Ibovespa sobe quase 2% no mês – mas, na prática, o índice custa a sair do lugar; dólar sobe forte no último dia de abril
Com a forte disputa entre comprados e vendidos para a formação da Ptax e o crescimento da economia americana, o dólar subiu 1,79%. A bolsa sentiu o peso da pressão do câmbio e fechou nas mínimas do dia

O Ibovespa anda, anda, anda, mas não sai do lugar. Quer dizer, a valorização no mês de abril foi de quase 2%, mas o principal índice da bolsa brasileira tem tido dificuldade para superar o patamar mínimo dos 119 mil pontos e o máximo de 122 mil, mesmo com o desenrosco do orçamento e a volta das reformas para a agenda do Congresso.
Nesta semana, a faixa dos 121 mil até foi sustentada por algum tempo, mas o índice cedeu. E nem foi por questões internas - o mercado até que administrou bem as novidades com relação à CPI da covid-19 e a situação preocupante da pandemia no país. Foi mais o cenário externo que prejudicou o andamento dos negócios e acelerou o movimento de realização de lucros.
[captacao]
Hoje o índice não só perdeu os 120 mil pontos como voltou para a casa dos 118 mil. Com a pressão negativa do exterior (e alguns novos ruídos em Brasília), o principal índice da bolsa brasileira fechou na mínima do dia ao cair 0,98%, aos 118.893 pontos. Na semana, o recuo foi de 1,36%. No mês, a valorização foi de 1,94%.
Mas a verdadeira estrela foi o dólar. O Ibovespa recuou acompanhando a movimentação em Wall Street, mas o câmbio também pesou. Fica cada vez mais claro que a crise do coronavírus vai ficando para trás nos Estados Unidos. O país acelerou a sua vacinação e os indicadores começam a refletir uma economia mais forte. Hoje, com novos números na equação, o dólar se valorizou frente à maior parte das moedas globais.
Por aqui, nós tivemos um gatilho extra. Fim de mês, hoje foi dia de “briga” pela formação da taxa referencial da Ptax de abril. Com um forte movimento comprador, somado ao movimento internacional, o resultado foi uma forte alta de 1,79%, a R$ 5,4320. O movimento foi intenso, mas não o suficiente para apagar o alívio que predominou no período. Na semana, o recuo da moeda americana foi de 1,19% e, no mês, de 3,49%.
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Ariane Benedito, economista da CM Capital, aponta que esse já era um movimento esperado para os mercados hoje e lembra que o alívio que temos visto no mercado de juros acompanha justamente esse movimento de valorização do real visto no câmbio. A sinalização pró-reformas após o fim da novela do orçamento também ajuda a justificar alívio na curva.
A economista pontua que é importante observar que mesmo com a CPI da covid-19 no pano de fundo, vários pontos da curva apresentaram resultado bem negativo. A ponta mais curta, no entanto, acabou refletindo o movimento mais intenso de alta. Confira as taxas do dia:
- Janeiro/2022: de 4,61% para 4,67%
- Janeiro/2023: de 6,18% para 6,27%
- Janeiro/2025: de 7,68% para 7,80%
- Janeiro/2027: de 8,34% para 8,41%
Confira os melhores e piores investimentos de abril com os repórteres do Seu Dinheiro:
O atoleiro
O Ibovespa custa a sair do lugar, mas o que o segura tanto? Bom, nos últimos trinta dias nós tivemos alguns encerramentos importantes - como a sanção do orçamento e a retomada da apreciação das reformas, com destaque para a tributária, que parece ser a grande pauta da vez.
Mas o coronavírus, pelo menos no Brasil, ainda não é uma coisa do passado. O país engatinha na questão da vacinação e tem dificuldade para equilibrar a economia e a necessidade de distanciamento social. O mercado pode até não pesar esses pontos todos os dias, mas é o pano de fundo.
E não é só em terras tupiniquins que o vírus segue sendo um problema. O mercado internacional também olha para o Japão e a Índia, localidades que voltam a figurar como focos da doença.
Os trilhões de Biden
Enquanto nos Estados Unidos a crise parece coisa do passado, a Europa segue sendo castigada com números nada animadores. A queda do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre indica que a região entrou em uma segunda recessão técnica em menos de um ano. O PIB do bloco encolheu 0,6%, abaixo das expectativas de recuo de 0,8%. Já a inflação subiu 1,6% em abril.
Já nos Estados Unidos a história é bem diferente. Os números apresentados pela maior economia do mundo são tão animadores que o mercado de certa forma “teme” o fim da crise e uma reação mais enfática do Federal Reserve, o BC americano.
Nesta semana, o Fed reforçou mais uma vez o seu posicionamento - a economia ainda precisa de estímulos e a compra de ativos e o nível atual das taxas de juros não deve sofrer elevações por algum tempo.
Mas a inflação, a grande preocupação da terra do Tio Sam de fato vem acelerando, com um cenário que não indica um arrefecimento.
Isso porque o presidente americano, Joe Biden, planeja despejar mais alguns trilhões na economia. Além dos pacotes já aprovados, há no horizonte um pacote de US$ 2 trilhões para obras de infraestrutura e um de US$ 1,8 trilhão para socorrer as famílias americanas.
Os projetos devem sofrer alguma pressão no Congresso e o meio de financiar essa conta não agradou os mercados. Biden falou em não só aumentar os impostos corporativos, mas também em aumentar a taxação sobre as famílias que recebem mais de US$ 400 mil por ano. Quando essas medidas foram anunciadss, a reação do mercado foi bem negativa e puxou os ativos globais.
Ficou escondido
Hoje o Ibovespa chegou a quase zerar a queda do dia, mas o cenário internacional não deixou. O Dow Jones caiu 0,54%, o S&P 500 teve queda de 0,72% e o Nasdaq recuou 0,85%.
Não foi só nos Estados Unidos que os indicadores animaram. A taxa recorde de desemprego na casa dos 14,4% não é exatamente um alento, mas veio abaixo do que o mercado andava esperando. Além disso, tivemos uma reação positiva também com relação ao resultado do governo federal - apenas o resultado primário decepcionou e ainda assim veio bem próximo do que era esperado.
Outro assunto com potencial para amargar os negócios e que ficou em segundo plano nesta semana foi a CPI da Covid. Renan Calheiros de fato ficou com a relatoria, mas as verdadeiras “bombas” devem ficar para a semana que vem, quando membros do governo serão chamados para depor.
A pauta superada
Não foi como o mercado queria, mas pelo menos foi. Essa foi a reação dos investidores à sanção do Orçamento de 2021. Com cinco meses de atraso, a pauta foi finalmente superada. O jeito foi alterar o projeto de lei orçamentária de 2021 e incluir cerca de R$ 125 bilhões de gastos acima do teto.
Mesmo com a sanção presidencial, a questão pode ressuscitar nos próximos dias. Isso porque o presidente da Câmara, Arthur Lira, falou que o Congresso deve votar uma readequação do Orçamento na próxima semana
A pauta da vez
O governo e o Congresso devem buscar um acordo sobre o fatiamento da proposta de reforma tributária para facilitar a aprovação do projeto.
O texto deve ser fatiado em quatro partes para ser apreciado pela Casa. Também está no radar do governo o andamento da reforma administrativa que, de acordo com o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), “entrará em votação agora em maio". Lira falou que deve receber o relatório final na próxima semana.
Para Ariane Benedito, da CM Capital, o tema traz um alívio momentâneo, mas não deve resolver a questão fiscal no longo prazo. “Como reduzir o risco-fiscal se a dívida segue crescendo? Essa é uma reforma complexa e que não resolve o problema de arrecadação”. Para a economista, seria preferível que o governo apostasse na reforma administrativa, mas o custo político para a aprovação seria muito mais alto, o que conta como um risco com a proximidade da eleição presidencial de 2022.
Sobe e desce
Confira as maiores altas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| HGTX3 | Cia Hering ON | R$ 27,42 | 21,38% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | R$ 107,75 | 8,18% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 23,97 | 8,07% |
| PCAR3 | GPA ON | R$ 40,73 | 6,76% |
| ECOR3 | Ecorodovias ON | R$ 12,03 | 6,46% |
Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
| BRFS3 | BRF ON | R$ 20,79 | -12,35% |
| JBSS3 | JBS ON | R$ 30,12 | -11,07% |
| BEEF3 | Minerva ON | R$ 9,68 | -10,04% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | R$ 11,87 | -9,53% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | R$ 20,86 | -8,51% |
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