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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Ações descontadas

Presente sólido, futuro promissor: UBS recomenda compra para Raízen (RAIZ4) e vê 50% de alta nas ações

Para o UBS, a Raízen (RAIZ4) tem uma avenida de crescimento em energias renováveis, ao mesmo tempo em que já é forte em combustíveis e açúcar

Victor Aguiar
Victor Aguiar
10 de setembro de 2021
12:53 - atualizado às 14:47
Placa com o logo da Raízen (RAIZ4), subsidiária da Cosan que fez IPO em 2021
Raízen (RAIZ4) - Imagem: Divulgação/Raízen

Um dos maiores IPOs do passado recente no Brasil, a Raízen ainda não decolou na bolsa: suas ações PN (RAIZ4), amargam uma baixa de mais de 10% desde a estreia. Isso, no entanto, não tira o otimismo do UBS em relação aos papéis. O banco suíço iniciou a cobertura para a empresa com recomendação de compra e preço-alvo em 12 meses de R$ 9,60, o que representa um potencial de alta de 50% em relação às cotações atuais.

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Joint-venture entre a Cosan e a Shell, a Raízen tem três grandes divisões: distribuição de combustíveis, açúcar e energias renováveis. Para o UBS, a empresa está bem posicionada em todos eles — enquanto nos dois primeiros a Raízen já é um player relevante e solidificado, o terceiro representa uma avenida importante de crescimento no futuro.

"Em energias renováveis e açúcar, a Raízen possui uma escala difícil de competir; isso permite que a empresa surfe o cenário positivo — e, em nossa opinião, estrutural — em açúcar e etanol", escrevem os analistas Luiz Carvalho, Matheus Enfeldt e Tasso Vasconcellos, em relatório divulgado nesta sexta-feira (10); o braço de distribuição de combustíveis da Raízen é classificado como "firme e forte".

Gráfico de linha mostrando o comportamento das ações da Raízen (RAIZ4) desde o IPO
Repare que, desde o IPO, as ações PN da Raízen (RAIZ4) ainda não conseguiram superar o preço de estreia

O racional do UBS para a Raízen

Em relação ao braço de açúcar da Raízen, o UBS destaca que a companhia já era um dos maiores produtores globais da commodity, mas que, com a recente aquisição da Biosev, ampliou ainda mais sua participação de mercado. "A Raízen tem conseguido melhores condições de preço que outros players, uma tendência que esperamos que se acelere com o tempo", escrevem os analistas.

Para se ter uma ideia dos ganhos de escala em açúcar, o banco suíço projeta que a margem Ebitda desse segmento deverá saltar de 13% em 2020 para 23% em 2024. A visão de um mercado mais apertado para a commodity no curto, médio e longo prazo também ajuda o desempenho e a rentabilidade da Raízen nesse setor.

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Quanto à área de energias renováveis, o banco suíço afirma que, com os recursos obtidos no IPO, a companhia parece pronta para entregar um crescimento acelerado — o que, para o UBS, é uma oportunidade rara. "Com duas novas plantas [de biomassa] sendo abertas por ano, estimamos um aumento de 1% no Ebitda da Raízen em 2024, 3% em 2025 e 4% em 2026".

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Por fim, a divisão de combustíveis apresenta perspectivas mais estáveis ao longo do tempo, o que não é uma má notícia para a equipe do UBS: os analistas dizem não esperar um crescimento forte desse segmento, mas uma manutenção do "confiável balanço entre margens e expansão de volumes".

RAIZ4: IPO sem brilho até agora

O preço-alvo de R$ 9,60 para RAIZ4 é o cenário-base do UBS para o papel. Mas a casa tem duas projeções adicionais:

  • Otimista, com preço-alvo de R$ 10,50 (potencial de alta de 64%): nele, as cotações do açúcar sobem no mundo todo por causa de uma menor produção da commodity na Índia; esse desdobramento também faria o preço do etanol subir.
  • Pessimista, com preço-alvo de R$ 5,00 (potencial de queda de 22%): nele, as safras de açúcar no Brasil e na Índia são melhores que o projetado, provocando um salto na oferta da commodity e, consequentemente, derrubando suas cotações.

Mas, independente da visão do UBS, fato é que a Raízen integra o grupo de empresas que fizeram IPO em 2021 e cujas ações acumulam desempenho negativo desde a abertura de capital. RAIZ4 e sua baixa de 13,4% no período em questão se junta a outros 24 papéis que também estão no vermelho; ao todo, 44 companhias estrearam na bolsa neste ano.

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Veja a tabela abaixo:

EmpresaCódigoPreço IPO Preço 10/09Variação
HBR RealtyHBRE319,1011,99-37,2%
Grupo Vamos*VAMO36,5015,73142,0%
EspaçolaserESPA317,9017,76-0,8%
IntelbrasINTB315,7527,8777,0%
MoblyMBLY321,009,46-55,0%
MosaicoMOSI319,8012,13-38,7%
Jalles MachadoJALL38,309,9219,5%
Focus EnergiaPOWE318,0213,51-25,0%
BemobiBMOB322,0020,16-8,4%
WestwingWEST313,006,16-52,6%
Cruzeiro do SulCSED314,008,51-39,2%
OceanpactOPCT311,154,41-60,4%
EletromidiaELMD317,8117,36-2,5%
OrizonORVR322,0028,6130,0%
CSN MineraçãoCMIN38,506,82-19,8%
AlliedALLD318,0026,3946,6%
Hospital Mater DeiMATD317,4419,5211,9%
Blau FamacêuticaBLAU340,1450,5025,8%
Grupo GPSGGPS312,0016,4036,7%
InfracommerceIFCM316,0017,6110,1%
Boa SafraSOJA39,9013,9540,9%
Caixa SeguridadeCXSE39,679,28-4,0%
ModalmaisMODL1120,0117,26-13,7%
PetrorecôncavoRECV314,7516,4611,6%
GetNinjasNINJ320,0015,59-22,1%
DotzDOTZ313,208,70-34,1%
BR PartnersBRBI1116,0023,0844,3%
3tentosTTEN312,2510,00-18,4%
SmartFitSMFT323,0025,6611,6%
CBA AlumínioCBAV311,5014,0622,3%
DesktopDESK323,5022,11-5,9%
MultilaserMLAS311,108,35-24,8%
Livetech da BahiaLVTC323,2022,80-1,7%
AgrogalaxyAGXY313,759,77-28,9%
UnifiqueFIQE38,607,29-15,2%
TradersClubTRAD39,507,97-16,1%
ArmacARML316,6320,9425,9%
BrisanetBRIT313,9211,52-17,2%
Clear SaleCLSA325,0027,259,0%
RaízenRAIZ47,406,41-13,4%
ViveoVVEO319,9225,9930,5%
OncoclínicasONCO319,7516,72-15,3%
Kora SaúdeKRSA37,208,1012,5%
Grupo VittiaVITT38,609,7112,9%
*Fez desdobramento na proporção de 1 para 4. Levantamento: Seu Dinheiro

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