Esquenta dos mercados: semana mais curta é marcada por medo da inflação aqui e nos EUA e Livro Bege no exterior
Com feriado aqui e nos EUA, o investidor terá uma semana mais curta, com risco político no radar e exterior positivo hoje

A semana começa com um fôlego curto para o investidor brasileiro e internacional. Nesta segunda-feira (06), as bolsas de Nova York não abriram em virtude do feriado do dia do trabalho e nesta terça-feira (07) é a vez do Ibovespa dar uma pausa nos negócios, no dia da independência. Confira o que movimenta os mercados esta semana
O que esperar do Brasil
Sem Wall Street para dar sustentação, nem maiores indicadores pela frente, os investidores devem ficar de olho nos desdobramentos políticos das manifestações do próximo 7 de setembro.
O risco de ruptura democrática tem pressionado a bolsa nos últimos dias. Além disso, a reforma tributária, aprovada a toque de caixa, também desagradou os investidores. Os especialistas ainda calculam os impactos na arrecadação, principalmente para estados e municípios.
De maneira geral, a reforma não tocou nos pontos mais esperados pelos contribuintes: uma simplificação do sistema e melhorias no Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ). O saldo, entretanto, não é totalmente negativo — o aumento da faixa de isenção do IR Pessoa Física foi visto com bons olhos.
O próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), comentou a situação:
Fique de olho esta semana
Com o encavalamento de feriados esta semana, os principais indicadores começam a ser divulgados na quarta-feira (08), a começar pelo IGP-DI e pelo IPC-S Semanal, calculados pela FGV.
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Mas o IPCA, o dado mais esperado da semana, só deve ser divulgado na quinta-feira (09) pelo IBGE. A inflação brasileira já acumula alta acima do teto da meta estipulada pelo BC nos últimos 12 meses.
De acordo com a entidade, o centro da meta da inflação está em 3,75%, sendo o limite inferior de 2,25% e o superior de 5,25%. Na última leitura, o IPCA para os últimos 12 meses ficou em 8,99%. As perspectivas de crise hídrica e aumento da conta de energia elétrica devem pressionar ainda mais os preços.
Quanto às empresas, o investidor deve esperar maiores desdobramentos dos casos da síndrome da vaca louca, doença que foi diagnosticada em frigoríficos locais. Somado a isso, a queda nas commodities desta manhã, em especial do minério de ferro, deve mexer com o setor siderúrgico da bolsa.
De olho no livro bege
No exterior, os números do emprego levantaram um duplo sinal para os investidores. Por um lado, o mercado espera que o Federal Reserve, o BC americano, mantenha os estímulos à economia por mais tempo e mude os planos de tapering, a retirada desses estímulos, ainda este ano.
Por outro lado, o próprio presidente do Fed, Jerome Powell, percebe que essa injeção de dinheiro na economia não está mais surtindo efeito no emprego, mas pressiona a inflação e a curva de juros.
Como panorama internacional, o avanço da variante delta segue abaixo do radar, entretanto não sai dos olhos dos investidores. A retomada da economia depende diretamente da redução do número de casos e mortes, o que vem acontecendo de maneira mais lenta do que o esperado.
Fique de olho esta semana
O feriado nesta segunda-feira (06) nos Estados Unidos faz a maioria das bolsas viverem suas próprias histórias. No cardápio da semana, a terceira leitura do PIB da Zona do Euro fica como destaque na terça-feira (07).
Mas as preocupações com o tapering, retirada de estímulos e próximos movimentos do Federal Reserve devem ser sanados com a divulgação do Livro Bege na quarta-feira (08). A publicação deve movimentar os negócios antes da próxima reunião do Fed, ainda este mês, e trazer a visão do BC americano sobre a economia do país.
No mesmo dia, dados de inflação da China devem mexer com as bolsas da região, que se decepcionaram com o índice de atividade econômica (PMI, em inglês) da última semana.
No último pregão da semana, os Estados Unidos divulgam o Índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) e os poços de petróleo em operação.
Bolsas pelo mundo
Os principais índices da Ásia encerraram o pregão em alta na manhã desta segunda-feira. A expectativa é de que o Federal Reserve mantenha os estímulos à economia por mais tempo, o que injeta ânimo nas bolsas.
De maneira semelhante, os principais índices europeus também apostam na manutenção dos estímulos dos EUA, após os dados do emprego da semana passada decepcionar os investidores.
Por fim, as bolsas de Nova York não abriram hoje em virtude do feriado do dia do trabalho nos Estados Unidos.
Agenda da semana
Segunda-feira (06)
- Feriado do dia do trabalho nos Estados Unidos (bolsas fechadas)
- Banco Central: Boletim Focus semanal (8h45)
- Brasil: Balança comercial semanal (15h)
Terça-feira (07)
- Feriado do Dia da Independência no Brasil (bolsa fechada)
- China: Balança comercial (00h)
- Zona do Euro: Terceira leitura do PIB do segundo trimestre (6h)
Quarta-feira (08)
- FGV: IGP-DI de agosto (8h)
- FGV: IPC-S semanal (8h)
- Estados Unidos: Relatório Jolts de emprego em julho (11h)
- Estados Unidos: Divulgação do Livro Bege dos Estados Unidos (15h)
- China: Inflação ao consumidor (CPI, em inglês) e ao produtor (PPI, em inglês) no mês de agosto (22h30)
Quinta-feira (09)
- Banco Central Europeu: Divulgação da decisão de política monetária (8h45)
- Brasil: IPCA de agosto (9h)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio desemprego (9h30)
- Estados Unidos: Estoques de petróleo (12h)
- Estados Unidos: Secretária do Tesouro, Janet Yellen, preside reunião executiva do Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira (sem horário)
Sexta-feira (10)
- Brasil: Pesquisa mensal do comércio (9h)
- Estados Unidos: Índice de preços ao produtor em agosto (9h30)
- Estados Unidos: Poços de petróleo em operação (14h)
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