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2021-01-13T16:59:02-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
Cursando jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Mercados hoje

Incertezas pesam e Ibovespa cai com movimento de realização de lucros; dólar também recua

Nos EUA, deve acontecer hoje a votação do impeachment do presidente Donald Trump. O avanço do coronavírus também segue no radar

13 de janeiro de 2021
10:44 - atualizado às 16:59
Ibovespa mercados queda
Imagem: Shutterstock

A euforia da primeira semana de 2021 parece realmente ter ficado para trás. Depois das altas recentes, as bolsas americanas pareciam dispostas a engatarem um movimento de realização de lucros, mas conseguiram se firmar em um cenário de leve alta.

Ontem, o Ibovespa conseguiu um fôlego extra após a divulgação da inflação oficial e fechou o dia com uma alta moderada. Mas hoje, a história é outra. A bolsa brasileira apresenta uma queda acentuada e chegou a perder o patamar dos 122 mil pontos. Por volta das 16h55, o principal índice da bolsa brasileira recuava 1,54%, aos 122.089,86 pontos.

Os analistas de mercado citam dois principais razões para o desempenho negativo do Ibovespa, que descola das bolsas internacionais nesta quarta-feira: o vencimento de opções sobre as ações do índice — que afetam com mais força as "blue chips", empresas de grande peso — e uma realização de lucros após o rali de ano novo — que fez com que o Ibovespa renovasse inúmeras vezes o seu patamar recorde, indo além dos 25 mil pontos.

O dólar devolveu ontem metade da valorização de 2021, recuando mais de 3%. Hoje, a moeda americana tem apresentado uma sessão de volatilidade, mas se firmou em queda durante a tarde. Segnd Márcio Lórega, da Ativa Investimentos, a pressão do vencimento de opções sobre o ibovespa também acaba tendo reflexos no câmbio. No mesmo horário, a divisa recuava 0,33%, a R$5,3039.

Vale lembrar que assim como o Ibovespa, o dólar também teve uma valorização expressiva de 6% nos primeiros dias de 2021. Um movimento de correção era esperado e ele tem sido forte nas últimas duas sessões.

Os juros futuros começam o dia em alta, após uma queda expressiva durante a sessão de ontem. Confira as cotações:

  • Janeiro/2022: de 3,14% para 3,23%
  • Janeiro/2023: de 4,81% para 4,97%
  • Janeiro/2025: de 6,38% para 6,52%
  • Janeiro/2027: de 7,11% para 7,23%

Eu escolho você

Uma série de fatores internos podem estar dando um empurrãozinho nesse movimento de realização de lucros, é o que acreditam Pedro Galdi, da Mirae Asset, Alan Gandelman, da Planner Corretora, e Marcio Lórega, da Ativa Investimentos.

Em primeiro plano fica a questão do coronavírus, que não é de fato somente um problema interno, mas conta com o agravante doméstico de que o cenário de vacinação do país ainda é muito incerto. Lá fora, a vacinação já começou, mas medidas pesadas de isolamento social na Alemanha, Reino Unido e outros países, abrem espaço para a leitura de que a economia deve voltar a sofrer neste primeiro trimestre.

Por aqui, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que ninguém receberá as vacinas antes de Manaus e a previsão é de que a imunização comece no dia 19 de janeiro. No entanto, a Anvisa ainda não aprovou nenhuma das duas candidatas que pediram o registro para uso emergencial no país.

O Estado de São Paulo também estuda antecipar a mudança de status das regiões, o que influencia diretamente no tipo de atividade que pode ser exercida em cada lugar.

A corrida para a presidência da Câmara também é um fator de incerteza, já que essa é uma pauta que pode mexer com o andamento das reformas econômicas, uma agenda importante para o mercado financeiro.

Além desses ruídos políticos em Brasília, seja com vacinação ou corrida presidencial, temos também rumores de que uma nova greve dos caminhoneiros pode ocorrer.

Agora cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o setor de serviços teve uma alta de 2,6% em novembro, acima do esperado pelo mercado. Essa foi a sexta expansão mensal consecutiva do índice, o que indica um ganho acumulado de 19,2%, ainda insuficiente para reverter a perda de 19,6% entre fevereiro e maio.

Com tantas incertezas no ar, o momento é de embolsar os ganhos recentes. No caso específico da Vale, Gandelman cita ainda que o as novas medidas de lockdown adotadas em diferente regiões da China, maior consumidor do mundo de minério de ferro, ajuda a pressionar ainda mais os papéis.

No radar

Os fatores que alimentam a cautela no exterior são os mesmos dos últimos dias. Em primeiro plano está a votação do impeachment do presidente Donald Trump, que deve acontecer nesta quarta-feira na Câmara dos Representantes. Ontem, o vice-presidente Mike Pence se recusou a invocar a 25ª Emenda, que poderia ser utilizada para destituir Trump, que é acusado de "incitar uma ressureição" e ter apoiado a invasão ao Capitólio na última semana.

As bolsas globais também tiveram uma alta expressiva neste começo de ano, pegando carona no otimismo com novos estímulos fiscais nos Estados Unidos, com a vitória democrata no Senado, que deu o controle das duas casas legislativas do país ao partido.

As bolsas da Europa fecharam majoritariamente em alta. Nos Estados Unidos, as bolsas avançam em leve alta.

Sobe e desce

O desempenho das blue chips pesa na parte de baixo da tabela. Destaque negativo também para a Usiminas, impactada pelas medidas de lockdown na China.

CÓDIGOCOMPANHIAVALORVARIAÇÃO
USIM5 Usiminas PNA R$ 15,60-5,34%
GOLL4Gol PNR$ 29,32-4,28%
PETR3Petrobras ONR$ 29,86-4,23%
PETR4Petrobras PNR$ 36,14-4,19%
AZUL4Azul PNR$ 23,28-4,12%

Confira também as maiores altas do dia:

CÓDIGOCOMPANHIAVALORVARIAÇÃO
ENEV3Carrefour ONR$ 67,754,15%
PRIO3PetroRio ONR$ 79,373,91%
MRVE3MRV ONR$ 20,073,72%
CIEL3Cielo ONR$ 3,912,36%
CRFB3Carrefour ONR$ 20,401,24%
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