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Cautela no exterior e no cenário doméstico dificultam um movimento de recuperação
A semana nem bem começou e os investidores brasileiros já encontram um dia cheio pela frente. No cardápio, temos crises para todos os gostos - política, econômica e fiscal -, o que gera um sentimento elevado de aversão ao risco. O exterior também não ajuda. A pressão negativa do setor financeiro lá fora deteriora ainda mais o cenário.
Para que a bolsa local tenha fôlego para uma recuperação, serão precisos notícias positivas, mas elas são escassas ou inexistentes no momento. Desde o começo do dia a bolsa brasileira tem operado com grande instabilidade e a segunda-feira está sendo marcada pela saída de dois ministros do governo: Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e o general Fernando Azevedo, da pasta da Defesa.
O bom desempenho das empresas do setor de commodities ajuda o Ibovespa a tentar se firmar em alta. Por volta das 16h, o principal índice da bolsa brasileira operava em alta de 0,19%, aos 114.994 pontos.
A saída do ministro Ernesto Araújo, anunciada no começo da tarde, tira um pouco da pressão do dólar. Mais cedo, a moeda americana chegou a ultrapassar a casa dos R$ 5,80, de olho na crise no Congresso e na repercussão do Orçamento 2021. No mesmo horário, a divisa tinha alta de 0,67%, a R$ 5,7799.
A preocupação com o cenário fiscal brasileiro e o pessimismo no exterior pesaram sobre o mercado de juros pela manhã, mas agora os principais contratos reduziram o ritmo de alta. Confira as taxas de hoje:
A aprovação do Orçamento de 2021 é um dos principais elementos de cautela. A leitura é de que o texto abre margens para "pedaladas fiscais" e não impõe nenhum compromisso com o teto de gastos. Além disso, a quantidade e valor destinado às emendas parlamentares tem deixado o mercado e os próprios políticos desconfortáveis.
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Mas esse está longe de ser o único motivo de cautela em Brasília. Além da tensão com relação à pandemia - que segue fora de controle -, o mercado doméstico também monitora uma nova crise institucional, dessa vez envolvendo o ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo, e o Senado.
Há pouco, foi anunciado que Araújo pediu demissão do cargo, após muitas polêmicas e pressões de diversas camadas da sociedade. A saída do chanceler, no entanto, está longe de ser o suficiente para acalmar os ânimos na capital federal.
A nova crise teve origem após o ministro acusar a senadora Katia Abreu de fazer lobby para os chineses com relação ao leilão de 5G. Abreu disse que apenas defendeu que não exista uma discriminação à China e tem sido apoiada pelo Congresso.
Não é de hoje que Ernesto Araújo tem um comportamento considerado inadequado com relação à China. A postura do ministro foi razão até para o represamento de insumos para a produção de vacinas contra a covid-19 no início do ano e sua postura era vista como prejudicial nas negociações do Brasil com outros países para adquirir imunizantes e insumos.
Para Regis Chinchila, analista da Terra Investimento, a saída do ministro pode trazer alguma melhora ao cenário, já que sua permanência era a certeza de uma relação mais complicada entre governo federal e Congresso, o que poderia travar pautas importantes.
Lá fora, o principal destaque negativo fica com as instituições financeiras. A Archegos Capital Management vendeu US$ 30 bilhões em ativos, em um movimento que deixou o mercado desconfiado. Mas essa não é a única notícia negativa que abala o mercado.
Tanto o Credit Suisse quanto o Nomura Holdings afirmaram que um cliente americano pode levar as instituições a terem um impacto significativo nos seus resultados do primeiro semestre depois que um hedge fund não honrou pagamentos de margem.
Além disso, ainda temos a crise no comércio global, ocasionada pelo navio preso no Canal de Suez. o Ever Given foi liberado agora pela manhã, mas após quase uma semana interrompendo um dos principais canais de abastecimento do planeta, devemos ter impactos negativos por mais algum tempo.
Nos Estados Unidos, o fantasma da pressão inflacionária também volta a assombrar, o que leva os rendimentos dos títulos públicos americanos, os Treasuries, a mais um dia de alta. As bolsas americanas operam em queda desde o início do dia. A exceção fica com o Dow Jones, que ensaia uma recuperação. Na Europa, as principais praças fecharam em leve alta, repercutindo a reabertura da economia do Reino Unido.
A alta do minério de ferro puxa as empresas com exposição à commodity nesta segunda-feira. Além disso, temos também uma boa performance dos frigoríficos, que são favorecidos pela alta do dólar e pela liberação do Canal de Suez. Já as ações da Taesa sobem com a notícia de que a Cemig quer se desfazer da sua fatia na companhia. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR (R$) | VARIAÇÃO |
| BEEF3 | Minerva ON | R$ 10,44 | 6,21% |
| PCAR3 | GPA ON | R$ 33,23 | 5,79% |
| TAEE11 | Taesa units | R$ 37,98 | 5,21% |
| BRAP4 | Bradespar PN | 68,53 | 4,83% |
| MRFG3 | Marfrig ON | 17,38 | 3,27% |
O Banco Santander recua com o movimento em cadeia que tem afetado todo o setor financeiro. As construturas seguem repercutindo dos juros. Confira também as maiores quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| CYRE3 | Cyrela ON | 22,86 | -3,46% |
| EZTC3 | EZTEC ON | 30,13 | -3,43% |
| SANB11 | Santander Brasil units | 39,61 | -3,25% |
| SULA11 | SulAmérica units | 35,52 | -2,28% |
| MRVE3 | MRV ON | 17,17 | -2,11% |
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