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Baixa renda

Qual a melhor ação de construtora de imóveis populares? Veja as recomendações da XP

Cury (CURY3) é a ação preferida da corretora no segmento de baixa renda; preço-alvo da Tenda (TEND3) foi elevado para incorporar construção remota

Modelo de casa da construtora Tenda
Modelo de casa da construtora Tenda - Imagem: Divulgação

O programa habitacional Casa Verde Amarela, antigo Minha Casa Minha Vida, não tem tanta possibilidade de crescimento, dada a situação fiscal do país. Mesmo assim, ele continua financiando imóveis para os estratos mais pobres da população, para os quais o déficit habitacional ainda é de quase 8 milhões de moradias.

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Num cenário como esse, quais construtoras e incorporadoras abertas em bolsa e que atuam neste segmento têm os melhores prognósticos?

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A XP Investimentos emitiu um relatório na noite de ontem (10) iniciando a cobertura das ações de três empresas que atuam nesta área de imóveis populares: Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Plano&Plano (PLPL3). Além disso, atualizou estimativas para os papéis de MRV (MRVE3) e Tenda (TEND3) - para esta última, até elevou o preço-alvo.

A ação da Cury (CURY3) é a preferida da XP no segmento de baixa renda. O papel tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 15, um potencial de valorização de cerca de 50% ante o preço atual. Hoje, a ação da Cury fechou com alta de 2,05%, a R$ 9,97.

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Para os analistas Renan Manda, Lucas Hoon e Marcella Ungaretti, que assinam o relatório, a empresa combina sólida execução e executivos experientes, baixa alavancagem, uma das maiores rentabilidades do mercado (retorno sobre o patrimônio líquido estimado em 59% para 2022, contra uma média de 32% dos pares) e um valuation atrativo, sendo negociada a apenas 7,4 vezes sua relação preço/lucro para 2022.

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A cobertura de Direcional (DIRR3) e Plano&Plano (PLPL3) também começou com recomendações de compra. Para a Direcional, o preço-alvo é de R$ 20,50, potencial de alta de mais de 40% ante a cotação atual; já para a Plano&Plano, o preço-alvo é de R$ 10, potencial de valorização de quase 60% frente ao preço atual.

Sobre a Direcional, os analistas da XP acreditam que a combinação do robusto balanço patrimonial e da eficiência produtiva da companhia permitem que ela continue crescendo e aumentando participação de mercado.

A Riva, área voltada para a média renda, aparece como uma via adicional de crescimento, que ajuda a Direcional na diversificação de suas fontes de recursos, uma vez que a fonte de financiamento para os imóveis nesta faixa de renda é a poupança, e não o FGTS, como é o caso do programa Casa Verde Amarela.

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Já em relação à Plano&Plano, a XP acredita que a combinação da sua forte execução com suas operações asset-light devem impulsionar as operações da companhia e sua participação de mercado nos próximos anos, estabilizando os lançamentos em torno de R$ 2 bilhões por ano e apresentando um dos maiores retornos do segmento (retorno sobre o PL de 67% para 2021), ao mesmo tempo em que mantém a baixa alavancagem (dívida líquida/PL de 10%).

No entanto, a corretora se mostra preocupada com o fato de a Plano&Plano atuar exclusivamente em São Paulo, principalmente na região metropolitana, o mercado com maior concorrência no país. "Nós vemos a competição acima do esperado e potenciais gargalos dos recursos do FGTS para São Paulo como os maiores riscos para nossa tese de investimentos", diz o relatório.

Atualização de MRV e Tenda

Os analistas da XP incorporaram os últimos resultados da MRV (MRVE3) e da Tenda (TEND3) às suas projeções, de modo a atualizar as suas estimativas para as duas companhias.

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No caso da MRV, porém, a recomendação foi mantida em Neutro, e o preço-alvo permaneceu em R$ 23. A XP vê uma compressão nas margens da companhia, em razão do aumento dos custos dos materiais de construção, que deve ser amenizada pelas operações das subsidiárias Luggo (aluguel residencial), Urba (loteamentos) e AHS (residencial nos EUA).

Assim, os analistas acreditam que as perspectivas positivas para a companhia já estão no preço.

Já no caso da Tenda, permaneceu a recomendação de compra, e o preço-alvo foi elevado para R$ 38, perspectiva de alta de 50% ante o preço atual. A XP adicionou ao preço a perspectiva de que o desenvolvimento da construção remota pode destravar valor na companhia.

Esse modelo, dizem os analistas, está se aproximando de seus estágios finais, e a companhia deve começar a operá-lo no segundo semestre de 2021, inicialmente em pequena escala. Mas "esperamos que o volume cresça nos próximos anos, com potencial de adicionar até 10 mil unidades por ano no longo prazo. Estimamos que este produto possa desbloquear um valor adicional de R$ 4,70 por ação", escrevem.

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Eles também acreditam que a Tenda será capaz de cumprir seu guidance (estimativas) em 2021, e que conseguirá minimizar o impacto dos custos crescentes da construção. A ação é considerada barata, sendo negociada a 1,7 vez a relação Preço/Valor Patrimonial por Ação para 2022, abaixo do seu valor histórico de 2,5 vezes P/VPA no período pré-pandemia.

Demanda resiliente e inflação dos custos de construção

Em relação ao segmento de imóveis populares como um todo, os analistas da XP acreditam que a demanda resiliente deve continuar alimentando o plano de crescimento das companhias. E que as maiores e mais líquidas - caso das cinco empresas analisadas - estão bem posicionadas para continuar expandindo operações e ganhando participação de mercado no programa Casa Verde e Amarela.

"Assim, vemos que essas companhias estão preparadas para endereçar os desafios de curto prazo, como as restrições comerciais (lockdowns), aumento do custo dos materiais de construção e escassez de alguns insumos, dado que elas possuem maior poder de barganha com seus fornecedores, maior eficiência produtiva e recursos para investir em novas soluções tecnológicas", diz o relatório.

De fato, o aumento dos preços dos materiais de construção é algo que preocupa, mas a XP crê que os impactos nas margens das incorporadoras será limitado. A corretora espera, inclusive, uma pressão adicional nos preços nos próximos meses.

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"Dito isso, vemos os esforços das companhias para atenuar os custos mais altos (por exemplo, por meio de compra antecipada de materiais, materiais alternativos e ganhos de eficiência), amenizando os impactos nas margens brutas, resultando em uma pequena compressão nas margens em 2021 (1,5 p.p em nossas estimativas, na média)", diz.

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