Como ficaram as empresas offshore de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto com o dólar a R$ 5,70?
O ministro da Economia e o presidente do Banco Central mantêm contas no exterior há muito tempo. Qual foi o saldo do período?

O ministro da Economia, Paulo Guedes, deve estar com os nervos à flor da pele depois da debandada de quatro integrantes de sua equipe. A tensão nos mercados com o furo bilionário no teto de gastos proposto pelo governo derrubou a bolsa e fez o dólar atingir a marca dos R$ 5,70.
Mas pelo menos do ponto de vista das finanças pessoais, a crise que levou à alta da moeda americana não é tão ruim assim para o ministro. Uma matéria do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, em inglês) publicada neste mês na Revista Piauí revelou que Guedes mantém investimentos em empresas do exterior (offshores) desde 2014.
É importante lembrar que o investimento no exterior não é crime, desde que devidamente declarado à Receita Federal. Mas é fato que a valorização do dólar beneficia essa parcela do patrimônio do ministro, mesmo que ele não tenha atuado deliberadamente no câmbio. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é outro integrante do governo com recursos em offshores, segundo a publicação.
Afinal, quanto Guedes ganhou?
Antes da resposta, um esclarecimento: o exercício aqui leva em conta apenas a variação do dólar e considera que 100% dos recursos estão alocados na moeda americana. Ou seja, não conta eventuais investimentos que as offshores de Guedes e Campos Neto detenham.
Guedes fez seu primeiro investimento na offshore Dreadnoughts bem antes de sonhar em fazer parte do governo, no dia 25 de setembro de 2014. Na ocasião, o aporte no valor de US$ 9,55 milhões equivalia a cerca de R$ 23 milhões, quando a moeda americana era cotada a R$ 2,4251 (cotação do fechamento).
O tempo passou e Paulo Guedes tornou-se ministro da Economia com a eleição de Jair Bolsonaro. Em primeiro de janeiro de 2019, o dólar já estava na casa dos R$ 3,8799, um aumento de 59,98% desde o primeiro investimento na Dreadnoughts.
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Vale lembrar que Guedes diz ter declarado seus investimentos no exterior à Comissão de Ética no momento da indicação ao cargo. Sem maiores restrições à época, ele assumiu como ministro.
Três anos depois, chegamos a 22 de outubro de 2021, e as manchetes dos principais jornais do país apontam a cotação do dólar em R$ 5,70. Trata-se de um avanço de 46,92% em relação a 2019 e de 135,06% se compararmos com o preço da moeda americana em 2014.
De acordo com a reportagem da revista Piauí, Paulo Guedes não movimentou sua conta no exterior. Isso significa que os R$ 23 milhões na cotação da época se transformaram em R$ 54,4 milhões.
Para quem quiser acompanhar de forma mais “sistemática” a evolução do patrimônio da offshore de Paulo Guedes, um perfil foi criado no Twitter especificamente com essa missão.
Roberto Campos Neto: Na ponta do lápis
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também foi citado na reportagem pela offshore Cor Assets S.A., no Panamá. A empresa foi criada em maio de 2004, com um valor investido de US$ 1,09 milhão, o equivalente a R$ 3,3 milhões na cotação da moeda americana da época (R$ 3,027).
A reportagem ainda afirma que, dois meses depois, em julho de 2004, a Cor Assets recebeu de Campos Neto uma transferência de mais US$ 1,08 milhão para a conta estrangeira e aumentou significativamente o capital da empresa para US$ 2,17 milhões.
Em julho de 2004, o dólar atingiu a máxima do mês em R$ 3,0662 , ou seja, a Cor Assets valia cerca de R$ 6,653 milhões.
De lá para cá, a moeda americana valorizou 85,86%. Isso significa que a offshore do presidente do Banco Central praticamente dobrou de valor e está avaliada em R$ 12,369 milhões com o dólar nos atuais R$ 5,70.
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