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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

Tom mais duro de dirigentes do Fed volta a confundir os mercados; Ibovespa e dólar recuam enquanto DIs avançam

Os sinais captados pelos dados de inflação e os discursos dos dirigentes do Fed tenta antecipar o futuro da política monetária da maior economia do mundo, trazendo grande volatilidade aos negócios. Por aqui, o dólar fechou estável e os DIs subiram. Já a bolsa fechou o dia no vermelho

Jasmine Olga
Jasmine Olga
23 de junho de 2021
18:40 - atualizado às 20:22
Federal Reserve
Imagem: Montagem Andrei Morais/ Shutterstock

Ao contrário do imaginário popular — e do que eu acreditava até pouco tempo atrás —, as cartas do tarô não servem para prever o futuro. Isso seria uma mão na roda e a vida seria muito mais fácil. As cartas funcionam muito mais como um tabuleiro de xadrez. Ali é possível analisar e projetar os próximos lances, as consequências dessas ações e permite aos jogadores pensarem sobre as possíveis consequências. 

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No jogo do mercado financeiro, as cartas que estão na mesa buscam antecipar o que o Federal Reserve, o banco central americano, deverá fazer para impedir uma escalada dos preços sem prejudicar a recuperação da economia. Essa análise é feita a partir dos dados da economia e dos discursos dos dirigentes do Fed, mas eles andam um tanto contraditórios, deixando os investidores confusos. 

O foco dos agentes financeiros esteve em Raphael Bostic, do Fed de Atlanta, e Michelle Bowman, do Fed de Cleveland. Se ontem as palavras de Powell deram alívio, já que o chefe do Fed defendeu mais uma vez uma inflação transitória e uma retirada lenta e gradual dos estímulos, hoje o mercado não teve palavras acolhedoras para se apoiar

A reação mais significativa foi à fala de Bostic. O presidente do Fed de Atlanta foi um dos dirigentes que antecipou a projeção de alta para os juros na última decisão de política monetária, divulgada na semana passada.

Para ele, o Federal Reserve está próximo de alcançar os requisitos para se discutir a retirada dos estímulos monetários — e o que vai indicar como as coisas de fato ocorrerão será o desempenho do mercado de trabalho nos próximos meses. Bostic projeta que a inflação americana deve ficar em torno de 3,4% em 2021. 

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Bowman também teve um discurso duro, no qual afirmou que a inflação pode ser mais persistente e levar “algum tempo” até ser normalizada. O mercado, claro, não gostou do que ouviu, principalmente tendo em mãos mais dados mistos da economia americana para digerir. Inflação persistente pode obrigar o Fed a elevar os juros antes do que os investidores gostariam.

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A inflação também assombra o velho continente, e o temor de uma elevação dos juros fez com que as principais praças europeias fechassem em queda generalizada. Em Nova York, o Nasdaq conseguiu fechar no azul ao avançar 0,13%, mas o Dow Jones e o S&P 500 recuaram 0,21% e 0,11%, respectivamente. 

Voltando ao presente...

Enquanto uma resposta mais concreta sobre o futuro não chega, o que se tem é volatilidade na bolsa, no câmbio e no mercado de juros futuros. 

O dólar à vista chegou a recuar mais de 0,5% no dia, mas acabou pressionado pelo discurso de Bostic e inverteu o sinal, mas sem perder o recém-conquistado patamar dos R$ 4,90. No fim do dia, a moeda americana fechou a sessão praticamente estável, com leve queda de 0,07%, a R$ 4,9628. 

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Não foi somente o clima externo que mexeu com o câmbio por aqui. Em live promovida pela Fiesp, o ministro da Economia Paulo Guedes voltou a trazer algumas dúvidas sobre o cenário fiscal brasileiro ao afirmar que a confirmação do pagamento do auxílio até outubro deve ser feita ainda nesta semana. Guedes, aliás, está otimista com relação ao novo patamar alcançado pela moeda americana. Para o ministro, a divisa ainda deve cair mais, com o câmbio de equilíbrio "bem abaixo dos R$ 5,00"

O mercado de juros também teve mais um dia de grande destaque. Depois de um dia de movimentação intensa, repercutindo o tom mais duro do BC local na ata da última decisão do Copom e a possibilidade de aumento de 1 ponto percentual na próxima reunião, os principais contratos de DI chegaram a abrir o dia em queda, mas não conseguiram sustentar o movimento com a piora do clima no exterior. Confira as taxas de fechamento:

  • Janeiro/22: de 5,73% para 5,77%
  • Janeiro/23: de 7,25% para 7,31%
  • Janeiro/25: de 8,20% para 8,25%
  • Janeiro/27: de 8,64% para 8,63%

Na cola dos bancos

Nem mesmo a alta do setor de commodities conseguiu segurar o Ibovespa no azul nesta quarta-feira (23). A piora generalizada atingiu também os ativos das petroleiras, siderúrgicas e as ações da Vale, que vinham segurando o bom desempenho da bolsa brasileira. 

Por aqui pesou também o desempenho negativo do setor bancário, que até chegou a abrir o dia no azul. Desde o começo do dia, o mercado observou de perto a movimentação do setor financeiro. É que a MP que permite um aumento da tributação dos bancos (CSLL) foi aprovada ontem no Senado. A medida abre caminho para o subsídio temporário do diesel e do gás de cozinha. Com isso, a CSLL paga pelos bancos sobe de 20% para 25%. Já as seguradoras passam a pagar 20%, contra os atuais 15%.

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O saldo final foi um recuo de 0,26% do Ibovespa, aos 128.427 pontos.

Dados mistos

Além dos discursos dos dirigentes do Fed, também entraram na conta dos investidores os novos dados da economia americana divulgados pela manhã. 

Enquanto o PMI do setor de serviços americano veio abaixo do esperado - 64,8 ante 70,4 do mês anterior -, indicando uma recuperação mais lenta, o setor manufatureiro superou as expectativas. O índice de gerentes de compras composto caiu a 63,9, de 68,7 em maio. 

Sobe e desce

Na primeira etapa do pregão, a alta significativa das commodities ajudou o Ibovespa a encostar novamente nos 130 mil pontos, aos 129.900 pontos, no melhor momento do dia. Vale, siderúrgicas e Petrobras, no entanto, apararam a alta e deram espaço para que outros papéis assumissem o topo da tabela. Confira as maiores altas do dia:

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CÓDIGONOMEULTVAR
BRKM5Braskem PNAR$ 56,402,75%
BIDI11Banco Inter unitR$ 71,992,48%
YDUQ3Yduqs ONR$ 35,402,40%
USIM5Usiminas PNAR$ 18,622,14%
CVCB3CVC ONR$ 29,441,87%

Na ponta contrária, as ações das construtoras seguem em queda, afetadas pela perspectiva de juros cada vez mais altos. Já o GPA recuou expressivamente após as altas dos últimos dias, quando os papéis subiram com a repercussão do interesse de Michael Klein em comprar a fatia que hoje é dos controladores da companhia, o grupo francês Casino. Confira as maiores quedas do dia:

CÓDIGONOMEULTVAR
EZTC3EZTEC ONR$ 32,06-4,75%
PCAR3GPA ONR$ 39,94-3,87%
BRDT3BR Distribuidora ONR$ 26,95-2,88%
BBSE3BB Seguridade ONR$ 24,85-2,70%
ELET6Eletrobras PNBR$ 46,17-2,49%

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