O ano novo começa onde você parou de fugir. E se você parasse de ignorar seus arrependimentos em 2026?
O ano novo bate mais uma vez à porta. E qual foi o saldo das metas? E a lista de desejos para o ano vindouro?

Já são quatro anos aqui, caro leitor, sugerindo modelos e formas de planejar o ano. E, mais uma vez, me desafio a trazer uma proposta que possa lhe ajudar nesse ritual.
Faço aqui um breve jabá: se você não leu minha coluna do ano passado, recomendo fortemente uma consulta rápida. Nela, reúno duas visões que sempre me orientam na forma de planejar.
Agora, se as suas metas para o próximo ano tangenciam o tema do conflito, vale também conferir outra coluna, na qual tratei da importância de resolver as tretas que têm impedido você de avançar em novas resoluções.
Neste ano, meu convite é diferente: quero que você foque nos seus arrependimentos. Isso mesmo.
“Mas por que raios olhar para isso?”
Porque o arrependimento costuma revelar aquilo que realmente importa. Se esse sentimento continua presente, insistente, martelando a sua cabeça, há algo ali que talvez mereça atenção e compreensão mais profunda.
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Arrependimento é dado valioso.
Sabe aquela sensação de que você deveria ter aceitado uma proposta de emprego, mas, por alguma razão, acabou declinando?
Ou aquela viagem que você queria tanto fazer e, no último minuto, desistiu por um motivo que parecia fazer todo sentido?
E há ainda o clássico combo: atividade física, alimentação saudável e boas noites de sono. Esse costuma figurar no top 3 das listas de arrependimento.
Vale, então, dar mais um passo na investigação do motivo pelo qual esse sentimento continua presente.
Talvez a explicação esteja em algum dos três pontos a seguir.
1. Os ambientes em que você circula são aliados ou inimigos na construção de hábitos?
Há inúmeras referências que ajudam a entender melhor a arquitetura da criação de novos hábitos. Um dos meus autores favoritos nesse tema é James Clear.
Gosto especialmente da provocação que ele faz sobre a importância de criar ambientes que facilitem a adoção de novos comportamentos.
Segundo o autor, no longo — e muitas vezes no curto — prazo, a força de vontade nunca vence o ambiente. Quanto mais disciplinado for o contexto, menos disciplina pessoal será exigida.
Dito de outra forma: vale revisitar como estão configurados os lugares que você frequenta e o acesso que tem a eles. Esses ambientes estão contribuindo ou atrapalhando o alcance das suas metas?
2. Quanto tempo você leva para sair de um estado emocional ruim?
A vida é cheia de frustrações e decepções. Crescer e amadurecer passa, inevitavelmente, por aprender a sair desses estados cada vez mais rápido.
Isso exige treino de mudança de perspectiva. Quanto mais ágil você se torna na transição de um estado emocional A para um estado B, mais rapidamente consegue ajustar a rota em direção à meta desejada.
E não se engane: mudar estados emocionais demanda o desenvolvimento de novos músculos. Se, por exemplo, você aprendeu ao longo da vida a operar em constante estado de alerta — antecipando erros e tentando controlar tudo —, será necessário se expor a situações novas, nas quais o controle não é absoluto.
Ao experimentar cenários diferentes e perceber que as coisas podem dar certo mesmo sem vigilância excessiva, você começa a fortalecer a musculatura emocional necessária para a mudança.
3. Você tem simplificado o momento da ação?
Comece com os recursos que já estão aí, ao seu alcance.
Um exemplo simples: “Neste ano, vou começar a academia”. Se você estiver lendo esta coluna em uma casa de veraneio, comece hoje mesmo com um pequeno bloco de exercícios no conforto de casa. Busque no YouTube um treino guiado e dedique dez minutos agora.
Outro exemplo envolve transição de carreira — seja de cargo ou de empresa. “Quando eu voltar das férias, começo a contatar as pessoas que podem me ajudar”.
Sinto dizer — ou talvez seja um alívio lembrar — que isso provavelmente acontecerá pelo seu celular e pela sua lista de contatos. Se você estiver, inclusive, nessa mesma casa de veraneio, aproveite o momento e envie algumas mensagens para aqueles contatos estratégicos que podem apoiar essa mudança.
Despacito…
Começar pequeno. Ganhar gosto por ver as coisas se transformando. Manter a consistência. Celebrar os avanços.
No fim das contas, meu convite é que você se mantenha curioso sobre os motivos pelos quais certas coisas ainda não aconteceram como planejado. Se a resposta não estiver nesses três caminhos, encare o problema de frente e investigue com mais profundidade.
Mudanças exigem doses de coragem. E, para fechar, compartilho uma reflexão que me fiz ao olhar para o novo ano — e deixo agora com você:
Se você não tivesse mais permissão para reclamar das metas que não se concretizaram em 2025, que atitude precisaria tomar em 2026?
Um feliz ano novo e até a próxima,
Thiago Veras
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