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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

Otimismo do mercado supera cautela internacional e Ibovespa crava nova alta; dólar fica estável

O otimismo dos economistas com o PIB de 2021 levou a bolsa a subir 0,50%, aos 130.776. Já o dólar ficou praticamente estável

Jasmine Olga
Jasmine Olga
7 de junho de 2021
18:20 - atualizado às 19:12
Imagem: Shutterstock

Quando a segunda onda do coronavírus começou a obrigar as cidades brasileiras a retomarem as medidas mais rígidas de isolamento social, o mercado financeiro voltou a sentir um frio na espinha que havia desaparecido por alguns meses. 

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Mesmo que a pandemia tenha perdurado ao longo de todo 2020, o país conseguiu contornar bem a situação econômica nos últimos trimestres do ano, deixando para trás as projeções tenebrosas de um recuo superior a 8%. O saldo final foi uma queda de pouco mais de 4%.

Com a economia fechando e o nível de óbitos e internações superando os piores momentos do ano passado, a conclusão foi uma só: o baque deve ser tão feio quanto no primeiro momento de 2020, interrompendo o movimento de recuperação que vinha se desenhando. 

Uma economia fechada, problemas fiscais e a diminuição do auxílio emergencial que serviu de anabolizante para a atividade brasileira ao longo de 2020 parecia a receita para uma nova retração tão forte quanto a sentida na primeira onda do vírus. Mas não foi bem assim que a história se desenrolou. 

Ainda que o país venha lidando com isolamentos totais ou parciais desde fevereiro, os números mostram que o Brasil segurou o tranco. Na semana passada, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE mostraram um avanço de 1,2%, acima da mediana de projeções, que era de 0,70%. Antes mesmo da divulgação dos dados, as principais instituições financeiras e casas de análises já vinham revisando para cima suas expectativas. 

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Expectativas melhores, exterior positivo e um cenário amplamente favorável às commodities fizeram o Ibovespa “desencantar” na última semana. Quebrar recordes virou parte da rotina. 

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No começo do pregão desta segunda-feira (07), o principal índice da bolsa brasileira até flertou com uma realização de lucros, acompanhando os ventos mais calmos vindos do exterior. Mas o otimismo venceu. 

Com o relatório Focus de hoje sacramentando que o mercado espera que os dias de PIBinho de fato fiquem no passado, o Ibovespa aproveitou para registrar a sua oitava alta consecutiva ao subir 0,50%, aos 130.776 pontos, renovando o recorde de fechamento pelo sexto pregão consecutivo. A máxima histórica intradia também foi batida e agora é de 131.190 pontos. 

No exterior, o dia foi mais contido. De um lado, os investidores pesaram dados mistos da economia, que mostram que a recuperação ainda está longe do fim. Do outro, fica mais nítido para os investidores que as políticas acomodatícias, com juros nas mínimas históricas, devem se manter nos países desenvolvidos. O saldo do dia foi um avanço de 0,49% do Nasdaq e queda de 0,08% e 0,36% no S&P 500 e Dow Jones, respectivamente. 

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Mas se o otimismo com a economia segue alimentando a bolsa, no câmbio a história é um pouco diferente. Os ruídos com a possibilidade de uma nova prorrogação do auxílio emergencial, somado ao já deteriorado cenário fiscal não aliviaram as coisas. Depois de um dia de grande instabilidade, a moeda americana fechou próximo do zero a zero, com um avanço de apenas 0,03%, a R$ 5,0369. 

A pressão também pode ser sentida no mercado de juros, já que além de uma melhora na projeção do PIB, o mercado também segue apostando em uma aceleração da inflação. Com isso, as taxas longas e médias subiram expressivamente. Confira as taxas do dia:

  • Janeiro/2022: de 5,08% para 5,11%
  • Janeiro/2023: de 6,68% para 6,71%
  • Janeiro/2025: de 7,74% para 7,79%
  • Janeiro/2027: de 8,24% para 8,32%

PIBinho ficou no passado?

Dados divulgados hoje pelo Boletim Focus mostraram o que os grandes bancos já vinham dizendo: há espaço para a economia brasileira crescer mais. Seguindo o aumento já demonstrado nas últimas edições do relatório, os economistas consultados pelo Banco Central elevaram as expectativas para o PIB de 2021 para 4,36%. As expectativas para inflação, no entanto, também seguem aumentando. No boletim divulgado hoje, a projeção foi de 5,44% até o fim do ano.

Para Alexandre Almeida, economista da CM Capital, o entusiasmo do mercado é justificável, mas não deve ser uma tendência de médio e longo prazo. O economista lembra que o resultado positivo no primeiro trimestre foi sustentado principalmente pelo setor agrário exportador. Ou seja, para que o ritmo de crescimento da atividade econômica de fato se mantenha, será preciso uma aceleração na campanha de vacinação no país, para que os receios com possíveis fechamentos da economia saiam do radar. 

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O economista acredita, no entanto, que isso tem prazo de validade. "É uma curta lua de mel. Em breve o amargor fiscal deve retornar para o paladar brasileiro".

Nem lá, nem cá 

Lá fora, os indicadores macroeconômicos seguem mostrando sinais mistos. A leitura que prevalece é de que as principais economias do mundo de fato estão no caminho da recuperação, mas há sinais de fraquezas em setores importantes.

Ao invés de pessimismo, esse cenário alimenta uma confiança de que o Federal Reserve - e outros bancos centrais de países desenvolvidos - devem manter a sua política monetária inalterada por mais algum tempo.

Com isso, as bolsas americanas abriram o dia oscilando próximas da estabilidade. O ritmo mais lento nos negócios neste começo de semana não significa que os investidores devem encontrar uma semana de lentidão pela frente. Nos próximos dias, teremos novos indicadores de inflação sendo divulgados nos Estados Unidos. A discussão em torno do tema está longe de morrer.

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No fim de semana mesmo, Janet Yellen, secretária do Tesouro americano, voltou a falar sobre a pressão inflacionária, tendo como gancho os dados mais fracos do mercado de trabalho divulgados na semana passada - o país criou 559 mil novos postos de trabalho em maio, ante a expectativa de cerca de 700 mil.

Durante a madrugada, a toada dos índices asiáticos foi mais ou menos a mesma. A China divulgou números mistos da sua economia, mas foi suficiente para sustentar as bolsas do continente no azul.

Sobe e desce

O setor aéreo foi um grande destaque do dia. Os papéis da Azul ficaram na ponta da tabela após a companhia anunciar a emissão de títulos de dívida no exterior e algumas casas de análise elevarem a recomendação dos papéis. As ações da Gol subiram forte, repercutindo dados operacionais de maio, que vieram acima do esperado. A companhia mostrou um aumento de 425% na oferta. Além disso, o mercado repercute a relação de troca de ações na incorporação da Smiles

Com o mercado mais otimista com relação à recuperação econômica, empresas que devem se beneficiar do aquecimento do setor de consumo também aproveitaram mais um dia de otimismo. 

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A Eletrobras acabou não ficando entre os melhores desempenhos do dia, mas as expectativas pela capitalização da companhia foram um combustível extra para os papéis ao londo da sessão. Em evento, o presidente da Câmara, Arthur Lira, disse que espera que a pauta seja votada no Senado no máximo até semana que vem. 

Confira as principais altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
AZUL4Azul PNR$ 47,205,57%
NTCO3Natura ONR$ 56,864,46%
ENGI11Engie unitsR$ 49,014,21%
GOLL4Gol PNR$ 27,523,93%
TOTS3Totvs ONR$ 36,153,61%

Na ponta contrária, o setor de commodities acabou realizando parte dos lucros recentes, acompanhando um recuo do petróleo e do minério de ferro. Confira também as maiores quedas:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
PCAR3Pão de Açúcar (GPA) ON R$ 40,05-4,07%
PRIO3PetroRio ONR$ 19,70-3,90%
BIDI11Banco Inter unitR$ 63,78-3,71%
CSNA3CSN ONR$ 44,27-2,96%
MRFG3Marfrig ONR$ 18,30-2,24%

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