumo do Magalu (MGLU3), e o que move a bolsa hoje
Veja por que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência derrubou os mercados; Magazine Luiza inaugura megaloja para turbinar suas receitas