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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

MERCADOS HOJE

Dólar tem forte queda, mas Ibovespa reflete cautela com texto do Orçamento 2021 e novo pacote de Biden

As mudanças de comando em Brasília seguem chamando a atenção dos investidores, mas o mercado prefere esperar pela apresentação do novo pacote de Biden

Jasmine Olga
Jasmine Olga
31 de março de 2021
10:36 - atualizado às 16:26
Dólar em queda
Imagem: Shutterstock

O mês de março finalmente chegou ao fim, mas a alta volatilidade que dominou o período parece longe de dar uma trégua, ainda que os últimos quatro pregões tenham sido de ganhos para o Ibovespa.

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Em mais um dia de exterior misto, no aguardo dos detalhes do novo pacote de estímulos à infraestrutura de Joe Biden, a bolsa brasileira atravessa um dia bem instável, com dificuldade de se firmar em um sentido.

Na parte da tarde, as preocupações com relação ao Orçamento de 2021 voltaram a pesar com mais força sobre a bolsa. Por volta das 15h40, o Ibovespa operava nas mínimas do dia, com um recuo de 0,41%, aos 16.380 pontos.

O texto do Orçamento tem sido criticado por abrir margem para maquiar gastos e possibilitar as temidas pedaladas fiscais. Causa desconforto também o elevado número destinado ao pagamento de emendas parlamentares, retirando recursos das despesas obrigatórias e levando a uma conta que "não fecha". O relator da pauta, Márcio Bittar, fez alterações no texto encaminhado para o presidente, retirando R$ 10 bilhões em emendas, mas a cifra ainda é considerada insuficiente para resolver o conflito.

Essa pressão fez com que o mercado de juros, que operava em queda, revertesse a tendência, já que o mercado volta a precificar uma elevada preocupação com o quadro fiscal do país. Confira as taxas de hoje:

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  • Janeiro/2022: de 4,65% para 4,63%
  • Janeiro/2023: de 6,42% para 6,46%
  • Janeiro/2025: de 8,07% para 8,11%
  • Janeiro/2027: de 8,69% para 8,72%

Enquanto isso, o dólar à vista recua 1,56%, a R$ 5,6723. O câmbio é favorecido por uma atuação do Banco Central, perspectivas mais positivas sobre o cenário de vacinação - após lideranças do Congresso sinalizarem avanços do comitê anti-crise - e a retomada do auxílio emergencial, que deve começar a ser pago no dia 6 de abril.

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Pesando os dramas

No Brasil, os investidores seguem otimistas com o fortalecimento de Jair Bolsonaro com o Centrão, após a reforma ministerial. A leitura é que as pautas relativas à economia, como privatizações e reformas, consigam ganhar o debate nacional. A Julia Wiltgen traz uma análise completa de como as trocas devem ser analisadas pelo mercado e por economistas. 

Também temos a repercussão dos novos números sobre o mercado de trabalho brasileiro. Ontem os dados do Caged animaram, mas nesta quarta-feira Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mostrou uma taxa de desocupação na casa dos 14,2% no trimestre encerrado em janeiro. Um ano antes, o índice era de 11,2%.

No entanto, o tema que está no centro das discussões é o texto do Orçamento de 2021 e as medidas de controle da pandemia do coronavírus. Com o país registrando recorde de mortos, as atenções se voltam para as medidas que podem pressionar ainda mais o cenário fiscal.

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O avanço da vacinação é visto como primordial para uma mudança de cenário. Embora o país tenha acelerado o ritmo, somente 8% da população já tomou pelo menos uma dose.

A expectativa é que abril traga um alento neste cenário, com a previsão de chegada de novas doses e a retomada do auxílio emergencial de R$ 150, que deve ajudar a economia a reaquecer. Hoje pela manhã, as lideranças do Congresso afirmaram terem conquistado avanços nesse cenário. Além disso, volta a se discutir a possibilidade de que a iniciativa privada compre doses para uso próprio.

Pacote Biden 2.0

No exterior, a expectativa é pelos detalhes do pacote de US$ 3 trilhões para o setor de infraestrutura. O tema é polêmico já que para financiar o projeto, o presidente americano espera aumentar os impostos corporativos.  Enquanto esperam, as bolsas americanas também oscilam próximas da estabilidade.

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O objetivo é aquecer a economia por meio de obras  para a construção de estradas e pontes, ampliação do acesso à internet banda larga, linhas de financiamento para carros elétricos e modernização das redes elétrica e de saneamento básico. Países exportadores de matéria prima, como o Brasil, devem se beneficiar dessa medida. 

As bolsas da Ásia fecharam em queda generalizada, acompanhando o sentimento que prevaleceu em Nova York na tarde de ontem, ainda que os dados da economia chinesa tenham mostrado recuperação.

Sobe e desce

As ações da Equatorial despontam como o principal destaque do dia, após a companhia ganhar o leilão de privatização da distribuidora gaúcha CEEE-D, por R$ 100 milhões. Já as ações da Cielo disparam após a aprovação do WhatsApp Pay no país, que terão todas as transações processadas pela companhia. As ações da Cogna chegaram a abrir o dia entre as maiores quedas, mas os papéis reverteram o sinal após o mercado analisar melhor o plano de reestruturação proposto. Confira as maiores altas:

CÓDIGONOMEULT VAR
EQTL3Equatorial ONR$ 24,406,64%
CIEL3Cielo ONR$ 3,765,03%
COGN3Cogna ONR$ 4,024,15%
CCRO3CCR ONR$ 12,644,03%
GGBR4Gerdau PNR$ 30,142,31%

Entre as maiores quedas temos a Qualicorp, que teve o seu resultado trimestral considerado fraco pelo mercado, e a Embraer e outras empresas aéreas, que subiram forte no pregão de ontem. Confira as maiores quedas do dia:

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CÓDIGONOMEULT VAR
QUAL3Qualicorp ONR$ 29,85-3,71%
YDUQ3Yduqs ONR$ 27,02-3,64%
SULA11SulAmérica unitsR$ 33,90-3,58%
GOLL4Gol PNR$ 21,63-3,13%
AZUL4Azul PNR$ 37,80-3,10%

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