Ameaça ao teto de gastos e derretimento do minério de ferro afundam o Ibovespa em mais de 3%; dólar vai a R$ 5,20
Com a pressão das ameaças político-fiscais e a queda brusca do minério de erro, a bolsa brasileira amargou uma queda de mais de 3%. Já o dólar voltou a ser negociado na casa dos R$ 5,20
Desde que a pandemia do coronavírus desembarcou no país, acompanhada de um crescimento exorbitante dos gastos públicos para conter o avanço e os efeitos econômicos da doença, a ameaça de rompimento do teto de gastos paira sobre o mercado brasileiro.
O sentimento que abalou o mercado hoje, após o governo central demonstrar mais uma vez que pode apelar para medidas populistas conforme as eleições de 2022 se aproximam, estão longe de ser uma novidade, mas veio em um momento ruim.
Isso porque o clima global para os negócios já não era dos melhores. Desde o começo da semana, as investidas intervencionistas do governo chinês no setor privado de educação e tecnologia têm deixado um mal estar no ar, derrubando as bolsas asiáticas e contaminando todo o ecossistema financeiro, principalmente em outros países emergentes.
Nesta sexta-feira (30), quem sentiu o baque foi o mercado de commodities. Com a redução da produção de aço pelo gigante asiático, o minério de ferro despencou cerca de 8%. Por tabela, as ações da Vale e siderúrgicas acompanharam o tombo. A soma de tantos fatores negativos resultou em uma queda de 3,08%, aos 121.800 pontos, para o Ibovespa, o maior recuo percentual desde março. Na semana, a queda foi de 2,60%, um recuo acumulado de 3,94% no mês de julho.
É bem verdade que a reação negativa ao balanço do segundo trimestre da Amazon também pesou no exterior, mas o movimento foi bem mais comedido. Se afastando momentaneamente das máximas históricas, o Nasdaq caiu 0,71%, enquanto o S&P 500 e o Dow Jones recuaram 0,54% e 0,42%, respectivamente.
Da Ásia às Américas, o dia foi de perda. E com o apetite por risco escasso, quem foi pressionado foi o câmbio. Lá fora, o movimento da moeda já era de alta, mas nossos problemas internos também fizeram a sua parte. Assim, o dólar à vista avançou 2,57%, a R$ 5,2099. Na semana, no entanto, a divisa ficou estável, com recuo mínimo, de 0,01%. Em julho a alta foi de 4,76%.
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Bolsonaro X TSE
O Congresso está em recesso, mas o Executivo segue criando tensão em Brasília.
O presidente da República Jair Bolsonaro fez uma live na noite de ontem (29), com a presença de jornalistas, para reportar possíveis falhas na urna eletrônica, mas a única coisa que o chefe do Executivo conseguiu foi causar ainda mais atritos desnecessários. Durante a apresentação, Bolsonaro afirmou que “não tinha provas, mas indícios” de que o atual sistema eleitoral brasileiro é frágil e passível de fraudes.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) respondeu e rebateu as criticas ponto a ponto. Na próxima semana, deve ser votada uma PEC que restabelece o voto impresso, método do qual Bolsonaro é defensor. O Congresso deve rejeitar a proposta na volta do recesso.
Confira ainda quais ativos podem turbinar a sua carteira:
Teto de vidro
O mercado está mais uma vez desconfiado de que o governo de Jair Bolsonaro irá optar pelo caminho populista e as palavras proferidas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta manhã não ajudaram a desfazer o entendimento.
O presidente Jair Bolsonaro comentou que o auxílio emergencial existirá enquanto a pandemia seguir e, ao falar sobre os gastos públicos, Guedes afirmou que existe "fumaça no ar".
O ministro se refere à discussão sobre a necessidade de gastos extras de até R$ 30 bilhões fora do teto de gastos para tentar enquadrar a reformulação do Bolsa Família. O objetivo é elevar o valor do gasto com o benefício para R$ 30 bilhões. O Broadcast também apurou que o governo federal estuda mais uma vez mexer com o pagamento de precatórios, acendendo mais um sinal amarelo para o risco fiscal.
Para Marcio Lórega, gerente de research do Pagbank, mesmo com a resistência de Guedes, a visão de um governo mais populista segue ganhando força, principalmente após Bolsonaro falar sobre a possibilidade de endividar o país para financiar as medidas.
Depois de um dia de alívio, os principais contratos de DI voltaram a operar em alta, em antecipação à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que ocorrerá na semana que vem e os comentários sobre a situação fiscal do país. A expectativa é de que o Banco Central eleve a Selic em 1 ponto percentual para conter a escalada da inflação, já de olho em 2022. O resultado foi um salto expressivo da ponta mais longa da curva. Confira:
- Janeiro/22: de 6,20% para 6,31%
- Janeiro/23: de 7,60% para 7,85%
- Janeiro/25: de 8,39% para 8,70%
- Janeiro/27: de 8,75% para 9,04%
Cruzada contra a especulação
O mau humor que predominou nas bolsas globais nesta semana veio, em grande parte, da China. O país asiático está em uma cruzada contra a especulação, seja no setor de tecnologia, educação ou commodities.
Na segunda-feira (26), o Gigante Asiático investiu contra a educação privada do país. A recuperação econômica fez com que o número de escolas que oferecem cursos extra-curriculares crescesse e esse se tornasse um peso no orçamento das famílias chinesas. Então, o governo central decidiu adotar uma série de medidas para restringir essas atividades.
Mas o mercado não gosta de intervenções estatais no setor privado e agora teme que esse seja apenas o começo, colocando as empresas de tecnologia também sob pressão. No setor de commodities, o que é monitorado é o preço do aço, artificialmente reduzido pela redução da produção, também para evitar especulações com o preço do minério de ferro, que subiu exponencialmente nos últimos meses.
A queda do minério de ferro nesta madrugada derrubou a Vale e outras empresas com grande peso no Ibovespa, mas para Victor Benndorf, da Apollo Investimentos, esse é um movimento pontual. Para o analista, a companhia brasileira tem uma situação confortável desde que o minério se mantenha na faixa de US$ 120 a US$ 200 a tonelada.
Revisando expectativas
Nos Estados Unidos, as gigantes do setor de tecnologia Amazon, Facebook e Apple divulgaram projeções mais conservadoras para os próximos trimestres, o que levou seus balanços a serem considerados decepcionantes pelo mercado. As ações da companhia fundada por Jeff Bezos recuaram mais de 7% pela manhã e contaminaram o desempenho de todo o Nasdaq. Ao fim do dia, a queda foi mais sutil, de “apenas” 3%, mas os índices americanos não se recuperaram.
Mas não é só a temporada de balanços que segue no radar. A inflação americana também está em foco. O índice PCE, utilizado pelo Federal Reserve como referência para a inflação, avançou 4% na comparação anual. Segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, a renda pessoal avançou 0,1%, enquanto os gastos com consumo subiram 1%.
Para aumentar ainda mais a tensão em torno do assunto, James Bullard, presidente do Fed de St. Louis voltou a falar que é hora de reduzir a compra de ativos. Embora Bullard não seja um membro votante nas reuniões de política monetária, o mercado tem dado ouvidos ao que o dirigente tem a dizer. Principalmente após a última última decisão de política monetária do Federal Reserve, divulgada na última quarta-feira (28).
O banco central americano frustrou o mercado ao não trazer nenhuma sinalização de quando a retirada dos estímulos deve começar e repetiu o mesmo discurso dos últimos meses.
Para os dirigentes da instituição, a inflação segue apresentando caráter transitório e embora a atividade econômica tenha se recuperado com o avanço da vacinação, alguns setores ainda seguem fragilizados. O Fed se comprometeu mais uma vez a seguir utilizando todas as suas ferramentas para garantir que os níveis de preços e de emprego retornem aos patamares aceitáveis.
Boom de ofertas
Para Bruno Madruga, sócio e head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, o alto número de ofertas iniciais de ações também contribuem para o resultado negativo na semana da bolsa brasileira. Em 2021 já foram 40 novas estreias e a semana que vem reserva mais novidades.
Segundo Madruga, o mercado secundário de ações é afetado pela busca de liquidez por parte de fundos e grandes investidores que planejam participar das ofertas que se aproximam.
Sobe e desce
Confira as ações com os melhores desempenhos no mês de julho:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARMES |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 32,09 | 10,27% |
| HGTX3 | Cia Hering ON | R$ 37,18 | 8,68% |
| RAIL3 | Rumo ON | R$ 20,65 | 7,83% |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 20,51 | 7,38% |
| CSAN3 | Cosan ON | R$ 25,49 | 6,39% |
Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARMES |
| AMER3 | Americanas S.A ON | R$ 49,06 | -25,96% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | R$ 7,10 | -21,29% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 22,22 | -19,84% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | R$ 12,66 | -19,82% |
| PCAR3 | GPA ON | R$ 31,03 | -19,74% |
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