As ações dos bancos merecem uma segunda chance?
Olhando à frente, acredito que o cenário está prestes a se inverter novamente para os bancos, agora de forma favorável, com Selic em alta e mudanças na regulação das fintechs

Ultimamente, os bancos têm sido os patinhos feios da história.
Nos idos de 2016 a 2018, os bancos eram a bola da vez. Juros ainda estruturalmente altos; poucos sinais de competição vinda das fintechs e um ciclo de redução dos bancos estatais abriram caminho para a expansão dos grandes bancos brasileiros.
Nesse período, as ações do Bradesco (BBDC4), do Itaú (ITUB4) e do Santander Brasil (SANB11) se valorizaram 201%, 161% e 215%, respectivamente.
Então, a partir de 2019, os juros começaram a cair demais.
Além disso, o Banco Central passou a relaxar o ambiente regulatório para as fintechs, que não precisariam seguir regras tão rígidas quanto os grandes bancos. Com isso, o ambiente competitivo piorou muito para os bancos incumbentes.
Esses dois fatores viraram de cabeça para baixo o cenário para os bancos e, de repente, o mercado passou a precificar retorno sobre o patrimônio (ROEs, na sigla em inglês) na casa dos 15%, sendo que historicamente estavam nos vinte e altos.
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Então, de 2019 até o fechamento da última quinta-feira (7/10/2021), Bradesco e Itaú tiveram quedas acumuladas de 13% e 4%, respectivamente, enquanto Santander Brasil ficou praticamente parado – com uma valorização de 0,1% no período. (E isso porque este último passou por um expressivo turnaround no período, com troca de gestão e melhorias significativas no modelo de negócio.)
Até aqui, descrevi o passado.
Olhando à frente, acredito que o cenário está prestes a se inverter novamente para os bancos, agora de forma favorável.
Com a inflação acelerando mês após mês, a Selic sobe para controlar os preços. De uma mínima de 2% ao ano, a partir de março de 2021 o Banco Central deu início ao aperto monetário, de forma que a taxa básica de juros está, hoje, em 6,25% ao ano — e tudo indica que continuará subindo.
O efeito imediato, para os bancos, é um aumento do custo de captação. Passados alguns trimestres, vem o efeito de segunda ordem: os bancos começam a repassar as taxas mais altas ao tomador na concessão de crédito, de forma que o spread bancário tende a aumentar, se olharmos alguns trimestres à frente.
Além disso, a “assimetria regulatória” gerada entre bancos e fintechs já começa a causar polêmica na sociedade civil, com entidades se manifestando publicamente contra as facilidades para instituições financeiras menores.
Depois de anos de discrição, a Febraban veio a público dizer que “as fintechs gostam de pagar meia entrada”.
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Novas regras para bancos e fintechs
O Banco Central reagiu, abriu uma consulta pública e disse que até o final do ano deve definir uma nova regulação prudencial (que trata de requisitos de capital e gerenciamento de risco sistêmico por parte das instituições financeiras).
O objetivo das novas regras é harmonizar as exigências das Instituições de Pagamento (IPs) e das Sociedades de Crédito Direto (SCDs) com aquelas das grandes instituições.
Afora as regras prudenciais, as exigências operacionais já são parecidas. Não me surpreenderia se mais “harmonizações” regulatórias viessem.
Esses dois pontos, o dos juros mais altos e o da harmonização de regulação, mudaram o cenário para os grandes bancos brasileiros — especialmente os privados, pelos quais tenho preferência, dado o histórico intervencionista dos variados governos brasileiros.
Além de tudo, ações dos três grandes privados estão em patamares bem descontados. Tanto Bradesco quanto Itaú (excluindo XP) e Santander Brasil estão com seus múltiplos preço/lucro dos próximos doze meses em patamares historicamente baixos.
O P/L (relação entre o preço e o lucro por ação) de todos os três estão abaixo de um desvio-padrão a menos que a média dos últimos cinco anos.
Será que não está na hora de darmos uma nova chance aos bancos?
Parece-me que vale, ao menos, considerar.
Um abraço,
Larissa Quaresma
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