Ibovespa segue flertando com topo histórico, mas manter ‘otimismo cauteloso’ nunca é demais
Em dia de agenda fraca e exterior positivo, CPI da pandemia é o principal risco de água no chopp da B3

A bolsa brasileira tem pegado gosto pela contramão. No ano passado, depois da injeção de liquidez que segurou a onda dos mercados financeiros em meio ao choque provocado pela pandemia, o Ibovespa não teve a mesma facilidade que seus pares para surfar rumo à sucessiva renovação de picos históricos.
Em janeiro, o principal índice da B3 até pegou uma carona até os 125 mil pontos, mas a assustadora escalada da pandemia permeada por persistentes incertezas políticas e fiscais impediu o mercado de ações de segurar o rojão. Mas se de um lado o Ibovespa perdeu o bonde naquele momento, de outro a liquidez impediu que a bolsa ficasse muito distante de suas máximas.
Acontece que agora os investidores andam preocupados – e não sem razão – com a possibilidade de superaquecimento nas principais economias do mundo. Na semana passada, uma aceleração forte e acima das expectativas do preço ao consumidor norte-americano fez a maionese desandar na maior parte do mundo, mas a situação se reacomodou depois que outros indicadores sugeriram que ainda não era hora de entrar em pânico.
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Para o alto e avante?
As incertezas, entretanto, seguem no radar dos investidores. Ontem, enquanto os principais índices de ações de Wall Street caíam, dados robustos vindos da China ajudaram na recuperação do preço do minério de ferro, contribuindo para que o Ibovespa fechasse em alta de 0,87%, aos 122.937 pontos, na esteira das ações da Vale e de empresas do setor de siderurgia. Já o dólar recuou 0,09%, de volta à faixa de R$ 5,26.
Para hoje, dia de agenda fraca e sem balanços relevantes, o Ibovespa recebe do exterior sinais para um abertura positiva. Na Ásia, os principais índices acionários fecharam em forte alta em meio a uma caça a pechinchas. Na Europa, as bolsas de valores operam no azul enquanto investidores digerem os dados de março sobre o cenário de emprego e a situação da balança comercial da zona do euro. Em Wall Street, os índices futuros apontam para cima na esteira do setor de tecnologia.
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Em Brasília, a reforma administrativa avançou mais uma casa na Câmara dos Deputados e a MP da Eletrobras está quase pronta para votação. Segundo o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), a votação poderia ocorrer entre hoje e amanhã porque o relator Elmar Nascimento (DEM-BA) teria concordado em mexer em alguns pontos sensíveis da medida provisória. Entretanto, ele não entrou em detalhes sobre os ajustes realizados.
CPI da pandemia ouve Ernesto Araújo
De qualquer modo, operar em modo de “otimismo cauteloso” nunca é demais. Principalmente quando há uma Comissão Parlamentar de Inquérito funcionando em Brasília. Hoje, a CPI da pandemia abrirá microfones e ouvidos ao ex-chanceler Ernesto Araújo.
Responsável por uma guinada radical que colocou de lado mais de meio século de coerência diplomática e isolou o Brasil no cenário internacional, o ex-ministro de Relações Exteriores deverá ser questionado pela hostilidade em relação à China, maior parceiro comercial do País.
O mais provável é que os senadores relacionem a escassez de insumos para a produção de vacinas à postura nada diplomática do Brasil em relação à China e joguem cascas de banana para que Araújo complique ainda mais o governo em um momento no qual os agentes do mercado financeiro olham com cada vez mais atenção para a CPI.
Outro potencial gatilho para os mercados financeiros será um discurso do presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, programado para ocorrer durante evento por volta do meio-dia. Resta saber para qual lado Kaplan pode influenciar os mercados hoje.
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